Marcelo CIC fala sobre a nova faixa, carreira, Tomorrowland, cena brasileira e Hardwell

O produtor carioca Marcelo CIC está de faixa nova. Lançada pelo selo Aftercluv Dance Lab, “We Wanna Be Loved” promete repetir o sucesso de tracks como “Clunk”, “One” e “Superfans”. A faixa leva vocais do italiano Alex Staltari e em breve ganhará videoclipe exclusivo — enquanto isso, você pode conferí-la no vídeo abaixo.

Para saber mais detalhes sobre o novo lançamento, entrevistamos o próprio Marcelo, em uma conversa que ainda abordou sua carreira, a cena brasileira, a EDM no Tomorrowland e o Hardwell. Confira:

HOUSE MAG – Oi Marcelo! Vamos começar falando sobre o Tomorrowland Brasil já que você acabou de ser anunciado novamente no line up? Comente um pouco sobre este anúncio, sobre o que você achou do line up e também sobre a representatividade do seu gienero, EDM, no festival.

MARCELO CIC  – Fico muito feliz em ver a força dos artistas nacionais ultimamente. Ao meu ver, a EDM não é um gênero musical/vertente. Para mim, é um movimento cultural relacionado à música dançante criado nos Estados Unidos, que engloba qualquer tipo de música produzida eletronicamente. Em tempos de crise financeira no Brasil, eu compreendo o quanto difícil está sendo para contratar artistas internacionais, os altos valores cobrados dificultam as contratações, porém eu adorei o line-up e está muito parelho ao que acontece no mundo. Quem vai ao Tomorrowland, seja no Brasil ou na Bélgica, está a procura de uma nova experiência, que incluem diversos momentos dentro do Tomorrowland Brasil. Eu acredito que por isso, seja um evento tão importante para termos aqui e que dificilmente agradará a todos; ser unanimidade na música é impossível. Pare e pense: O quanto ruim seria não termos isso por aqui? 

Eu estou super empolgado de estar novamente no line-up, cheio de novas músicas, cheio de energia boa para compartilhar com as pessoas, quero me divertir e quero proporcionar alegrias também. Vou realizar um grande show para meus fãs, quero trocar experiências com todos esses nomes que virão, será um ótimo evento. Divirtam-se como nunca! 

HOUSE MAG – Fale um pouco sobre a nova track, o apoio internacional que vem recebendo e como ela foi construída.

MARCELO CIC – Obrigado a vocês pela oportunidade! Essa nova música, “We Wanna Be Loved”, é sem dúvida uma das mais especiais que eu já produzi. O fato de ser a primeira vez que escrevi uma letra, foi algo que me motivou muito no processo de produção. Não posso me esquecer dos incríveis vocais que recebi do Alex Staltari, que facilitaram e muito a produção.

É muito importante você ter o apoio de grandes artistas do cenário mundial. Somos um mercado enorme, maior que muitos países da Europa sem dúvidas, porém ainda falta sermos reconhecidos artisticamente. Agora, com total apoio da Universal Musi/Aftercluv, espero colaborar com isso. Estamos formando um time vencedor e que quebrará barreiras.

HOUSE MAG – Suas tracks são bem tocadas por big artists. Inclusive o Hardwell tocou sua track “Clunk” no palco principal do Ultra. Muda muita coisa na carreira depois que acontece algo desse nível?

MARCELO CIC – Isso depende muito! Normalmente os grandes nomes têm várias músicas novas para serem tocadas durante o show. Quando eles escolhem a sua, você pode ter certeza que é porque gostaram. Ainda estamos engatinhando fora do país, precisamos ter mais oportunidades para nossos talentos, já somos uma grande potência, e óbvio, termos mais reconhecimento por aqui também ajudará bastante.

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HOUSE MAG – Falando em Hardwell, você tocou no Federal Music e viu a primeira vez que ele tocou “Baile de Favela”. Até tirou uma selfie com ele, né? Chegaram a conversar sobre isso? Qual era a expectativa dele? Conta um pouco como foi esse momento e qual a sua opinião sobre essa mistura de funk e EDM.

MARCELO CIC – Nós temos uma ótima relação, mesmo eu nunca tendo lançado nada pelo selo dele (Revealed). Já fizemos mais de dez shows juntos pelo Brasil e sempre nos divertimos muito. Toda vez ele me cobra músicas para a Revealed, mas ainda não consegui me dedicar em algo específico para o label.

Sinceramente, eu acho que esse tipo de coisa funciona muito quando um gringo faz, porque ele usa isso para se aproximar dos fãs no país. Ajudou muito na promoção dos seus shows de carnaval e ele adorou a música, tanto que lançou a versão pela Revealed. Mas não é nenhuma novidade, eu diria — acho que todos os artistas, de todos os estilos musicais, se identificam com o Brasil. Uma coisa tenho certeza que os atraem: é o swing, o groove, as batidas. Muitos já fizeram isso. Mais recentemente, quem não se recorda da Beyoncé com “Passinho do Volante (Ah Lelek Lek Lek)” no Rock in Rio? Ou jogadores pelo mundo todo cantando “Ai Se Eu Te Pego” depois de Neymar cantar?

O que devemos pensar é aonde isso irá nos levar. Somos, talvez, um dos poucos países com tanta diversidade musical. É um assunto bastante complexo.

HOUSE MAG – Se você pudesse mudar algo na cena brasileira, além do que você já faz, o que seria?

MARCELO CIC – Está aqui um assunto bastante profundo para se discutir! Ainda não somos vistos como um país onde se tem grandes DJs ou produtores, tudo é muito recente, digo com relação à exposição. O mundo nos vê como um país de bons pagadores de cachês, mulheres lindas, praias, festas incríveis… Para isso mudar, não basta apenas nós, DJs e produtores musicais, fazermos nossa parte – o mercado exige mais!

Também temos conhecimento que não estamos produzindo algo novo, a música eletrônica é global e temos que seguir o que o mundo vem fazendo, cada um dentro de suas crenças, e isso talvez limite um pouco nosso potencial. Sem dúvidas, temos grandes artistas e grandes talentos no Brasil, o que nos falta é oportunidade, é sermos olhados com potencial.

Espero poder ter a oportunidade para um dia mostrar ao mundo quanto talentoso é o Brasileiro também como DJ e produtor. Alguns já estão conseguindo e estou feliz por isso, mas ainda é muito pouco, quero poder fazer mais.

HOUSE MAG – Consegue lembrar de um ou alguns fatos engraçados que já aconteceram com você, seja em uma gig, em cima do palco, em uma turnê, com fãs…?

MARCELO CIC – Diversos fatos! São mais de 16 anos de carreira e fica inevitável não ter passado por bons e maus bocados. Eu já esqueci meu case no estúdio e tive que comprar pendrive em uma loja de conveniência horas antes do show.

Já tive fãs pedindo autógrafo em lugares inusitados, e o mais louco de todos foi quando uma mesa praticável se desmontou no meio do meu show pra 15 mil pessoas. Minha sorte foi que eu consegui ser rápido e comecei a conversar com o público no microfone, e todos começaram a rir da situação, que depois foi prontamente resolvida pela produção.

 

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