5 perguntas para Eli Iwasa, nossa japa do techno que estreia hoje em nova agência!

Por Gabriela Loschi

Além de lidar com uma agenda lotada de gigs Brasil a fora, Eliana Iwasa, nossa querida Eli, é responsável por bookar grande parte dos artistas internacionais mais relevantes da atualidade para o seu club em Campinas, no interior de SP. E se hoje ela é dona de um dos clubs undergrounds mais respeitados do país, o Club 88, e desfruta de grande reconhecimento na cena como DJ de techno, tudo não aconteceu da noite para o dia.

Sua trajetória na música começou em 1999, quando idealizou, junto com o Alex S., a open air Groove Nation, focada em acid techno e techno. Um ano depois, entrou para o emblemático Lov.e, em São Paulo, e em 2001 discotecou pela primeira vez, num club chamado Absinto, ao lado do Pet Duo. Desde o princípio identificou sua verdadeira paixão: tocar, trabalhar com artistas e pensar conceitos. E 17 anos de cena se passaram… Com a carreira consolidada, Eli busca estar cada vez mais próxima de sua essência e divide com a gente sua nova fase, nesta entrevista cheia de novidades, confira!

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HOUSE MAG – Eli, você ficou um bom tempo na Entourage e acabou de sair da agência para passar a ser representada pela 24Bit. Quais as principais razões desta mudança?

ELI IWASA – Fiquei 5 anos na Entourage, que foram muito bons para minha carreira e para minha vida pessoal, fiz grandes amigos lá. Acredito que a nova fase na 24Bit vai ser de aproximação com os clubs e festas que realmente quero tocar daqui pra frente. Minha carreira está solidificada, e quero dedicar tempo a outros projetos de estúdio, solo ou com minha banda, seguindo um caminho dentro daquilo que acredito musicalmente como artista.

HM – Falando de agências, como você enxerga as agências no Brasil hoje? Quais as coisas mais legais (ou chatas) que você aprendeu ao longo da carreira (relacionado à relação artista – agência) e quais as principais dicas que você poderia dar aos novos artistas em busca de uma contratação?

ELI – Acho que dentro dessa relação agência – artista, o mais importante é a verdade e a confiança. São dois fatores fundamentais para que exista uma evolução da carreira do artista. Uma dica que eu daria aos mais novos: jamais entregue 100% da sua carreira a qualquer pessoa; você mesmo deve seguir seu instinto e dar as diretrizes ao resto do time (agência, management, mídia social, etc). E nunca deixe de ser você – ninguém vai acreditar em seu trabalho se você não o fizer, a sua identidade como artista é o seu bem mais precioso. Acredito que o mercado está mais maduro no Brasil, vejo algumas agências muito bem estruturadas e prestando um ótimo serviço.

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HM – Você está com uma agenda de gigs lotada pelo Brasil, também viaja para fora constantemente, é sócia-proprietária do Club 88 em Campinas, pesquisadora, mulher, namorada, amiga, “mãe” da Paçoca e ufa! Uma super-mulher! Em que momento da carreira de artista você se encontra atualmente e o que você ainda busca alcançar? Tem mais projetos lives e com vocal vindo aí?

ELI – Toda mulher é uma super-mulher: são tantos papéis que temos que equilibrar… haja jogo de cintura para dar conta de tudo! Completo 15 anos de carreira de DJ em 2016, e quando comecei, achava que viver de música e viajar para tantos lugares a trabalho era um sonho distante. Quando olho para minha carreira, tenho um sentimento de gratidão enorme, porque ser DJ me proporcionou tantos momentos maravilhosos, tanta alegria, e tantas coisas legais ao longo destes anos. Sou uma pessoa mais feliz por ser DJ, encontrei nisso a realização de um desejo antigo, que era trabalhar com música.

Hoje vivo o melhor momento da minha trajetória, com tantas oportunidades, possibilidades e crescimento pela frente ainda. E mais importante, motivada e empolgada com tudo. Acho q acomodação é fatal para qualquer artista, qualquer profissional, e quero sentir esta vontade de me envolver em tantos projetos que der conta, de me desafiar sempre q preciso, e continuar sendo esta pessoa que ama o que faz por muitos e muitos anos.

Retomei as gravações com o Bleeping Sauce – junto com Marco A.S. – e já temos 3 músicas novas e prontas. As novas produções tem mais pegada de pista que nosso primeiro EP (que saiu pelo selo francês Meant), junto com as referências musicais da banda – synthpop e post punk – e contam comigo nos vocais. As músicas tem ganhado um ótimo feedback, e estou bem feliz com o caminho que a sonoridade do Bleeping Sauce tomou, que é essencialmente eletrônico, mas orgânico ao mesmo tempo – guitarras gravadas ao vivo, vocais, synths analógicos.

HM – Agora falando um pouco da cena Club no Brasil, tendo em vista que você tem um e já foi curadora de tantos outros ao longo da vida, como o Lov.e. Quais são os principais desafios de gerir um club underground no Brasil (ainda mais no interior de SP!) e qual você acredita ser o seu principal papel? Ainda: Quais as principais dicas e “toques” que você deixa pra quem quer montar um club no Brasil?

ELI – A lição mais valiosa que aprendi nestes 16 anos cuidando da curadoria artística de clubs é encontrar o equilíbrio entre a música que você ama e acredita, e o que o público gosta, dentro do conceito do seu club. E que paixão é fundamental quando você tem uma casa de música eletrônica – não conheço nenhum empreendimento bem sucedido que não tivesse pessoas por trás que amam música, festa e noite de maneira verdadeira e apaixonada.

Você tem que encontrar a sua verdade para ter seu próprio club, para compartilhar isto de maneira genuína com o público – que sabe muito bem quem é quem no mercado. Vi muita gente enxergar a música eletrônica como a nova “galinha de ovos de ouro” – e sucumbir ao fracasso pouco tempo depois. Você precisa amar muito o que faz para não desistir a cada conta que não fecha – porque bookou o DJ de seus sonhos, ou investiu em alguém bem diferenciado e avançado. O Club 88 hoje é uma realidade porque conseguimos enxergar cada noite como parte de um planejamento a longo prazo, para construir nosso nome e cumprir com excelência nosso papel na cena do interior de São Paulo.

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HM – Sendo uma das nossas mais fieis representantes do techno no Brasil, vamos terminar falando do nosso gênero preferido? Quais tracks você tem tocado ultimamente que mais está funcionando? E qual a sua pista de techno preferida no Brasil e no mundo?

ELI – O techno de Detroit sempre foi uma inspiração, especialmente com influências jazzísticas, musicalidade e melodia de Mad Mike e Octave One, a força do groove e linhas de baixo de Kevin Saunderson. De alguma maneira, sempre busquei estas referências no que toco até hoje, e tenho ouvido muitos ótimos lançamentos de jovens produtores. Gosto muito dos selos Hotflush e Life and Death, e produtores como Locked Groove (com a “Scherzo” q incluí em sets recentes), Mind Against, dubspeeka (e sua a “Primary K272”), e a simplicidade de Jimmy Edgar e Danny Daze, que evoluíram com sua música para elementos básicos do techno e produziram verdadeiras bombas. Também tenho tocado bastante os releases mais recentes da Jeudi, selo do Doctor Dru.

Meus clubs favoritos no Brasil são o Warung, D-Edge e Vibe, também amei tocar no Beehive, além do Club 88, mas será q este conta? Hahahaha. No exterior, gosto muito do Rex em Paris, e do Egg em Londres. Estes são os lugares onde posso tocar o que eu gosto, sem concessões, e a pista está ali, 100% conectada à música. Eu me encho de esperança à cada gig nestes clubs, porque visualizo um ótimo momento para a boa música, com crescimento e força – por isso a importância do trabalho deles para promover artistas consistentes e muita informação, garantindo um futuro promissor para a cena brasileira. 

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