Anderson Noise completa 28 anos de carreira e nós batemos um papo com ele


Por Camila Giamelaro

No último final de semana, Anderson Noise comemorou 28 anos de carreira. Aproveitamos a ocasião, e os pequenos espaços no meio da agenda superlotada do DJ e produtor mineiro mais querido do Brasil, pra promover uma entrevista com algumas perguntas fora da caixinha, e assim descobrir um pouquinho mais sobre a trajetória de Anderson Noise. Confira:

HOUSE MAG – Você é um cara que começou no acid house, passou para o techno e ao longo dos anos conseguiu acompanhar e seguir as mudanças que o gênero sofreu em termos de sonoridade. Muitos caras da mesma época qtentaram o mesmo e não conseguiram esse feito. O que você acha que te faz diferente dos outros?

ANDERSON NOISE – Pergunta difícil essa, não costumo fazer comparações com outros profissionais. O que posso dizer de mim é que sempre gostei de novas sonoridades. Na época do Acid House, eu era um maluco pelo género, não só pela sua nova sonoridade, mas também pelas novidades que rodeavam o gênero, principalmente pelas festas proibidas em lugares que só eram anunciados no mesmo dia.

HM – Mesmo com os altos e baixos do techno, você sempre foi um cara que lutou pelo estilo. Você pensou em desistir em algum momento? O que é que te deu força ao longo de todos esses anos pra continuar?

AN – Eu AMO este tal de Techno (risos). Sempre quando ouço alguma track que gosto me sinto motivado. Mas a minha vontade de tocar e ver quem gosta de verdade de techno na pista é o que mais me deu força para tocar. Existem muitas outras coisas que ainda não sei se explicaria esse amor pelo techno, talvez quem está mais próximo de mim pode te falar melhor.

HM – Uma das coisas que todo produtor anseia é aquele momento em que aquele selo ou produtor que ele mais admira faz um convite pra lançar algo, seja em parceria, ou remix, ou EP. Quando foi que surgiu esse primeiro convite e qual foi a sua reação?

AN – Acho que o primeiro foi em 2003 quando eu e meu amigo Italiano Marco Lenzi lançamos pelo selo AUDIO; naquela época era maravilhoso tocar aquele vinil. No ultimo ano recebi 2 convites de 2 selos que admiro muito mas não consegui chegar ao resultado que eu gostaria para enviar para eles. Eu sou muito exigente quando sou convidado, isso é um grande problema que eu tenho. (risos)

MH – A gente sabe que o mercado dos DJs é bem feroz, mas sempre temos pessoas especiais que passam pelo nosso caminho e deixam aquela marca na gente. Nesses 28 anos de carreira qual foi a coisa mais legal que fizeram por você?

AN – Sem dúvida quando toquei na primeira turnê do Carl Cox no Brasil em 2002. Naquela época ele espalhou meu nome em vários veículos me elogiando muito. Muito obrigado Carl.

HM – Tem algum ritual que você segue desde o seu início de carreira, antes de subir no palco? Você é um cara supersticioso?

AN – Hahahahaha, hoje não, mas no inicio da minha carreira sim. Quando ia tocar eu sempre tinha que ir ao banheiro minutos antes de subir no palco, hahahaha! Eu não sou supersticioso.

HM – Qual música você pode definir como “A” música da sua carreira.

AN – Se eu escolher uma musica minha… sem dúvida COPACABANA foi a que mais houve outros DJs tocando. Mas se escolher uma música que mais marcou minha carreira seria Galaxy 2 Galaxy – Hi Tech Jazz [UR].

HM – No melhor estilo Marilia Gabriela, vou propor um pingue-pongue agora:

Um ídolo? Meu Pai

A melhor pista? Womb (Tokyo)

O país mais esquisito? Emirados Árabes

Um disco? Derrick May – Innovator [Transmat]

Um CD? Laurent Garnier – X-Mix-2 – Destination Planet Dream [Studio !K7]

Toca-discos ou CDJs? Sempre toca-discos. Saudades de quando os clubes tinham bons toca-discos e quando no Brasil tínhamos muitas lojas que vendiam vinil.

Uma lembrança que arrepia? João Carlos Martins & Anderson Noise In Concert, em maio de 2009 na Sala São Paulo com 68 músicos da extraordinária Orquestra Filarmônica Bachiana

Um medo? Alturas

Um conselho? Ser paciente, coisa que venho aprendendo nos últimos anos… (risos)

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