O que é e a que serve o novo mapa da música eletrônica do Beatport

Por: Flávio Lerner

Em parceria com a Mixmag, o Beatport lançou recentemente o “Booking Barometer” — algo como o “Barômetro de Bookings”. Trata-se de uma análise e consequente interpretação de dados sobre os hábitos de consumo de música eletrônica nas diferentes regiões do planeta, colhidos a partir dos números de vendas do Beatport em 2016. A partir de então, eles desenharam esse mapa que mostra os top 10s de três vertentes de dance music — Underground Club, Big Room e Bass — em duas categorias [Best Bookings e Future Picks] de sete áreas diferentes: Reino Unido, Alemanha, Austrália, Estados Unidos, América do Sul, Ásia e Japão [este país ganhou um destaque especial por apresentar “preferências significativamente diferentes do resto da Ásia”]. Segundo os próprios, a iniciativa visa simplesmente auxiliar na descoberta de novos nomes.

A categoria Best Bookings [“Melhores Bookings”] apresenta os dez DJs que mais se destacaram nos últimos seis meses em cada região, enquanto “Future Picks” [algo como “Escolhas para o Futuro”] traz os dez nomes que a equipe do Beatport recomenda ficar de olho ainda para este ano. Não está exatamente detalhado, porém, quais os critérios determinantes para a construção desses pódios, nem exatamente o que elas significam: se trazem os artistas mais populares, os que mais venderam faixas, os que mais venderam ingressos ou um cruzamento disso tudo. Future Picks na América do Sul, por exemplo, traz os artistas que devem bombar no continente nos próximos seis meses, ou são recomendações baseadas nos gostos musicais dos sul-americanos? Não está claro.

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Longe de ser, portanto, um mapa definitivo — sobretudo por apresentar poucas regiões e poucas vertentes diferentes do riquíssimo mundo da cultura clubber —, esse esforço do Beatport traz um panorama geral válido para observarmos, grosso modo, as diferenças e semelhanças entre os hábitos de consumo de alguns dos principais polos de música de pista no planeta. É interessante que não há unanimidades ou hegemonias; cada local tem suas particularidades bem acentuadas, apresentando um leque consideravelmente vasto de nomes diferentes, com poucos clichês — mesmo na categoria Big Room, em que é comum imaginarmos os mesmos de sempre dominando geral. David Guetta, por exemplo, só figura em um top 10: o de Best Bookings em Big Room na América do Sul, e em sétimo lugar.

Ainda assim, por ser baseado em cruzamento e análise de dados, e por se dar ao trabalho de fazer distinção em ao menos três gêneros bem diferentes [como eles mesmos colocam, “não faz sentido comparar Scuba com Hardwell”], o desenho é seguramente mais relevante que qualquer ranking da DJ Mag, que mistura artistas de cenas diferentes e se resume a uma apelativa, e por vezes antiética, corrida mercadológica por votos populares, a fim de inflacionar cachês.

Vale destacar os atos brasileiros que figuram no “Barômetro” do Beatport, todos na América do Sul: Gui Boratto, Click Box e Alok [respectivamente #2, #5 e #10 na categoria Best Bookings/Underground Club]; FTampa [#4 em Best Bookings/Big Room]; Tropkillaz [#1 em Best Bookings/Bass], Elekfantz, Victor Ruiz, L_cio e Shadow Movement [#2, #4, #6 e #9 em Future Picks/Underground Club]; e Adriano Pagani, Viktor Mora, Marcelo CIC e Lenx & Denx [#3, #4, #7 e #10 em Future Picks/Big Room]. Desses todos, o único que também se destaca fora do nosso continente é o Tropkillaz, que surge na oitava posição em Best Bookings/Bass da Alemanha e na segunda posição em Future Picks/Bass da Austrália.

Outra coisa bacana é que o Beatport não ficou apenas no mapa, e produziu vídeos curtos para cada top 10, falando brevemente sobre os produtores rankeados. São, portanto, 21 vídeos como esse que você vê acima. Você pode conferir todos eles, separados por região, aqui.

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