Conheça o Further Future, o Burning Man gourmet

Por: Flávio Lerner
Foto: Tomas Loewy (The Guardian)

Conhecido como um “verdadeiro festival da contracultura”, o Burning Man é uma das experiências comunitárias e escapistas mais tradicionais da sociedade ocidental na contemporaneidade. O festival foi fundado em 1986, nos Estados Unidos, sob os alicerces da contracultura hippie — que gerou o verão do amor [summer of love] em São Francisco — e contemporâneo a uma emergente contracultura raver, que em 1989, a partir da importação da acid house, instauraria o segundo verão do amor [second summer of love] no Reino Unido. Assim, o evento agrega conceitos de hedonismo, ritualismo, celebração, aventura e, sobretudo, escapismo da sociedade hegemônica e seus valores capitalistas e moralistas.

Contudo, já faz certo tempo que o festival vem sendo muito criticado justamente por ter sido cooptado pelo capitalismo; embora o Burning Man [ainda] não permita a atuação de marcas e corporações, muitos dos nomes mais ricos e poderosos, dos Estados Unidos e do mundo — como Mark Zuckerberg, Susan Sarandon, acionistas do Google e até o Ronaldo — têm chamado atenção com suas alegorias luxuosas nas últimas edições, formando uma espécie de “Burning Man ostentação”, o que vai totalmente à contramão dos seus ideais originais.

Para “resolver o conflito”, um grupo de milionários norte-americanos fundou o Further Future, que vem sendo descrito pela mídia internacional como “o Burning Man para o 1%” — não, não é o 1% da música do Wesley Safadão, mas o 1% que representa o número de ricaços que concentra cerca de 35% da riqueza material dos EUA [o que, pensando bem, não deixa de ser “aquele 1% safado”].

Com ingressos a partir de 350 dólares, o Further Future acaba de ter sediado sua segunda edição, também no deserto próximo a Las Vegas, recebendo por volta de cinco mil pessoas “diferenciadas” e seus helicópteros, jantares luxuosos, spas e suas Ferraris. A internet e o conforto, barrados no verdadeiro Burning Man, também estavam presentes, assim como as inúmeras reuniões de negócios — o Further Future acaba sendo uma espécie de congresso não oficial, no deserto, para os CEOs e demais executivos de tecnologia. “[O festival] É desenhado em torno da música, mas é sobre negócios… Empresários vão fechar patrocínios, investidores vão encontrar trajetórias”, disse Russell Ward, um dos organizadores do evento, à reportagem de Nellie Bowles, no Guardian, na qual você pode conferir mais detalhes sobre esse novo Burning Man gourmetizado.

 

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