Por: Gabriela Loschi (com colaboração de Luiz Eduardo e tradução de Flávio Lerner)
Já faz um tempo que o holandês Nick Rotteveel van Gotum, o popular Nicky Romero, é um dos expoentes da cena EDM mundial. Com a fundação de seu selo Protocol Recordings em 2012, ele intercala uma carreira de hits e turnês com uma curadoria especializada para lançar novos e proeminentes artistas pelo globo. Desta vez, no Tomorrowland Brasil, o artista teve seu próprio palco com a Protocol, e faz questão de deixar bem claro que a label não é apenas sua, mas também de todos os produtores que contribuiram para elevá-la ao patamar atual.
No sábado, último dia do festival, conseguimos um tempinho na agenda do destacado DJ e produtor para dar uma palavrinha sobre sua experiência com a Protocol e o palco no Brasil, artistas brasileiros, a superação na fase mais difícil da carreira e, de quebra, pedimos dicas pra quem está começando a trilhar o seu caminho na cena eletrônica. Confira:
HOUSE MAG: Conte-nos um pouco sobre seu palco aqui nesse Tomorrowland. Como foi a experiência de criá-lo, e quanto tempo foi necessário?
Nicky Romero: Foi ótima, é sensacional ter seu próprio palco num festival como o Tomorrowland. Quero dizer, principalmente no Brasil, que é um país muito bom pra EDM. Então eu estou realmente orgulhoso pelas pessoas que montaram o palco, mas também pelos artistas que nos ajudaram a criá-lo e fazê-lo tão grande. É muito louco ver que sua própria label, como um selo que começou há poucos anos, já cresceu tão rápido a ponto de assinar um palco em um festival como esse; é inacreditável! Eu só quero agradecer a todos os artistas, porque não fui apenas eu quem desenvolveu a marca a ponto de ela ser o que é hoje.
HM: Quais são os próximos passos para a Protocol Records? Você tem observado novos artistas?
NR: Sim, tem alguns artistas muito bons neste momento. Há realmente muito talento por aí, quero dizer, tem novos talentos todos os dias, e nós vivemos numa era em que, digamos, 60%, talvez 70% dos jovens são capazes de produzir música com apenas um computador, então acho que vem muito mais coisa boa por aí.
HM: Na Protocol Radio você já apoiou alguns artistas brasileiros, como o Jakko. O que você acha dos produtores do nosso país? Você recebe muitas demos do Brasil?
NR: Eu escuto muitas demos, mas só depois de uma pré-seleção feita pela equipe da Protocol, porque se não seria uma loucura; nós recebemos mais de cem demos por dia, não tem como ouvir tudo. Eu não chego a reparar muito nas origens dos produtores, então não sei dizer de que país eles vêm exatamente, mas sei que o Brasil tem bastante gente talentosa, e estou curioso pra ver o que vem por aí. Conheço o FTampa, que está fazendo bastante sucesso. Acho que ele é um exemplo do que você pode alcançar se você for dedicado, independentemente de onde você vem.

HM: Dê algumas dicas para os novos produtores. O que eles devem fazer pra ter uma chance de lançar num selo como a Protocol?
NR: Acho que, de modo geral, você tem que se dedicar muito pra chegar onde você quer. Um monte de gente pensa que é fácil, mas não é. E tem muitos que usam produtores-fantasma; temos que estar cientes que há vários pais ricos que pagam muita grana pra colocar os filhos no palco. Numa era como a nossa, em que você tem que batalhar pelo seu espaço, especialmente pra geração mais nova, eu tive sorte, porque a EDM estava recém surgindo quando eu comecei, em 2009, mas hoje muitos pensam: “eu quero ser um artista que faz muito dinheiro, que seja descolado, que usa apenas preto”… Tem todos esses hypes, mas não se trata disso, se trata de fazer música, se trata de voltar às origens, que são: seja dedicado e crie com sons que ninguém está usando; crie com acordes e arranjos que ninguém está usando. Não importa se já foi feito há 20 anos, mas que soe novo, sabe? Se você conseguir fazer isso, vai ter todo um mundo novo te esperando de braços abertos. Sempre tem espaço pra gente talentosa e dedicada.
HM: Existe um preço por se fazer um grande sucesso como o seu. Você já alegou ter sofrido de exaustão, com a rotina de músico lhe provocando muito estresse cotidiano. Quando foi que você começou a sentir isso, e como fez pra superar essa etapa?
NR: Acho que foi no fim de 2015 que comecei a me sentir assim. O fato é que nós temos que lidar com muitos jetlags e muita pressão. Todo mundo quer algo de você, há vários fãs esperando, pedindo coisas. O que você tem que ter em mente é que você faz isso porque gosta de ser um artista e ama fazer música. Às vezes, por causa das nossas obrigações, a gente acaba se afastando das coisas que realmente queremos fazer — fazer música e sair em turnê —, e acabamos sugados pelos fusos-horários ou pelas pessoas. E eu não estou dizendo que os fãs são exigentes, mas você pode acabar sentindo isso, sabe? Então eu precisei me dar um descanso e descobrir o que fazer pra poder ter esse estilo de vida sem ficar desse jeito. E agora eu achei uma nova maneira muito mais fácil e menos estressante pra lidar com tudo isso; não vou passar do limite a ponto de comprometer minha saúde pra chegar em algum lugar.
HM: Você está lançando Novell, seu novo e poderoso progressive house, agora em maio, certo? O que o fãs podem esperar de você ainda pra este ano?
NR: Eu voltei a produzir em tempo integral agora, então é curioso, porque em um mês eu já criei duas músicas — três, na verdade, mas a terceira eu ainda não posso falar muito sobre. É uma collab com uma banda bem grande do Reino Unido. Então eu tenho esse novo release Novell e tenho mais uma que está pra ser lançada, mas já foi tocada por Guetta, Ryan Marciano nos palcos principais, Dimitri Vegas também, já tocaram, então é engraçado. Enfim, tem bastante música vindo aí, bastante do meu velho estilo em uma nova forma, e provavelmente muitas canções pro rádio também, não sei, vamos ver.
