E nasce um novo Hardwell: entenda por que tudo muda daqui pra frente

Por: Lucas Arnaud

Eis que, no final de semana passado, os fãs de música eletrônica foram presentados com mais uma edição do Ultra Music Festival, que ocorre anualmente em Miami. Mais que um mero festival, o Ultra Music se tornou um verdadeiro “showroom” para os artistas, visto que o evento finaliza a chamada “Miami Music Week”, uma semana na qual estão reunidos na cidade muitos dos mais importantes profissionais da cena internacional da música eletrônica, sejam eles DJs, produtores ou managers, para citar alguns.

Dessa forma, Miami torna-se palco (seja no Ultra, seja nas milhares de festas que ocorrem nos hotéis ao longo da semana) de uma genuína amostra de novas tracks, novos projetos e até de novas carreiras.

É nesse contexto que Hardwell assumiu (às 18:30 da tarde de domingo, 26 de março) o mainstage do Ultra Music Festival.

Confesso que acompanhava a live oficial no Youtube apenas por acaso, visto que já há algum tempo não curtia o estilo do artista (o set do Ultra Brasil, no qual eu estava presente, trouxe muitos drops bigroom antigos e pouco inovadores, fazendo eu me sentir em 2013!). Porém, tive uma agradável surpresa: Hardwell trouxe um set totalmente renovado (inclusive em se comparado com suas últimas apresentações), com estilos que nunca imaginei que ele traria em sua seleção de tracks.

E, naturalmente, vieram os comentários nos grupos de música eletrônica do Whatsapp e do Face: “o mito voltou!”/”caramba, que set é esse? Não esperava tanto do Hardwell!” Muitos, como eu, não esperavam um set tão bem produzido e com tantas características novas, em se comparando com o passado da carreira de Hardwell.

Explico: um dos pontos que merecem destaque foi que o Hardwell não apenas “flertou” com outras vertentes de música eletrônica (que não o bigroom), mas também dropou tracks de estilos variados, muitas delas sendo (pasmem!) suas próprias produções.

Já no início do set, o artista dropa “NWYR – Orchestra”, track do projeto de TRANCE do duo W&W (sendo o nome do projeto NWYR).

 

 
Também foi inesperado quando soltou “Lookas – Can`t Get Enough” – já até falamos dele em artigos recentes. Lookas é uma das grandes promessas do trap americano, principalmente focado na vertente “hardtrap”. É, galera, vocês leram direito. Hardwell, até o momento, já executou TRANCE e HARDTRAP no mainstage do Ultra.
 

 
 
Não satisfeito, o DJ holandês solta uma track (em 43 min de set) de bass house, bem no estilo Jauz – e o mais interessante é que essa track (ainda sem nome, sendo, portanto, uma ID) é uma colaboração do próprio Hardwell com Moski. Sim. Moski!!! Para quem não sabe, Moski é um dos talentos ascendentes do bass house, com tracks de destaque na label Barong Family (do Yellow Claw).

E para mostrar que veio renovado, Hardwell finaliza seu set com “Hardwell ft. Austin Mahone – Creatures Of The Night”, cujo estilo é FUTURE BASS (que está muito em alta nos releases da Spinnin´, por exemplo). Artistas como Martin Garrix (com seu projeto AREA21) e Axwell / Ingrosso já haviam adentrado ao “mundo” do future bass, que apesar de não ter tanto espaço no Brasil, é uma febre nos EUA.

 

 
 
Temos então um grande saldo de novos estilos explorados por Hardwell (cujo direcionamento da carreira sempre foi focado, basicamente, no bigroom, com poucas exceções). Dessa forma, por meio de seu set no Ultra 2017, Hardwell nos anuncia, mesmo que nas entrelinhas, uma grande mudança: seu projeto de carreira vai flexibilizar suas produções, dialogando com produtores das mais diversas vertentes, como bass-house, trap, future bass, para citar apenas o que já foi apresentado. E o resultado foi quase instantâneo: o set recebeu grande aprovação dos fãs e dos nem-tão-fãs-assim (como eu!).

Mas qual seria o motivo disso? Imagino que Hardwell iniciou o processo de flexibilização de suas produções de modo a colocar seus sets novamente em voga. O bigroom “puro”, sem diálogos com outras vertentes, já mostra esgotamento, tendo perdido o posto único de estilo mais tocado nos mainstages.

Exemplo dessa necessidade de mudança são as novas produções de Quintino, que também era adepto apenas do bigroom, porém começou a flertar com o bass house (em produções como Scorpion e Badman), sendo sua última produção (DJ SNAKE – Middle (Quintino bootleg)) uma track genuinamente de bass-house, no maior estilo Barong Family.

 

O fato de Hardwell não ser mais DJ #1 do mundo segundo o polêmico ranking da DJ Mag, e de não tocar mais no Tomorrowland (o que ocorreu, tudo indica, por briga com o Dimitri Vegas & Like Mike devido ao uso de iPads para pedir votos no rank da DJ Mag), nos levam a pensar que o artista procura novas estratégias para manter sua legião de fãs. O fato de Hardwell ter tocado mais cedo (às 18:30) em 2017, e não às 23 horas para encerrar o mainstage (como ocorreu em 2016, sendo um horário muito mais “nobre” no festival), também nos deixa com a impressão de que o DJ holandês perdeu espaço, corroborando com a necessidade de renovar aspectos de sua carreira.

Dessa forma, o set de Hardwell no Ultra 2017 nos mostra algo (ainda que muitos sequer tenham notado): “nasce” um novo Hardwell, cada vez mais aberto ao diálogo com outros estilos que conquistam cada vez mais espaço nos mainstages. E o que podemos esperar? Com certeza, muitas tracks de sound design inovador e parcerias com talentos ascendentes de diversas vertentes da música eletrônica. Portanto, GO HARDWELL OR GO HOME!

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