Por Danuza Azevedo
Daniela Diniz foi por muito tempo a única DJ mulher da região Sul. Com beleza, talento e simpatia de sobra ela não conquistou somente as pistas, mas também o coração de um público fiel e apaixonado pela música eletrônica.
A profissão surgiu por acaso. Na sua festa de aniversário de 18 anos – 24 anos atrás – ela escolheu algumas músicas e colocou pra tocar, o objetivo era somente animar os amigos, mas o bom gosto da seleção chamou a atenção de quem estava presente. Um empresário da comunicação que estava no evento a convidou para tocar em uma das festas da revista Inside – eram eventos animadíssimos e cheios de formadores de opinião – daqui pra li, foi um sucesso. Dani com o seu bom gosto e posicionamento musical, logo passou a ser contratada para tocar em várias reuniões, eventos e festas. “Eu tocava muito black music e tinha o meu perfil, não atendia qualquer pedido. Se alguém me pedia uma música que eu não tinha, eu fazia uma pesquisa e se tivesse o meu perfil eu adicionava nas minhas escolhas e assim ia ganhando meu público e quem me contratava respeitava isso”, lembra.
Sempre com long sets – ela tocava no mínimo cinco horas – as pistas eram envolvidas com um misto de encantamento da beleza de Dani e das novidades musicais que ela sempre apresentava. “Eu tocava um pouquinho de tudo, tinha na época o patrocínio de uma loja que me emprestava vários CD’s alternativos, eu selecionava o que tinha de melhor neles e levava pra pista. Até hoje tem músicas que eu ouvi há 20 anos e que fazem maior sucesso”, conta.
E bem que dizem que saudade é o preço que se paga, por ter vivido experiências inesquecíveis e a Dani sabe bem o que é isso. Na memória guarda com carinho todas as festas que tocou e produziu, mas algumas ocupam um lugar especial em suas memórias. “Um aniversário da Marcia Sirotsky eu toquei por 12 horas. Hoje em dia é difícil o DJ que faz isso. Tenho saudade da época em que a qualidade musical era mais importante que o dinheiro. Eu sempre tive o meu perfil, mantive a minha linha e era muitas vezes criticada por isso”, diz.
Criticada por ter luz própria, uma personalidade forte e muita competência. Mas nem por isso a estrela de Dani deixou de brilhar, ela conquistou além do sucesso, muitos amigos. Um deles é o também consagrado e um dos responsáveis pelo sucesso da cena eletrônica no sul do país, o DJ Feio, parceiro de inúmeros eventos. Ele conta que a admiração pela amiga é antiga e ressalta a pessoa maravilhosa e cheia de energia que sempre frequentava as festas, mesmo quando não tocava. Feio lembra que naquela época, as festas eram feitas em lugares inusitados e maravilhosos, porque ainda não havia a preocupação com alvarás e documentação. “Tínhamos festas lindas a beira de cachoeiras ao redor de Florianópolis, que ficavam ainda mais lindas com a presença da Dani e do seu sorriso maravilhoso. Lembro quando ela chegava sempre dizendo ‘amigo, si queires, queires, se não queires dixx”, lembra.
Feio ressalta ainda a contribuição de Dani para a cena de Santa Catarina. “Dani incentivou muitas outras mulheres a se tornarem DJs. Ela sempre foi nossa amiga inseparável de festas e companheira de trip”.
Outro parceiro da época é o DJ Rica Amaral. Pra ele, falar da Dani é lembrar sempre de um sorriso de orelha a orelha e muito dance floor. “É uma mulher muito especial que recebeu uma missão forte da vida e tenho certeza que está lutando, aceitando e independente do lado que vai a maré, ela vai pra frente”, manda a mensagem pra amiga.
Dani Diniz é exemplo da força feminina em todos os quesitos. A marca registrada, que é o sorriso, transmite energia e coragem por passar em caminhos pouco percorridos por muitas mulheres. Por isso, é um dos nossos exemplos de vida e determinação. Ela quis, conseguiu e chegou lá. Parabéns Dani pelo legado que você deixou pra nós nas pistas! Foi e sempre será um modelo a ser seguido!












Recortes de jornais que a artista guarda com muito esmero.
