Por Gabriela Loschi
Pra quem não sabe, ele começou a carreira produzindo Psytrance em 2006 – quando o gênero ainda fazia mais sucesso no Brasil do que qualquer outro. Uns três anos depois, passou para as vertentes do techno e ficou um tempo no tech-house até se encontrar musicalmente. E quando se encontrou… ufff! Se tornou um dos principais representantes do gênero no Brasil ao manipular os graves junto às batidas do techno de uma maneira bem característica dele.
Victor Ruiz não agrada apenas aos ouvidos brasileiros. Recentemente teve uma faixa sua incluída no Essential Mix do Stephan Bodzin (pra quem ele também fez um remix no final do ano passado) e terá uma faixa no consagrado label do alemão Oliver Koletzki, Stil vor Talent. Mas não é de hoje que suas produções atravessam fronteiras. Sobre isso e mais algumas coisinhas conversamos com nosso ícone, confira:
HOUSE MAG – Oi Victor! Gostaria de falar um pouco sobre o seu remix para o alemão Hatzler, que será lançado pela a Stil vor Talent no final desse mês. Como nasceu toda essa história e qual é a sua relação com o label do Oliver Koletzki e os seus artistas? Você tem planos de voltar a Berlin em breve?
VICTOR RUIZ – O convite para esse remix surgiu do próprio Mathias (Hatzler). Ele me enviou uma mensagem pelo Facebook me perguntando se eu estaria interessado em remixar uma faixa dele que iria sair pela Stil vor Talent. Fiquei muito feliz com o convite e aceitei na hora. Sempre toquei sons dele em meus sets, então foi muito legal receber esse convite e ver o reconhecimento do meu trabalho. O Oliver eu conheci pelo Facebook também e da mesma maneira. Ele me enviou uma mensagem elogiando o remix e me convidando para tocar em um showcase da label no Watergate em Berlin. Isso caiu como uma luva, já que eu vou estar fazendo uma tour pela Europa no mês de Abril. Estou super ansioso!
HM – A sua track “Soul Seek” foi escolhida pelo Stephan Bodzin para fazer parte do seu Essential Mix. Quanta honra! Se fosse para você fazer um o Essential Mix seu hoje, quais são algumas das tracks que você provavelmente escolheria?
VR – Foi uma honra mesmo. Quando ele me disse que ia colocar ela, fiquei eufórico. E mais ainda quando ouvi ela no mix. Sobre as tracks… isso seria muito difícil dizer agora. Com certeza iria fazer um mix muito diferente do que as pessoas esperam de mim. Mas seria algo que eu gosto muito. Com certeza colocaria uma do próprio Stephan que, para mim, foi a melhor track de 2015: Pan-Pot – Sleepless (Stephan Bodzin Remix)
Esse é um som que quando ouvi ele tocar a primeira vez lá em Amsterdam eu fiquei literalmente em estado de choque.
HM – Sua track “Satellite” com o (também alemão) Thomas Schumacher está indo muito bem! Chegou a #3 no Techno do Beatport e foi escolhida para o chart do Matador. Em que momento da sua carreira você começou a sentir reconhecimento internacional? Você ja tem planos, sabe quais serão os próximos passos para continuar se consolidando?
VR – Acredito que a partir do momento em que muitos artistas grandes começaram a tocar e dar suporte para meu trabalho, eu vi que a coisa começou a ficar séria. Até hoje eu me belisco para ver se não estou sonhando. Quando paro para pensar que ídolos meus me apoiam, tocam músicas minhas e até fazem som comigo, eu começo a ter dimensão da coisa toda. É demais! Agora, daqui pra frente é mirar para cima, com pé no chão e continuar fazendo música, que, no final das contas, é o que eu amo fazer.
HM – Se você pudesse mudar algo na cena brasileira, além do que você já faz com o seu trabalho, o que você gostaria que fosse diferente?
VR – Removeria dos clubs o “frontstage”, mesas na pista e camarotes. Sinto que isso distancia e distrai o público do DJ e da música. Eu sei que são coisas que fazem os clubes renderem mais, mas a pista de dança para mim é lugar para se dançar. Isso é algo que amo ver na Europa. Na grande maioria dos clubs de lá, quando você vai tocar, é cabine e pista. DJ e público.
Em contrapartida algo que eu tenho reparado no Brasil que já está mudando, é que as pessoas estão se abrindo para sons novos. Vejo pistas por aí dançando o tempo todo de olhos fechados e sentindo a música. Isso, na minha opinião, é mais significativo do que pistas que só bombam nos drops. O Brasil tem um potencial absurdo e vejo que a cena só tende a melhorar. Fico feliz em poder ajudar a espalhar um som diferente por aqui.
HM – Qual é a sua pista de dança preferida no mundo?
VR – São tantas! Acho que Argentina e Alemanha. São países com uma cultura de música eletrônica consolidada, e com um público que realmente ouve e sente a música. É emocionante!
