Artistas do Top 100 DJ Mag opinam sobre ghost producers

Dois temas bastante polêmicos do momento são o Top 100 da DJ Mag e ghost producers — os famigerados “produtores fantasma”. Unindo o útil ao agradável, a revista inglesa fez um questionário com algumas perguntas uniformes a cada um dos seus DJs do Top 100, colocando as respostas no perfil de cada um deles. Entre essas perguntas, a questão do que cada um deles achava sobre a produção fantasma. 

Boa parte respondeu que não vê problema, desde que os “fantasmas” sejam devidamente creditados. Outros, contudo, fugiram um pouco do padrão. Confira algumas respostas: 

“Parece haver muita confusão sobre esse assunto. Às vezes os artistas contratam produtores para ajudar com a mixagem, composição ou produção; não é algo exclusivo da música eletrônica ou qualquer outro gênero. Basicamente, se o par extra de mãos colabora para um resultado final melhor, então é algo bom pra todo mundo. O que é importante é a transparência sobre como essa parceria funciona, e que todos os envolvidos sejam devidamente creditados e pagos” — Dimitri Vegas & Like Mike (#1). 

“Se você não está produzindo suas tracks, seja honesto. Os fãs não merecem ser enganados” — Hardwell (#2). 

“Há uma grande diferença entre ter ‘produtores fantasma’ ou trabalhar em equipe. É completamente aceitável trabalhar com uma equipe, creditando a todos. E pagando. É mais ou menos como ter uma banda”  — David Guetta (#6). 

“Eu realmente não tenho muito problema com essa questão…” — Steve Aoki (#10). 

“Sentimentos confusos. É claro que isso tira um pouco a integridade de um artista, mas ser um bom produtor não é nem de longe o único aspecto de ser um grande artista ou um grande DJ” — W&W (#14). 

“Você não pode participar da NBA se não souber jogar basquete” — DVBBS (#16). 

“Se os DJs mandarem ver de verdade na pista e estiverem envolvidos no processo criativo da track, não vemos problema. Agora, se eles forem ruins nas picapes e comprarem suas faixas no www.ghostproducingbarato.com, eles fracassaram na vida” — Blasterjaxx (#19). 

“Nós começamos como ghost producers e usamos isso como uma plataforma para lançarmos nossas próprias carreiras na hora certa. Somos a favor de colaborações, mas chega uma hora em que o ghost producer precisa ter sua glória (se ele quiser)” — Nervo (#24). 

“Acho preguiçoso, mas a música não é a única profissão com gente preguiçosa” — Steve Angello (#31). 

“Acho um fenômeno bizarro. Eu me sentiria traído se eu descobrisse que um livro do meu escritor favorito foi escrito por outra pessoa. Você é fã do trabalho de alguém, não da habilidade dela em contratar os caras certos. Acho aceitável ter ajuda ou uma colaboração, mas não fazer nada ou quase nada no produto final é muito estranho pra mim” — Fedde Le Grand (#35). 

“Se você não está fazendo sua própria música, há chances de ela não estar vindo do coração. Se não está vindo do coração, então provavelmente temos um problema” — Paul Van Dyk (#41). 

“Eles sabem quem eles são e deveriam ter vergonha” — Aly & Fila (#42). 

“Eu acho que é a mesma coisa que mentir pra si mesmo… E um dia, a verdade vem à tona. Nós não deveríamos terceirizar os nossos sonhos!” — Alok (#44). 

“Como DJ, acredito que você deveria dar a cara à tapa pelo que você faz e não se esconder atrás de ninguém. [A produção fantasma] vem rolando há anos e vai continuar” — Carl Cox (#63). 

“Não vejo problema nenhum. O carteiro pode ser capaz de entregar os melhores pacotes, mas isso não quer dizer que ele seja responsável pelo conteúdo deles”— Laidback Luke (#64). 

“Eu acho que eles não deveriam estar nesta lista” — Borgore (#68). 

“Isso é um reflexo do fato de que os DJs estão sendo bookados não por suas habilidades como DJs, mas por suas habilidades em produzir e promover hits” — UMEK (#70). 

“Eu meio que sou contra. Basicamente, você está mentindo para o mundo inteiro sobre o seu trabalho” — Quintino (#80). 

“Acho que a dificuldade maior com a produção fantasma é que você não pode cunhar a sua própria sonoridade. Pra mim é muito importante produzir minha própria música, e é a minha missão sempre me manter verdadeiro ao meu som” — Sander van Doorn (#90). 

Você pode conferir as respostas de cada DJ sobre esse e outros assuntos na página da DJ Mag.

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