Nascido em Brighton e agora residente entre Bordeaux & Berlin, o produtor e vocalista Thomas Gandey é conhecido mundialmente por ter lançado uma infinidade de hits em sua carreira. Em suas inúmeras collabs estão nomes como Hot Desde 82, Radio Slave, German Brigante, Maxxi Soundsystem e Blondish para citar apenas alguns.
Essa semana ele chega ao Brasil e se apresenta em São Paulo na festa E.TECH, que rola sábado na Fabriketa, volta ao Brasil no dia 10 de setembro pra Sunset Sessons e no dia 16/09 se apresenta em Salvador no Blind Experience Club.
Conseguimos dar uma palavrinha com ele enquanto ele arruma as malas para embarcar rumo a nossa selva de pedras.
HOUSE MAG – Este mês voce está vindo para São Paulo se apresentar na festa E.TECH, e volta ao Brasil em setembro. O que o público pode aguardar dessas apresentações?
THOMAS GANDEY – Estou muito animado por voltar ao BRasil e depois vou fazer uma tour na Argentina. Eu preparei um show muito especial com várias produções novas minhas que eu vou estrear na E-Tech. E eu ouvi coisas surpreendentes sobre a Fabriketa então estou muito animado por tocar lá.
HM – Das suas passagens pelo Brasil, qual foi a mais marcante?
TG – Toda vez que eu toquei foi realmente especial para mim. O Brasil é, provavelmente, o melhor lugar para curtir e tocar minha música. Quando eu termino de me apresentar eu vou pro meio da galera e danço o resto da noite. Os destaques até agora foram o Beehive pela atmosfera, e Club 88 porque eu amei o espaço e a vibe.
HM – Cada vez mais artistas brasileiros ganham espaço no mercado. Com qual deles você gostaria de trabalhar?
TG – Pra ser honesto eu não conheço muitos artistas brasileiros, pro meu azar, mas eu não sigo muitas pessoas e sempre me concentrei no meu próprio som, sem prestar muita atenção no que está acontecendo por aí. Mas um desses artistas é a Anna, a qual eu tenho tocado muitas músicas e ela está com tudo agora, eu acho que talvez a gente trabalhe juntos no futuro. Eu deveria fazer mais collabs com artistas brasileiros. Eu também já trabalhei com meu grande amigo Darick Gyorgy, que foi quem me apresentou o Brasil e tem feito muitas músicas incríveis.
HM – Vc já residiu em alguns dos melhores clubs do mundo, como Pacha Ibiza, Razzmatazz, Tokyo Womb e Ministry of Sound, mas sempre tem um que parece que fica faltando na lista. Qual club vc morre de vontade de tocar e ainda não teve a oportunidade?
TG – Tem vários clubs que toquei, desde o Berghain em Berlin até grandes festivais pelo planeta. Vou ser honesto dizendo que não conheço muitos clubs além dos que eu já toquei. Na minha carreira já tive mais de 1000 apresentações internacionais até agora e é louco tentar lembrar deles. Ouvi boas coisas sobre o Warung, então talvez um dia eu toque por lá. Mas nos últimos tempos eu estou mais interessado em tocar em lugares bonitos, em festas na praia e festivais legais em novos países, que preferivelmente sirvam coquetéis gostosos ;)
HM – O seu formato de apresentação é o live vocal, o que dá a possibilidade de criar muito e brincar ao vivo. Como vc chegou no seu setup atual? O que levou em consideração na hora de escolher seus equipamentos?
TG – Sim, eu gosto de acrescentar vocais às vezes quando eu estou me apresentando como DJ e também toco teclado. Eu venho de um background totalmente ao vivo e a carreira como DJ surgiu depois. Fui cantor e tecladista profissional e me apresentei com banda por muitos anos.
Então gosto de combinar esses elementos na cena club. Dos meus equipamentos de estúdio eu gosto muito dos analógicos, que preservam minha sonoridade única, mas quando viajo eu uso equipamentos compactos e resistentes, que duram mais tempo. Eu tenho um setup bem enxuto agora e muitas pessoas querem saber o que eu uso exatamente, mas talvez esse seja o meu segredo.
HM – Nos últimos tempos tem surgido diversos artistas e projetos que se apresentam no formato live vocal. Vc considera esse formato uma tendência?
TG – Eu não conheço nenhum outro artista que faça o mesmo que eu, mas creio que o elemento ao vivo mostra talento real e irá tornar-se cada vez mais evidente, quando os artistas não forem mais bookados apenas por ter um Top 10 hit ou serem famosos só por serem famosos. Gosto de ver um artista em ação e com uma conexão real com a música que eles tocam.
HM – Vc tem músicas lançadas em diversos selos importantes e fez parcerias com artistas que são ícones mundiais. Qual dica vc dá pra quem está iniciando a carreira de produtor musical chegar onde vc chegou?
TG – Pratique sua arte. Eu acho que um monte de gente acha que qualquer um pode fazer uma carreira na música, mas você tem que ter paixão para durar nesta indústria. Eu sou um profissional do meio há mais de 20 anos e me adaptei com o tempo. Faça música que você realmente ama, não siga o rebanho e encontre o seu próprio som. Acompanhe a tecnologia, mas não seja escravo dela. Seja sempre humilde e não fique egocêntrico. Seja legal com as pessoas e cuide do planeta.
