Por: Alexandre Albini
Depois de 20 edições, mais de 150.000 pessoas, e do incrível “capítulo final” de 2012, era hora de repensar toda a história da Tribaltech. Realizada desde 2004 – com uma breve interrupção no ano de 2013 -, “Reborn” afirmou não somente os 10 anos da marca, mas também o seu renascimento.
Reconhecida ao longo dos anos em países como Alemanha, Reino Unido e Espanha, por suas inovações no mercado brasileiro, é famosa por reunir grandes atrações e muita diversidade em um só lugar. Diferentes artes sob os mesmos pilares: música, vanguarda, tendência, tecnologia, alternatividade e liberdade de expressão fazem parte do conceito do evento.
Realizada entre às 18 horas do dia 11 e 16 horas do dia 12 de Outubro em Piraquara – região metropolitana de Curitiba-Pr, teve cerca de 150 atrações nacionais e internacionais dividas em 12 palcos:
Tribaltech:
Palco Principal da festa, que contou com uma construção de quatro andares que podia ser explorada por dentro de uma maneira inédita. Por esse stage – que contava com um excepcional sistema de som e iluminação – passaram Ilan, HNQO, Gui Boratto, Hunter Game, Gabe & Alok, Dnox e Beckers, Dnox, os destaques Matador, Radio Slave e Kevin Saunderson, além de Magda e Barem. Como em 2012, foi voltado – em grande parte – ao techno, com algumas “boas intervenções” de tech-house. Devido ao forte calor, a programação da pista foi encerrada ao meio dia e meio, com a apresentação de Nastia transferida para o Warung stage.
Vuuv
O Vuuv Festival é um dos maiores e mais tradicionais festivais de música eletrônica a céu aberto do mundo. Nascido em 1991, acorre anualmente em Antaro, na Alemanha, e é um dos mais antigos de que se tem notícia, mantendo as raízes e conceitos fieis à filosofia do Trance. Trazendo ao Brasil uma estrutura de som em 3D, em que as caixas de graves ficam posicionadas no centro da pista, além das 4 torres de som viradas para o mesmo sentido, proporcionaram uma experiência ainda inédita em festivais nacionais. Neste palco passaram nomes como Sixty9, K-Isuma, Mental Broadcast & Faders, OutSiders, Burn in Noise, Trang, Scotty, Rinkadink, Dropped, E-clip, Zyce, Element, Symbolic, Neelix, Freedom Fighters, Loud, Perfect Stranger, Allaby e Ryanosaurus.
Warung:
Com capacidade máxima para 3.750 pessoas, foi o stage que se manteve lotado em pelo menos 18 das 22 horas em que esteve aberto. Reconhecido nacional e internacionalmente, não só pela qualidade mas também pelo contato direto com o Sol e a Natureza, vista para o mar, e principalmente pelo puro e simples amor à música dos seus frequentadores, conseguiu trazer novamente para Curitiba – como ocorrido no Warung Day em maio desse ano – toda a atmosfera e magia em que é consagrado. Por este palco passaram nomes já aclamados pelo público do club catarinense como Léo Janeiro, André Marques, Infinity Ink live, Conti & Leozinho, Hot Natured Band, Lee Foss, Jamie Jones, Daniel Bortz, Dashdot, Adana Twins, Dinamo Azari, Fabo, Kolombo, do set solo de Natia e do b2b de duas horas com Renato Ratier.
Club Vibe:
Sem dúvida um dos melhores na questão musical. Incorporou ao festival a sua característica intimista em que o club curitibano é conhecido. Um dos ícones da cena eletrônica brasileira, e com 13 anos de existência, hoje é considerado um dos mais tradicionais e conceituais em atividade do Brasil, além de integrar o seleto grupo dos 100 melhores do mundo. Para esta edição teve como atrações o projeto Stekke (formado por Ale Reis e Renee), Gromma, Rolldabeetz, Mau mau & Cohen, Davis, Bob Moses live, Marcus Worgull, Tone of Arc live, Kate Simko, Catyz N Dogz, do destaque Mathew Jonson, Aninha e Pillow Talk – que a exemplo de 2012 fechou a programação do stage com a apresentação de seu live composto por Sammy D, Ryan Williams e Michael Tello, seguido de um longo DJ set.
Skol Music Stage
Uma das propostas mais interessantes do festival. Representando uma das marcas que mais investem no crescimento e desenvolvimento da música eletrônica no país, e sempre de olho nos talentos brasileiros – quatros deles integrantes dos selos Buuum, Ganza e Tralalá – a Skol trouxe ao festival Antonela Giampietro, Adnan Sharif, Alex Justino, The Drone Lovers live, Camilo Rocha, VCO Rox live, Alok, Fabrício Peçanha live, Flow & Zeo, Funky Fat live, Vintage Culture, Gustavo Bravetti e do Santos.

Radiola Landrace Roots
Núcleo responsável por festas e selo promissor no cenário brasileiro da música eletrônica, apostou na valorização de talentos regionais e nacionais que estão tendo grande reconhecimento no mercado da música eletrônica mundial. Contando com a apresentação de Danee X Schlemper, Bruno Be, Gui Thome, Mandy, Ricky Rian, do sempre destaque Elekfantz, Haustuff, Albuquerque, Volkoder, Joyce Muniz e do b2b entre Boghosian e Fran Bortolossi, foi uma das pistas mais agitadas, com programação até o meio dia de domingo.
Florest Gump:
Um dos palcos mais legais do evento. Posicionado em meio às árvores, se manteve com ótima presença de público durante todo o evento, principalmente após as 9h da manhã, quando a temperatura já estava próxima dos 30ºC. Apostando nos talentos locais, a exemplo do Track Top de 2012, contou com Crash & Ale, Gui SD & Daniel Sun, Paulo & Gabi, Marcio S, Pimp Chiq, Villa Nova, Kultra, It’s Big Boy (Malcon Costa), Renan & Bogus, Rodrigo Carreira, Klayton Keepen, TouchTalk, Chemical Surf e Dake.

Funk You
Um dos dos stages com a cenografia mais criativa. Lugar de encontro dos amantes de Funk (old School ao new School), Breaks, Disco e Hip Hop, apresentou aos amantes da boa música muito mais que uma simples festa de Black Music. Com pouco mais de três anos de existência, e realizada mensalmente, a festa já virou referência do gênero em Curitiba. O som ficou a cargo de Allen Rosa, Shaka, Black Tie, Zel, Jayl Funk, dos residentes Schasko e Murillo Mongello, Slynk, Funk the system, Kojake, Biel e Spiltmilk.
Cambalacho Bass Station
Montando em meio ao que foi apelidado de “quebrada cambalacho”, foi durante todo o festival uma ótima alternativa para os que quiseram experimentar sonoridades que fugissem do tradicional 4/4, embalados pelas batidas quebradas do trap, bass, dubstep e drum n’ bass. Projeto capitaneado pelos DJs Anaum e Jeff bass, contou também com a presença de Fabio Heinz, Sweet Grooves, Trusty, Tropkillaz (Zegon e Laudz) feat. MC Shawlin, Sistema de Som Pesadão, Marginal men, Rodrigo S., THD (It’s a trap) e uma jam sessions com os artistas remanescentes.

La Folie & Brazilian Wax:
Um dos stages com a curadoria mais apurada. O núcleo carioca formado por seis amigos (Fernando Barbosa, Paula Lopes, Erika Roitberg, Nathália Winkelman, Cecilia Antunes e Bruno Manes), que está há cinco anos nas pistas e continua conquistando cada vez mais espaço, preza pela identidade em que foi concebido acima de tudo. Sempre com edições temáticas, levando a cabo o conceito de fazer experimentações sonoras e visuais, convocou para o palco do festival nomes como Rockphonne, Epicentro do Bloquinho, Manara, Dyonisus Jr., Magal, Maurício Lopes, L_cio, Gaturamo, Carrot Green, Nepal, Gustavo Tata e Pedro Piu.

AIMEC – Yellow:
Stage formado pela parceria entre duas das escolas de DJs com maior projeção nacional. Apostou em um line-up formado por professores das duas instituições, além de artistas em destaque e do já tradicional desafio DJ – que teve a final realizada dentro do evento, com a participação de 40 artistas classificados. Fizeram parte da programação WildBoys, Drunky Daniels, Edson B. & Michel Godoy, Mateus B, Do Santos, Puka, Rogério Animal, CPCK (Rafael Araújo) & Alonso Figueroa, Lucas Bravo, Mixsa Live, Sound Cloup & Sandro Cruz e The Toxic Monsters.
Raww Room:
Certamente o palco em que se pode ouvir música de qualidade incontestável e sem rótulos. Apresentando uma proposta de arquitetura despojada, através dos conceitos de utilização de material reciclado, se tornou um “escape” despretensioso para relaxar, jogar conversa fora, sem a explosão dos grandes palcos. Com uma atmosfera mais convidativa, foi possível se sentir em casa, com direito a cabine de DJ, bar, varanda e sofás, reunindo aqueles que fazem questão de apreciar as sonoridades mais conceituais. Sob o comando de Renato Ratier, o espaço trouxe alguns dos nomes de destaque da D-Edge Agency, além de outros convidados. Entre os escalados estiveram Adnan Sharif, Ricardo Albuquerque, Andre Torquato, Camilo Rocha, Gustavo Conti & Mandy Hafez, Dai Bohn, Dani Souto, Davis, Exequiel, Fractal Mood, Gromma, Ingrid, Juan Rodrigues, L_cio, Marcio S., Nepal, Paula Chalup, Pedro Piu, Propulse, Renan Mendes, Stekke e Zopelar.

Cenografia






Estão disponíveis alguns reviews em vídeo, dentre esses o realizado por Daniel Poslastri para o blog “Aperte o play” da Gazeta do Povo: http://bit.ly/1yFQJgx; o da 142 Films em parceria com deepbeep http://bit.ly/1tACAB5; Namoral TV http://bit.ly/1pQS9PU; e Click Story http://bit.ly/10vgIMB.
Vale mencionar também a presença fundamental dos VJs sob a curadoria de Leandro Mendes aka Vigas. Entre esses estiveram Spetto, Roger Sodre, Erms Desconstrução, Toshiro, Carlos Junior, Henrique Patesser Corrêa, Bruno Bez, Lucas Arruda, Daniel Paz, Vinícius Luz, Eletroiman, Picles Victor e Manolo LonoMa.
Após essa última edição – que contou com ótima organização, bom número de sanitários, staff e seguranças, não registrando filas nos acessos à fazenda Heimari, diferentemente de outros anos -, agora a expectativa se volta para o 2º capítulo da Trilogia. Marcada para outubro de 2015, trará um novo conceito, além da certeza de uma ótima produção e cenografia, além é claro do já conhecido compromisso com a música. Fica aqui os parabéns a todos que estiverem envolvidos direta e indiretamente na realização deste evento, que colocou definitivamente Curitiba no mapa dos grandes festivais. Let’s Evolute!
Capa: Felipe Carraro. Foto Raww Rom: Tiago Ribeiro. Imagens: Gui Urban, Eduardo Ribeiro, Chico Morais, Patrick Gomes
Vídeos: DJ Room TV, DM7 Bookings, Rafael João da Silva, Renan Fernades, Luiz Zen, Alexandre Iurk, Caio Bueno, Paulo Cesar, Renato Solc, Henrique Vaz, Eduardo Mortean Silvestre, Marcelo Hussein Mussi, Thais Rohwedder, Robson Suzuki, Jefferson Rincao.
