Entrevista exclusiva: Detroit Swindle fala sobre música, Holanda, aliens e legalização da maconha

Por: Kim Salomoni

MAMA PRO. é uma label de festas underground co-criada em 2012 pelos amigos Kim e Gustavo (Don Det), que começou ocupando rooftops em Shanghai – entre aulas na universidade e viagens pelo sudeste asiático. Durante os últimos dois anos, a MAMA se dedicou à redescobrir São Paulo com o objetivo de trazer uma lufada de ar fresco aos seus cidadãos, sufocados pelas montanhas de prédios cinzas e pela interminável burocracia que assola a cidade. No dia 16 de abril MAMA traz pela primeira vez ao Brasil, direto de Amsterdam, a aclamada dupla de DJs Detroit Swindle, para uma apresentação de 3h com seletos vinis trazidos de sua extensa coleção. Eles também se apresentam na festa RARA, no RJ, na sexta. MAMA quis saber mais sobre estes gênios e bateu um papo com eles sobre aliens, maconha, sinestesia e músicas para fazer amor:

HOUSE MAG / MAMA PRO. / KIM SALOMONI – Um mano de bigode uma vez disse “E aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos por aqueles que não podiam escutar a música”. Quando foi a última vez que vocês ficaram arrepiados, se sentiram completamente extasiados, tocados profundamente por um som que nunca haviam ouvido antes? E pelo amor de Deus, nos conte, que som foi esse?

DETROIT SWINDLE – Bom, como vocês provavelmente devem saber, nós estivemos fazendo melhorias em nosso estúdio durante o último ano. Isso significa que nós compramos uma porrada de sintetizadores analógicos. A última edição é o MFB Dominion, um mono synth do caralho. A melhor coisa sobre ele é que ele é um animal selvagem. Você realmente precisa ser um “encantador de sintetizadores” pra tê-lo sob controle. Mas a graça mesmo é quando ele começa a criar vida própria. A última vez que isso aconteceu foi quando estávamos gravando nosso último EP. Três mexidas em diferentes parâmetros e o bicho começou a soltar esses uivos, disparados pelo filtro. Naquele momento nós olhamos um para o outro, e sorrimos de orelha a orelha.

KIM- Seus sons são profundamente sinestésicos. O que vocês pensam sobre essa habilidade humana, muito singular, de ver sons ou ouvir cores, e o que fazemos com isso? Vocês pensam sobre a sinestesia quando estão criando? Com o quê se sentem sinestésicos? Vocês acham que o contato com diferentes lugares, sons e culturas os ajudam a entender melhor essa sinestesia?

DS – Um dos preceitos da sinestesia é que ela é involuntária. Então pensar nela propositalmente enquanto criando música é algo contraditório. Mas nos sentimos profundamente abençoados se nossa música estimula qualquer coisa perto da sinestesia. Nós que somos os afortunados quando nossa música consegue despertar certas memórias, cores ou cheiros de experiências passadas de nossos fãs. Fazer música por si só já é algo que amamos, e se nós, durante esse processo, conseguirmos criar memórias, isso torna tudo mais especial ainda.

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KIM- Vem ocorrendo em nosso país uma longa discussão sobre a legalização da maconha. Em São Paulo, criamos uma imagem da Holanda como um lugar com um pensamento muito mais humano e aberto sobre o relacionamento entre indivíduo e drogas. Como vocês se sentem sobre o país de vocês ser conhecido mundialmente como um exemplo de uma política moderna em relação às drogas? Vocês acham que entorpecentes podem ajudar no processo de se fazer um som?

DS – Drogas podem certamente abrir mais possibilidades e expandir áreas em nossos cerébros. Áreas que muitas vezes podem estar sendo pouco estimuladas. Nós não usamos drogas durante nosso processo criativo, mas temos uma visão muito positiva da posição de nosso país em relação às drogas. A maneira que nós holandeses nos comunicamos sobre as drogas e nos orientamos sobre seu uso realmente faz com que as pessoas prestem atenção no que – e como – estão fazendo. A descriminalização funciona, fazendo com que seja seguro usar drogas. Se mantenha seguro, use drogas! Haha!

KIM – A música de vocês, desde “The Wrap Around” até “In Reverse” parece algo que estaria tocando em uma espaçonave alienígena prestes a invadir um mundo cheio de seres desesperados por boa música. A pergunta é: Vocês acreditam em aliens? Se sim, vocês acham que eles curtiriam a música terráquea, e, mais especificamente, a sua música?

DS – Porra, a gente devia mesmo ter fumado aquele baseado… Mas sim, claro que existe algo mais lá fora. A chance de que haja vida lá fora é tão grande quanto o número de estrelas e galáxias que existem (pelo menos é o que pensamos, não somos nenhum expert). Praqueles seres desesperados lá fora, nos dê alguns séculos que a gente tá indo!

KIM – E agora a pergunta universal, aquela que todos querem saber, sempre: qual é o seu álbum favorito para fazer amor?

DW – Lars: Strange Games and Funky Things mixtape Vol 1 by DJ Spinna. Ele tem tudo: músicas lentas, tracks mais rápidas e uns scratchings fodas pros momentos mais intensos!

Maarten: D’angelo – Live At The Jazz Cafe in London. Esse homem, sua voz e sua banda são a personificação do sexo.

MAMA would be PROud

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