Por: Gabriela Loschi Ele foi batizado como Olivier Mateu, mas adotou o nome artístico Rodriguez Jr. e assim ficou conhecido mundialmente. Um cara simples, família e super agradável de se conversar. Um artista extremamente aclamado, com um estilo característico de produções cheias de groove e melodias sexy, techy, prog, deep, housy, com synths marcados que transformam a experiência de ouvir suas músicas em uma penetração musical intensa e cheia de feelings.
Rodriguez Jr. cresceu na França em meio a lições de piano clássico e o boom das festas eletrônicas na década de 90 e hoje tem releases em labels como Tronic, K7 Records e Systematic Records, mas foi na Mobilee que ele encontrou sua casa e lança a maioria de suas viagens musicais. Foi no showcase do label berlinense em Barcelona, durante a semana do Sónar esse ano que, em meio a uma agenda cheia de requests, ele atendeu à House Mag pessoalmente e bateu um papo super bacana com a gente. Confira:
HOUSE MAG – Pode falar um pouco do seu novo live PA, que será apresentado aqui na festa da Mobilee no Off-Sónar pela primeira vez? Qual é a diferença dele em relação ao que você estava fazendo?
RODRIGUEZ JR. – A ideia é basicamente ser como um show de verdade em que o público possa interagir comigo. Então, removemos tudo que possa atrapalhar essa interação em termos de estrutura e construímos uma “cabine” especial para que as pessoas vejam o que eu estou fazendo de fato, se tocando teclado ou bateria eletrônica, por exemplo. Além disso, temos um sistema de luz e de imagens que é sincronizado com a música. Assim, posso improvisar bastante e ter o feedback imediato das pessoas que me assistem. É um live bem interativo, feito para criar uma conexão entre mim, os efeitos e o público.
Numa cabine comum, as pessoas só veem parte do seu rosto e do computador. Isso não é bacana, já que a interação fica limitada. Eu comecei a me lembrar dos grandes shows aos quais eu fui quando era mais novo, com os artistas agitando no palco, e acabei querendo recriar essa atmosfera.
HM – Você falou sobre sua juventude e eu lembrei que você cresceu em uma cidade bem pequena do sul da França, onde aprendeu a tocar piano e a escutar música eletrônica. Como foi esse começo e como o ambiente longe das grandes cidades o influenciou musicalmente? RJ – Foi um longo processo. Comecei a ouvir música eletrônica com artistas como Kraftwerk. Depois entrei em contato com a cena de Detroit, com Derrick May, e depois comecei a conhecer a vibe eletrônica mais melódica, principalmente a eletrônica produzida na Europa, com bastante groove e melodias. Até hoje meu som é influenciado por isso.

HM – Suas produções costumam evocar o lado mais melódico do techno. Eu particularmente adoro a faixa Lila, é linda, e uma das minhas músicas preferidas. Adoraria saber mais sobre o seu processo de criação e saber se há alguma história por trás dela? RJ – Sim, há uma história linda por trás dessa música. Lila é o nome da minha filha, que tem 9 anos de idade hoje – veja como o tempo passa rápido! A faixa foi criada quando ela nasceu e era uma tentativa de transmitir toda a emoção desse momento que eu estava vivendo por meio da música. Eu encontro muitas pessoas que amam essa track e me perguntam: Por que eu não produzo esse tipo de música mais, mas é simplesmete algo que você não pode repetir. É um momento. Essa é a história.
RJ – Sim, ela ama! Lila cresceu ouvindo música comigo e adora brincar com meus discos. Ela passa muito tempo no estúdio comigo, mexendo nos sintetizadores e nos meus equipamentos. Espero que ela se torne uma artista quando crescer!
HM – Então você tem uma conexão forte com a Espanha? Conte-nos como foram as primeiras festas por aqui suas e da gravadora Mobilee. RJ – Minha primeira experiência como Rodriguez Jr. por aqui foi em 2009 na festa da Mobilee, num rooftop. Infelizmente não foi um bom começo, porque caiu um enorme pé d`água no dia e nós tivemos que parar de tocar (risos). Eu tenho uma relação bem íntima com Barcelona. Meu primeiro show em um grande festival foi aqui, com o The Youngsters (duo francês do qual fiz parte), no Sónar, em 2001. Eu só tinha 23 anos e fiquei realmente assustado com a quantidade de pessoas que estavam me vendo, mais ou menos umas 15 mil.
HM – E a sua parceria com Laurent Garnier, como aconteceu, e que impactos esta relação teve em sua carreira? RJ – Eu tinha 23 ou 24 anos e realmente havia muita coisa a aprender com o Laurent. Fizemos turnês juntos e eu aprendi muita coisa, como estabelecer uma conexão com o público e criar um momento verdadeiramente especial. Foi uma das melhores experiências da minha vida. Eu devo muito a ele, ele me ensinou tudo o que sei hoje.

HM – Em relação à produção, você se sente pressionado a fazer tracks sempre de um estilo só como Rodriguez Jr. ou tem liberdade para criar o que quiser?
RJ –
Eu tento produzir o que quero, mas não é tão fácil assim, já que, como meu som tem uma assinatura, as pessoas esperam aquilo de você, assim como as gravadoras também. É muito difícil achar o equilíbrio entre o que eu realmente quero fazer e o que eu faço. É um pouco estressante, mas não deixa de ser um ótimo exercício.HM – Como você se envolveu com a galera da gravadora Mobilee? RJ – Já faz uns oito anos que estou na gravadora e nós crescemos juntos nesse tempo. Tenho uma longa amizade com Anja Schneider, a fundadora do label, antes mesmo de o selo existir. Ela já tinha um radioshow em Berlim e fazia festas por lá e, desde o começou, rolou algo forte entre nós.
HM – Você mora hoje em Berlim? RJ – Não, eu moro em Bruxelas, na Bélgica. Minha esposa mora lá, então eu estou de algum jeito preso a essa cidade.
HM – Como é a cena por lá? RJ – Honestamente, eu não faço ideia. Eu nunca saio quando estou em Bruxelas. Como estou sempre em turnês, tento passar todo o tempo que tenho com a minha família e no estúdio. Como chove muito por lá, fico bastante em casa.
HM – Você tocou no Brasil no começo deste ano em cidades como Curitiba e São Paulo, e talvez voltará no fim do ano. Você parece ter uma conexão legal com o país, conte um pouco sobre isso. RJ – Nomeei último EP como “Petropolis” devido a essa tour no Brasil. Eu amo o Brasil, existe uma energia especial nesse país. Eu amo as pessoas daí – pode soar como um clichê, mas todo mundo é muito acolhedor e amável, independente de onde você esteja, no Rio ou em São Paulo, por exemplo, que são locais bem diferentes e mesmo assim têm isso em comum. Ouço muito falar do Warung, mas nunca toquei por lá, gostaria muito. Porém, devo voltar ao Brasil em breve, talvez no fim do ano, como você disse.
HM – Você está trabalhando em que neste momento? RJ – Eu estou trabalhando ainda em meu novo álbum. Já lancei tracks e EPs, mas o disco deve só ficar pronto mesmo em 2017, eu acho. É um processo diferente de lançar remixes ou tracks, pois você pode até tentar algumas coisas diferentes, mas precisa ser coerente com o todo, as faixas devem conversar, é um processo difícil e trabalhoso. Quando trabalho no álbum, preciso me organizar e ter foco, pois é muito fácil se perder em meio a tracks, sons e ideias. Então, eu crio um tipo de timeline com os diferentes insights que quero colocar nele, por isso é um processo que pode durar anos.
HM – Deixe uma mensagem para o público brasileiro. RJ – Eu amo muito vocês. Queria agradecê-los pela energia que têm e espero voltar ao Brasil muito em breve para compartilharmos bons momentos juntos.
