Da redação
O DJ e produtor Darocha, alcunha de André Rocha, começou sua relação com a dance music há dez anos, quando foi levado pelo irmão — que por acaso é DJ e gere a escola virtual DJ Premium — em um club pela primeira vez, em Itu. A partir daquele momento, uma semente foi plantada no então garoto André, que foi ampliando exponencialmente seu interesse pelo universo da música eletrônica. Em 2009, quando já era DJ, recebeu incentivo do amigo Marcos Benedetti — que é ninguém menos que Volkoder — para mergulhar na produção musical.
Hoje, já é possível mensurar o resultado dessas influências: Darocha vem emplacando faixas em importantes gravadoras — como as brasileiras Not For Us e House Mag e a Bedroom Muzik, de Miami — e recebendo suporte de nomes gigantes da cena mundial, como Richie Hawtin, Maya Jane Coles, Roger Sanchez, Maceo Plex e Marco Carola.
Para saber mais sobre esse DJ paulista em ascensão, confira o que ele contou à House Mag e aproveite para ouvir o set exclusivo que ele gravou para nós:
HOUSE MAG: Oi Darocha! Naturalmente, pra qualquer profissional se consolidar em sua área é uma batalha árdua. Quais os principais obstáculos que você enfrentou até hoje? E as maiores conquistas?
Darocha: Acho que o maior obstáculo é a pressão de criar algo que realmente se destaque no meio de tanta produção excelente que há no mercado; isso faz você querer melhorar mais e mais. Não é nada fácil, ainda mais produzindo o meu estilo de som, mas isso está mudando, o trabalho tem que continuar. Conquistas eu poderia citar algum clube, ou uma festa que tenha tocado que foi muito legal, mas vou citar o suporte que tive do Marco Carola, um DJ que sou muito fã. Se você parar pra pensar na quantidade de músicas que esses DJs devem receber por semana, por dia, de gravadoras e produtores do mundo todo… E em meio a tantas faixas novas, ele gosta da sua e decide tocá-la.
HM: Quais os selos e as agências que você possui relação? Como é trabalhado seu booking e planejamento de carreira?
DR: Tem diversos selos internacionais que possuo uma boa relação. A Bedroom Muzik, de Miami, por exemplo… Em 2013 eu produzi uma track chamada “The Rumble” e enviei a eles, e foi imediato: eles gostaram, assinaram e lançaram. Logo depois disso veio o convite para tocar com eles na semana do Miami Music Conference em 2014. Existem outros grandes selos que estou conversando, mas eu prefiro manter o sigilo até ter assinado. Tenho uma boa relaçao com a Not For Us Records, eles fazem uma boa promoção no pré-lançamento do EP. A minha track “Deep Space”, que recebeu suporte de Marco Carola e Stefano Noferini, foi assinada por eles, assim como meu ultimo EP Invasions, que foi apoiado por Richie Hawtin, Maya Jane Coles, Roger Sanchez e outros importantes nomes. Meu booking fica por conta da Jana Matheus que é uma excelente profissional, amiga dedicada, tem muito amor pelo o que faz e muita paciência [risos], e da Hypno, que é pioneira no mercado.
HM: E como você conseguiu conquistar essas parcerias?
DR: Acredito que o meio ainda mais usado, não só por mim, mas por vários produtores, é enviar a faixa demo para o selo desejado, em que possivelmente sua track se encaixaria. O que tem funcionado muito comigo é entregar pessoalmente em mãos: aproveito os grandes festivais que trazem grandes nomes pra tocar e entrego minhas demos diretamente pra eles. Foi assim com Luciano, Jamie Jones, Solomun, Joseph Capriati, Dubfire…
HM: Quais suas maiores referências musicais dentro e fora da música eletrônica?
DR: Kolsch, Marco Carola, Coyu, Maceo Plex, Detlef, Jay Lumen, Dennis Cruz, Latmun, Spencer K, Emanuel Satie, Nicole Moudaber, Monica Kruse, Dixom, &me, Ben Ufo, Ben Klock, Jonas Rathsman…
HM: E quanto às referências não musicais… Há alguma em especial que influencie no seu trabalho?
DR: Cinema. Um bom filme, com uma boa historia e com uma boa trilha influencia muito.
HM: Como você observa a cena eletrônica nacional, desde o momento em que você começou a participar dela até os dias de hoje?
DR: O que mudou muito foi o reconhecimento sobre o DJ. Hoje em dia ele é reconhecido como um verdadeiro artista, produtor, homem de negócios e músico. Os grandes DJs hoje atraem a admiração de milhões de pessoas. Tocando as músicas certas na hora certa ele tem o poder de afetar o emocional das pessoas. É importante saber que ser um bom DJ não é só escolher algumas músicas boas, mas é principalmente saber entender os sentimentos de um grupo e interagir com ele usando sua música.
HM: Existe algo que você diria que só o som do Darocha tem?
DR: As percussões do tech house e house misturadas à melodia do techno.
HM: Quais os grandes objetivos que você almeja para sua carreira?
DR: Tocar as pessoas de todas as partes do mundo com a minha música.
HM: E o que podemos esperar do Darocha para o futuro?
DR: Músicas novas e originais, sempre levando minha identidade, evoluindo, estudando, desenvolvendo com enorme vontade de entregar o melhor que eu possa aos ouvidos do público.
