A complexidade amigável da Manni em seu novo release, Take6

Por Manoel Cirilo

Foto de abertura: Tony Santos

O veterano Manoel Vanni aka Manni é um experiente DJ e produtor brasileiro. Com uma identidade sonora que percorre diferentes gêneros musicais, Manni criou suas primeiras produções em 1985, dedicadas a programas de rádio em São Paulo. Hoje, mais de 30 anos depois, o artista mantém a forte presença no estúdio e acaba de lançar um novo álbum de faixas originais.

“Take6” é uma obra digna de um mestre dos estúdios e explora todas as nuances sonoras de Manni, com faixas que flertam com diferentes estilos, do techno ao nu disco. O novo álbum foi lançado pela alemã Society 3.0 Recordings, que se posiciona como uma label de visão única e inovadora.

Ao todo são 15 faixas que compõem um belo resumo de toda a habilidade de produção expressada por Manni. “Take6”, que dá nome ao álbum, é um deep house que mescla batidas orgânicas com elementos sintéticos em perfeita harmonia. “Batuca Da” sobe os bpms e caminha em uma pegada mais ácida, com boa pressão de pista. “Move Your Ass” possui uma linha de baixo precisa que dá o tom da faixa e é completada pelos vocais abafados. “Need to Find Myself” apresenta uma composição densa, com kicks curtos, entrecortada por um ritmo tropical que eleva a experiência auditiva a um outro nível.

“Try to Be Cool” flerta com o tech house e traz uma sonoridade acelerada, com vocais abstratos. “The Central” percorre camadas sonoras mais densas e possui ótima configuração para o dancefloor. “Marvin Man (Odd New)” transporta o imaginário do ouvinte direto para uma garage party com sua ambientação perfeitamente construída. “Ces’t Chic” é uma faixa para libertar seu dançarino interior pela recriação de batidas latinas. Já “Walk On” é uma faixa sedutora que abusa da melodia em baixo bpm. “Tamborim Cuica” carrega toda a brasilidade do DJ em forma de samba eletrônico que se traduz muito bem para uma day party.

“Superkiss” é a faixa mais disco do álbum e deixa claro a versatilidade do artista dentro dos estúdios. “Lalala” também transita pela house music, com uma construção mais grave e melodia que oferece uma chamada introspectiva. “Father” possui o build up mais reto do EP, um techno com pressão e melodia muito bem equilibradas. “Pineapple Bud” abusa dos grooves e usa instrumentos de sopro que a inserem perfeitamente em um pico de set para desestabilizar a pista. O álbum encerra com uma proposta mais obscura e grave para “Marvin Man (Punk Disco)”. 

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