Soldera lança EP inédito pela House Mag Records. Batemos um papo com ele sobre carreira e mais

Por: Breno Loschi

Nascido no interior paulista, Soldera lança no dia 17 de outubro seu mais novo EP “Alpha Gods” pela House Mag Records, com faixas totalmente únicas. Ele tem uma bagagem pesada e invejável; idealizador da “pistinha” do gigante Anzuclub e da festa FewBeats (onde trouxe artistas como Art Department, Karmon, Lee Foss, entre outros), se apresentou em grandes festivais, como nas duas edições do Tomorrowland Brasil e também na XXXperience. Tivemos a oportunidade de bater um papo com esse grande artista e conhecer mais sobre sua carreira e seus futuros planos. Enquanto isso, ouça em primeira mão:

 

HOUSE MAG – Com bastante tempo na cena, você se lembra quando e como começou a se interessar pela musica eletrônica?

Soldera – Minha maior influência, ainda criança, veio do meu tio que era DJ também. Durante minha adolescência comecei a “entender” os discos que ele tinha de Daft Punk, Kraftwerk, Chemical Brothers e principalmente, Jeff Mills. Foi nessa época também que passei a frequentar as famosas matinês, porém nada supera as raves: as raves foram minha maior fonte de inspiração. Ver os DJs em ação e a resposta do público para cada mixagem, cada virada, cada “drop” era algo mágico. Aliás, acredito que grande parte dos profissionais de música eletrônica e DJs do Brasil aprenderam muito com as raves.

HM – Quais foram as principais decisões que você tomou ao longo de sua carreira, para conseguir se destacar no mercado da música?

Soldera – Acredito que a maior decisão é manter-me fiel ao estilo musical que acredito. Os ciclos começam, terminam e devemos sempre estar atentos para não ficarmos para trás. Busco atualizar-me sempre, porém dentro do meu estilo de som. Isso foi decisivo para o sucesso da Pistinha da Anzu, da FewBeats e claro, da minha própria carreira.

HM – Você ja fez uma tour pela Europa. Conte um pouco sobre essa experiência. Como foi a organização da tour, os contatos, por onde você passou, como o publico reagiu? Foi o que você esperava?

Soldera – Na verdade, não considero essas apresentações como uma turnê propriamente dita, pois foram somente algumas apresentações em hotéis de Ibiza durante o verão europeu; não cheguei a me apresentar em clubs ou festas. A experiência foi super positiva, claro, pois tive a oportunidade de conhecer pessoalmente artistas que inspiram desde o começo de minha carreira como Maceo Plex e Marco Carola, além de, pela primeira vez, tocar para um público gringo (que aliás funcionou super bem). Posso adiantar que em novembro farei 2 shows na República Dominicana com Guy Gerber e Magdalena.

HM – Além de se apresentar, você também tem um perfil idealizador de eventos, trazendo pela primeira vez ao interior de SP artistas de renome para sua Label Party FewBeats e ajudando a trazer a festa Warung Tour para o Estado de São Paulo. Como estar a frente de todos esses projetos ajudou a sua carreira? Tem planos de retomar a Few Beats? Por que deu um tempo? Atualmente você está com algum projeto parecido, ou tem planos para o futuro?

Soldera – Sim, gosto bastante de atuar como organizador de eventos! Além de cada evento ser um grande desafio, acho importante pois é uma oportunidade excelente de networking com agentes, managers e patrocinadores. A FewBeats nasceu na Pistinha Externa do Anzuclub. Realizávamos edições mensais ou bimestrais, buscando artistas especiais. A proposta deu certo e isso nos motivou a levar a marca para outros venues também (alguns nomes que passaram pela FewBeats: Danny Daze, HNQO, DJ Glen, Thomaz Krauze, Andre Marques e Volkoder). Dei um tempo pois senti que precisava focar mais em minha carreira de produtor. Queria voltar a estudar masterização, piano, aprimorar meu inglê; coisas que fazia em 2008 mas deixei de lado. Pretendo voltar a realizar eventos em 2017.

HM – Saindo das festas e indo para o estúdio, você está lançando um EP para a House Mag, certo? Tem algo de especial no trabalho dessas tracks que você possa contar pra gente? Fale um pouco sobre a construção das faixas e o processo de criação.

Soldera – “Alpha Gods” é o resultado de um trabalho realizado com meu grande amigo Poligamyk. O intuito foi produzir um som original e que, ao mesmo tempo, não estávamos ouvindo por aí. Nossa afinidade musical foi decisiva para o sucesso do E.P e assim nasceram “Atlas”, “Asteroth” e “Amaterassu”.

HM – E sobre os projetos futuros? Você está preparando algo novo?

Soldera – Sim, além de re-ativar os eventos que já fazia quero lançar um álbum. 2017 será um grande ano.

HM – O que você acha do cenário nacional da musica eletrônica hoje, comparando de quando você começou até hoje?

Soldera – É natural que o mercado mude todo ano e apareçam novas vertentes, sonoridades e artistas ; assim como todos sabemos que isso reflete diretamente no que o público vai consumir; por sua vez, os contratantes adequam-se aos novos ticket-sellers. O som de 10 anos atrás não “bomba” como costumava bombar, porém, é muito legal a evolução de tudo isso e como isso influencia os novos produtores. Hoje vejo o cenário nacional extremamente valorizado, em pleno desenvolvimento rumo à tão sonhada “profissionalização”. É extremamente desafiador e ao mesmo tempo motivador estar atuando no mercado nacional.

HM – Para finalizar, uma pergunta mais pessoal: Em que o seu trabalho mais te orgulha?

Soldera – Bem, acredito que o maior orgulho de qualquer artista é ter o seu trabalho reconhecido pelo público. Eu sou assim também. Orgulho-me de cada mensagem em minha página dizendo que curtiu meu set ou minhas músicas. Também acho incrível quando, mesmo nas gigs fora do estado de São Paulo, as pessoas me param e dizem “Soldera, curto muito você e o seu som e a Pistinha da Anzu”. Isso prova que tanto eu quanto o club estamos fazendo a coisa certa!

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