Por: Alan Medeiros
O produtor gaúcho Cesar Funck pode ser apontado como um dos destaques mais sólidos da cena nacional nos últimos anos. Apresentando uma versatilidade que está perfeitamente inserida dentro de sua evolução musical, ele conquistou o prêmio de Track do Ano no Rio Music Conference 2014, lançou por algumas das principais labels europeias – leia-se Suara, Crossfrontier e Noir – e agora se prepara para mais uma tour Internacional que terá 8 datas, 1 workshop e passará por 5 países diferentes (veja a agenda completa ao final da entrevista). Às vésperas dessa importante viagem e alguns dias depois do lançamento do EP Themes (Part 1) pela Crossfrontier Audio, conversamos com Cesar, que nos respondeu perguntas sobre seu estilo de som, momento atual da carreira e planos para o futuro. Confira abaixo:
HOUSE MAG – Olá, César! Obrigado por falar conosco. Seu som é versátil e várias vezes pode ser categorizado dentro de diferentes vertentes. Atualmente, como você define seu estilo?
CESAR FUNCK – Oi Alan, eu que agradeço! Realmente esta é uma característica do meu som e isso se deve, principalmente, a uma ambição e inquietude musical constante. Não gosto de me acomodar e muitas vezes quando percebo que dominei alguma sonoridade, logo me sinto desafiado a ir pra outros lados. Mas analisando de forma mais simples isso tudo, atualmente eu produzo musicas pensando no meu set, coisas que gostaria de tocar em diferentes partes de um set. Como os sets que eu curto tocar apresentam variedade estilística, as produções também tendem a seguir este caminho e cada EP é uma abordagem um pouco diferente do anterior.
HM – Seu mais recente lançamento é o EP Themes (Part 1), pela Crossfrontier Audio, da Alemanha. O nome, nos passa a sensação de que esse trabalho terá continuidade. É isso mesmo? O que podemos esperar dos lançamentos futuros pela label?
CF – Exato! Foi uma série que o Marc Poppcke dono da Crossfrontier Audio criou depois de escutar uma outra linha de som que eu venho desenvolvendo. É uma linha muito mais intimista, focada em temas, melodias e timbragem mais delicada. Essas duas faixas apresentam certa simplicidade na forma, mas ao mesmo tempo sofisticação nos contornos melódicos e harmônicos. Vai ter continuidade sim e este ano ainda devo lançar a parte II.
HM – Você levou para a casa o troféu de Track do Ano, no prêmio Rio Music Conference 2014. De lá pra cá, o que mais mudou na tua carreira, especialmente dentro da tua linha de som?
CF – A premiação foi muito importante para tornar o projeto mais conhecido nacionalmente. Na época muita gente ainda nunca tinha ouvido falar em Sonic Future. Uma das consequências diretas foi passar a tocar mais e ir sentindo as sonoridades, até onde dava para ir nos sets dentro do nosso mercado e, consequentemente, lapidar um estilo. Atualmente posso dizer que a marca está muito mais alinhada a sua proposta e quem contrata sabe muito bem o que quer para sua festa.
HM – Além da Crossfrontier Audio, você também possui releases importantes por Noir e Suara. Qual a importância dessas labels na consolidação do teu nome junto ao público europeu?
CF – Eu diria que foram essenciais. Suara em especial tem um papel muito importante neste processo todo. Foram vários EPs lançados e a plataforma deles ajudou muito a difundir o nome/marca no mercado Europeu. Quando lancei na Noir esta sonoridade Sonic Future já estava mais consolidada. Uma música em especial deste EP, chamada “Blind’s Vision”, foi essencial para chamar a atenção de labels da Alemanha e abrir este mercado. Talvez por ser techno, mas ao mesmo tempo possuir um desenvolvimento melódico.
HM – Neste fim de semana você inicia mais uma tour na Europa. Fale um pouco sobre os lugares que você vai passar e as expectativas para essa experiência.
CF – É sempre bacana tocar fora do Brasil, nos ajuda a compreender a percepção de outros lugares, pontos em divergência ou convergência com o meu raciocínio musical. Basicamente inicio a tour tocando na Alemanha 2 fins de semanas seguidos, sendo o segundo minha estreia em Berlim, no Kosmonaut, no Showcase da Crossfrontier Audio e, na mesma noite toco afterhours com Dahu (Steyoyoke) no Keller. Russia e Ucrânia se interessam pela minha música e desta vez consegui fechar datas em Kiev. Finalizo cumprindo 3 datas no Oriente Médio. A Dubai e Egito estou retornando mas estreio no Líbano. Estas regiões, especialmente Beirute e Dubai, possuem cenas underground que veneram música melódica. Dubai possui uma característica mais peculiar ainda por ter clubs frequentados por um um público mais velho, maduro e dos 4 cantos do mundo.
HM – Um dos lances mais bacanas dessa tour é o Workshop que você vai participar em Nuremberg hoje. Como surgiu esse convite e o que você está preparando?
CF – Muitos sabem que eu trabalhei anos lecionando produção na AIMEC em Porto Alegre. Foi inclusive por lá que eu conheci o VJ Léo, que faz a parte visual quando tocamos neste formato AV. Foi onde tudo começou. Nuremberg é uma cidade linda na Bavária. Minha 1ª data na Alemanha toquei para a turma de um núcleo de lá chamado Hertz & Seele, que faz várias festas bacanas. Este ano estarei tocando na festa de um ano deles. Ao ver que eu estaria por lá, o pessoal que coordena um curso no Rakete Club fez o convite e eu aceitei na hora. Tenho vasta experiência lecionando tanto música quanto produção musical. Estou levando material das minhas músicas, vou mostrar projetos abertos e a abordagem de diversos aspectos que formam esta complicada arte de produzir música. Encorajei os inscritos a levarem seus projetos musicais também para podermos escutar com a turma e dar dicas e sugestões.
HM – Ao voltar ao Brasil, quais são os planos? Releases, gigs, o que podemos esperar?
CF – O próximo release é uma original mix numa compilação super bacana feita pelos queridos Leo Janeiro e Albuquerque no Warung Recordings. O VA está ótimo, tanto na qualidade quanto na variedade de estilos produzidos atualmente no Brasil. Considero este VA um belo manifesto de como a produção nacional evoluiu. Logo sai um outro EP que fiz especialmente para o 5uinto Records a convite do meu amigo Alan Villar . É uma faixa bem peculiar com uma abordagem mais analógica e improvisada e acho que tem tudo a ver com aquela turma do 5uinto. Coincidentemente faremos uma festa de estréia do EP lá mesmo assim que eu voltar. Ao retornar continuarei cumprindo as datas por aí e já estamos trabalhando em cima da da tour internacional no segundo semestre. Foi ótimo falar com vocês e nos vemos na volta!
A TOUR COMPLETA DO SONIC FUTURE:
08.04 Music Production Workshop @ Rakete Club, Nuremberg, Germany
09.04 Hertz und Seele 1 Year Aniversary, Nuremberg, Germany
16.04 Kosmonaut, Berlin, Germany
17.04 Kultstatte Keller, Berlin, Germany
22.04 Moskvich Bar, Kharkov, Ukraine
23.04 Skybar, Kiev, Ukraine
29.04 On & Off, Beirut
30.04 Cocco Beach Club, Sharm el-Sheikh, Egypt
03.05 Chameleon Club, Dubai
