Por Gabriela Loschi (com colaboração e tradução de Flávio Lerner)
Ser descendente de uma pessoa famosa tem obviamente suas vantagens, mas também pode atrapalhar. Foi o que disse, por exemplo, o DJ Rodrigo Vieira, em entrevista que você confere na House Mag #44 — que logo, logo já estará circulando por aí — e é também o que garante o francês Florian Picasso, produtor de música eletrônica que carrega o sobrenome de um dos pintores mais famosos e consagrados do mundo, o bisavô Pablo Picasso.
Apesar de não ter o sangue de Picasso correndo em suas veias — Florian é adotado, e nasceu no Vietnã, o que causa estranheza em alguns quando veem seu rosto e constatam que ele é asiático —, o produtor garante querer levar o histórico nome adiante da melhor forma possível: sendo criativo. Destacando-se recentemente por ser autor de uma espécie de progressive house com uma assinatura muito particular, Picasso está lançando hoje seu novo som, “Final Call”, pela Protocol, label de Nicky Romero, que você já pode obter aqui. Além da nova faixa, você pode conferir abaixo uma breve conversa que o artista teve com a House Mag:
HOUSE MAG: Por que você diria que está à frente do surgimento de uma nova era do progressive house? Que elementos em sua música — especialmente na nova — mostram essa nova era? O que você está tentando criar?
Florian Picasso: Estou tentando criar música atemporal, grandes melodias com meus próprios efeitos. Eu não quero ser copiado, e é por isso que vim com esse estilo que é bem particular. Mas não se trata de uma nova era, e mesmo que não revolucione a indústria musical, pelo menos eu a inovei.
HM: É muita pressão ser o bisneto do Picasso? Quanto isso ajuda ou atrapalha a sua carreira?
FP: Na verdade não tem me ajudado muito, o que mais acontece é as pessoas ficarem me dizendo quem eu sou ou não. Mas é um nome famoso, obviamente, e quero levá-lo adiante da forma certa, sendo criativo.
HM: Quando você começou a discotecar, teve apoio da sua família? E você toca bastante aí na França?
FP: No começo eles não me levaram a sério. Tive que batalhar pela benção deles, o que eu entendo. E sim, toco aqui e ali, mas não muito.
