Rafinha Bartel é mais um dos jovens artistas que povoam a constelação de prodígios que fazem da cena Techno brasileira atual algo tão empolgante. Entre uma geração que possui muito poucos pudores sobre o que deve ou não deve ser feito, ou mesmo entre o que pode ou não ser tentado no âmbito musical, ele se situa bem no centro de uma ampla frente que mantém a pujança do gênero e seus pés bem firmados na pista.
Parte da família D.O.C. de Gui Boratto e um visitante recorrente das pistas paulistanas e muitas outras das mais animadas do país, ele divide aqui o essencial daquilo que faz dele um dos nomes mais promissores: honestidade musical e conceitual.
Nesta entrevista à frente de sua apresentação na Ressonancia deste sábado, dia 10 de junho, ele se abre acerca de sua trajetória, por onde ela se iniciou e o que se descortina adiante, além de prover insights muito ricos sobre o cenário atual de eventos e lançamentos. E, junto a ela, nos regala um mix exclusivo repleto da mesma energia que permeia seus sets e os transforma em experiências de elevação física e mental das mais singulares.
Ele se apresenta neste sábado, dia 10, no Festival Ressonancia (mais informações aqui). Ouça o podcast e boa leitura:
HM – Sempre pareceu evidente que o elemento estrutural formava uma parte muito distintiva da música do projeto, a forma como as harmonias e as bases sempre pareciam se encaiar com muita precisão para criar algo extremamente dançante, mas sempre ecobertos por atmosferas extremamente cativantes. Como é o processo de composição que acaba por criar essa síntese? Ele começa por algo específico ou é mais orgânico e errático?
RB – Ótima descrição eu adorei! No studio meu processo criativo é tontamente inconsciente e varia muito, não tenho uma formula certa ou regra. Mas, basicamente, quando vou criar novos timbres no sintetizadores gosto de explorar ao máximo, passo horas na frente deles criando sons de melodias, atmosféricos a percussivos. Assim, quando sinto que tenho algo relevante vou gravando em takes. Também funciona assim com as drum machines que vou sequenciando, editando e gravando. Após toda essa parte vem o arranjo onde começo a montar a música e vou descobrindo o que harmoniza com tudo até chegar ao objetivo.
RB – O D.O.C. foi a minha primeira casa, eu aprendi muito desde que entrei para a família e continuo aprendendo com o Gui e com todos os membros. O selo proporciona uma ampla visibilidade para a minha música e me desenvolve muito como artista, dando apoio e ajudando a cuidar da minha imagem. É um ambiente de muita amizade, aprendizado e respeito. Estamos todos unidos em prol da música.
Logo apos a segunda turnê na Europa toquei pela primeira vez na Capslock, foi algo que mexeu muito comigo. Foi memorável, uma das melhores gigs que fiz e sempre é incrível. O conceito e a essência da festa era algo que buscava mais não sabia que existia no Brasil até então. Em 2016 fui convidado para fazer parte da família da Caps estreei como residente da festa foi surreal, foram 6 horas de set e um b2b especial com o Tessuto até as 2 da tarde. Tocar na capslock me trouxe grandes amigos e grandes admiradores do meu som além de eu poder ter a oportunidade de fazer long-set visando a construção e conseguir manter a pista pra cima é uma grande responsabilidade. Tenho enorme gratidão por todas essas família que me acolheram de braços abertos e acreditam em mim e em minha música.

RB –
O Techno esta super em alta assim como a cena nacional que esta surpreendente, eu acredito que o ponto bom de tudo isso é a visibilidade que traz a todos, eu particularmente procuro sempre não me prender a um estilo só, não fico em busca somente de Techno o que busco é a boa musica independente do estilo onde consiga encaixar em meus sets sem perder a essência do que estava conduzido. Eu gostaria de produzir músicas para filmes um dia, também gosto de sons como break-beat, ambient, IDM talvez faça algo dentro desses estilos.RB – Tudo começou no final dos anos 90, quando meu irmão foi DJ e se apresentava em clubs locais. Devo muito a ele os meus primeiros passos na música eletrônica. Desde a arte de mixagem como os meus primeiros CD gravados foi ele quem me ajudou e me colocou, digamos assim, nesse meio. Claro que, na época, eu nem imaginava o que tudo isso iria se tornar 19 anos depois. No início dos anos 2000 ganhei meu primeiro par de pick-ups e vários 12″ na case. Tinha desde house, techno a trance e com o tempo fui me aprimorando, melhorando a cada dia que passava. Me dediquei e estudei muito pra chegar aonde estou hoje e me sinto um tanto privilegiado por ter essa bagagem, acompanhando a e-music desde o final da década de 90.

RB – Primeiramente, estou extremamente animado para fazer minha estreia no Ressonancia. Vou testar algumas músicas exclusivas de amigos e algumas novas do Shadow para apresentar no dia. Voltando à pergunta: pra mim é muito difícil enxergar com outros olhos e tentar entender que existe ainda preconceito com algo que só faz bem à sociedade. Algo que leva cultura, diversão, união e informação para o publico em geral. É algo que não podemos mais aceitar! Mas acredito que, aos poucos, estamos mudando esse cenário e espero que em um futuro próximo possamos virar de vez o jogo desse panorama ruim para algo bom.
RB – A proposta do mix é um aquecimento para o Ressonancia, gravei ele pela manhã ele começa com um som mais progressivo e vai se desenvolvendo, passando por diversos estilos dentro do techno, house, breaks e ambientm mas sem perder o foco e a identidade sonora. Algo bom para começar o dia ou finalizar ele, é para todas as horas.
RB – No momento estou concluindo meu remix para os amigos do duo IAO e também estou em processo de finalização do meu 3 EP, que deve chegar em breve para o mundo. Tenho mais alguns projetos em segredo sendo desenvolvidos que pretendo apresentar em breve, ainda este ano.
