Finalmente anunciaram o line up completo do Ultra Brasil. Qual a sua opinião?

Por: Lucas Arnaud

Ontem fomos surpreendidos com o anúncio do line up final do Ultra Music Festival brasileiro. O festival acontecerá nos dias 14 e 15 de outubro no Rio de Janeiro e, apesar de muitos não lembrarem, já está em sua quarta edição no Brasil (as outras edições ocorreram em 2008, 2010 e 2011 em São Paulo). O modo como ocorreu o anúncio do line da edição que está por vir seguiu o padrão das edições internacionais do festival: foi-se divulgando os nomes dos DJs em 3 fases, ou 3 “phases”, de forma que a expectativa por novos nomes de peso foi constante até hoje, o dia do anúncio da lista final.

Na fase I, de cara já foram anunciados nomes internacionais de peso como Carl Cox, Dash Berlin, Hardwell, Martin Garrix e DJ Snake. A phase II manteve o nível e (pelo menos para mim) foi surpreendente – foram confirmados Steve Aoki, Krewella (LIVE), Carnage e Sunnery James & Ryan Marciano. Com um line up que claramente crescia com grandes nomes a cada fase, o Ultra criou uma grande expectativa nos fãs, que ansiosamente aguardavam mais grandes anúncios no phase III. Eu, particularmente, apostava na confirmação de pelo menos mais 2 headliners, como Kaskade e Deorro, que estarão na America do Sul no “Road to Ultra” em datas muito próximas do Ultra Brasil. Nervo era outra boa aposta, visto que o duo estará, coincidentemente, no Brasil nas datas do festival.

Mas ai saiu a fase III – e a realidade foi bem diferente da expectativa. De headliners, houve apenas uma adição – o duo alemão Tale of Us, que, apesar de ser um nome fortíssimo para os fãs de techno (estilo que “rolará” no palco Resistance/Carl Cox & Friends), não representa apelo para as pessoas que estarão no festival principalmente pelas atrações do mainstage. Dessa forma, muitas pessoas sentiram a falta de mais nomes internacionais (à nível de headliner) – e é basicamente isso que sintetiza alguns comentários insatisfeitos na postagem do line na fanpage oficial do evento no Facebook.

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Mas, há motivos mesmo para tanta insatisfação? Apesar dessa quebra de expectativa, analisemos o line up como um todo do festival. Os fãs de techno, por exemplo, estão muito bem “servidos” com nomes importantes do estilo, com um palco (de nome já citado) que trouxe atrações para os dois dias de festival. No sábado a sequência Pan-Pot, Matador, Steve Lawler, Nicole Moudaber, Nic Fanciulli e Carl Cox está realmente especial, e os nomes da sexta como Tale of Us, Hot Since 82, Art Department, Elio Riso e Matthias Tanzmann são aclamadíssimos dentro da cena tech / house / deep. Sem contar com os brasileiros fortes e representativos, como a ANNA, Renato Ratier e o Renato Cohen.

No trance, ocorre o mesmo. No palco UMF Radio, no primeiro dia, há nomes de peso tanto no trance “clássico” quanto no psy trance – cito Markus Schulz (que tocou no mainstage da Tomorrowland Bélgica) e Cosmic Gate, além de artistas ja consolidados no psytrance, como o Infected Mushroom e o Sesto Sento. O segundo dia do palco explora (e muito bem) a fase Low BPM na qual se encontra a cena brasileira de música eletrônica.

Dito isso, nos sobra a análise de um último palco – o mainstage. E, na minha opinião, claro, tal palco não fica para tras. Em se falando de atrações internacionais: Já no primeiro dia, temos nomes como Jauz (que é uma grande novidade aqui no Brasil), Krewella, Above & Beyond, Carnage, Martin Garrix e DJ Snake (que para mim é a “estrela” dos Ultra Music Festivais pelo mundo). Somam-se a essas atrações Sunnery James & Ryan Marciano, Dash Berlin, Steve Aoki e Hardwell no segundo dia. Esses nomes, juntos ao que há de melhor em se falando de DJs brasileiros, formam um line de excelência para um festival de música eletrônica no país.

Mas agora você me pergunta: e aquela história de que o phase III foi fraco, abaixo da expectativa? A resposta: justo! O phase III foi muito abaixo da expectativa, e o erro dos organizadores foi justamente ter criado essa (talvez falsa) expectativa. Tanto a phase I quanto a II anunciaram muitos headliners de peso, enquanto não sobrou (quase) nada pra a terceira fase (lembrando que estamos falando aqui de HEADLINERS!). A meu ver, portanto, esse “ar de decepção” sobre o anúncio final do line (que pode ser visto nos cometários da página oficial do festival no Facebook) ocorreu em decorrência muito mais do modo em como foi organizado o anúncio, do que pela qualidade do line (analisado como um todo) em si. Ou seja, a falta de grandes nomes internacionais de peso na phase III quebrou a expectativa (criada pelos próprios organizadores) de muitos fãs (e minha também! Como expliquei acima).

Talvez se tivessem distribuido melhor os nomes internacionais entre as fases, ou, pelo menos, deixassem mais claro que não haveria muitos headliners na última fase, o resultado fosse outro.

Resumindo: para mim, o line up final do Ultra gerou decepção em algumas pessoas muito mais pelo efeito da quebra de expectativa, que pelo resultado final da qualidade do line como um todo. Apesar disso, o festival tem tudo para servir bem aos fãs da música eletrônica – e as expectativas são as melhores: uma ótima organização, a famosa infraestrutura de cair os queixos e, é claro, um line versátil que atende bem aos diversos gostos na música eletrônica.

E você, o que acha?

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