Oskar Offermann traz sua melodia ao Brasil – falamos com o produtor alemão!


Por: Nazen Carneiro, da coluna Tudobeats

Oskar Offermann tem mais de quinze anos de envolvimento com a música eletrônica em diversas áreas, do design gráfico ao cinema e produção. Além de DJ, Oskar tocou bateria em bandas grunge e tem uma relação especial com o Hip Hop, o que faz de seu background musical bastante variado. Em 2008 fundou juntamente com DJ Edward seu próprio label – White. Foram muitos bons álbuns lançados, seus e de outros artisats, mas no ano passado ele resolveu mudar algumas coisas em sua carreira, entre elas fechar de vez o selo.

Continuando as mudanças, depois de 15 anos vivendo em Berlim, mudou-se para Offenbach, uma pequena cidade no interior da Alemanha, nas imediações de sua cidade natal, Frankfurt. A cidade é mais conhecida nos meios eletrônicos pelo club chamado Robert Johnson, com capacidade para apenas 250 pessoas, um soundsystem destruidor e uma política de bookings maluca. O club é um dos mais conceituados do mundo e é ligado a grupos e selos não tão conhecidos assim, mas não menos intrigantes, como HardWorkSoftDrink e Traffic Records. “Curtir com eles por horas a fio mudou toda minha perspectiva musical“, diz Offermann.

Presença inédita nos palcos do sul do Brasil, o alemão tirou um tempinho antes da sua tour – toca na Colours, em Caxias, e no D-EDGE, em São Paulo – para bater um papo com a gente!

 

 
 
 
HOUSE MAG: Obrigado pela entrevista Oskar Offermann. Para começar, quero saber de você – que tem viajado bastante ente diversos países – quando está entre uma gig e outra, o que você ouve?

Oskar Offermann: Realmente eu tenho viajado bastante nas últimas semanas então não tive muito tempo de ouvir músicas além das que produzo na estrada ou as que toco na tour. Eu passo bastante tempo em lojas de disco fuçando no estoque e levando alguns kilos a mais de bagagem! Espero poder tocar alguns destes novos vinis ainda nesta tour no Brasil!



HOUSE MAG: Você tem sua origem musical no Hip Hop, que usa bastante samples. Hoje em dia você usa também no House e Techno ? Como que fica esse lance do sampling e o respeito pelo original?

Oskar Offermann: Hoje em dia eu não uso muito sample, mas como eu venho do hip hop eu entendo completamente a cultura do sample, desde que não seja usado como fez o P.diddy nos anos 90, é claro!

 
 
HOUSE MAG: Ainda no Rap, Hip Hop… existe essa conexão com a House Music, né? Como foi essa mistura para você, no teu trabalho?

Oskar Offermann: Hip Hop foi uma grande influência para mim que cresci nos anos 90… Eu fazia rap e comecei a produzir música através do rap e, claro, através da história técnica das drum machines. São coisas muito conectadas entre si.

 

 
 
HOUSE MAG: Seus primeiros nightclubs foram em Frankfurt… hoje você viaja o mundo todo tocando e quais principais mudanças você aponta na cultura eletrônica?

Oskar Offermann: Os clubs definitivamente estão mais ‘dark’ nos últimos anos, muito embora com certeza toda a cultura clubber mudou muito deixando de ser uma “subcultura” para ser algo mais conhecido com ampla infra estrutura e muitos clubs por todo o planeta apoiando este estilo de música. Nos anos 90 quando eu comecei a sair, techno e house eram fenômenos relativamente novos, então eu tava pensando… o que essas pessoas estranhas fazem com máscaras de gás na cabeça?



HOUSE MAG: Produzir um álbum é, com certeza, algo bastante complicado e lembro que certa vez numa entrevista você citou inclusive o fator paciência. Comente isso.

Oskar Offermann: Bem… na verdade eu sempre gostei de compor álbuns, mesmo que isso seja um processo bem exaustivo, tanto quanto uma tese de mestrado! Eu continuarei sempre a compor albuns com certeza. Álbuns são um círculo fechado de um trabalho que eu acho importante às vezes. Hoje eu quero mais é voltar a me empenhar em compor músicas, mas veremos…

 

 
 
HOUSE MAG: Vejo muitos produtores novos que pensam em compor uma música já pensando num estilo, numa forma que se encaixe neste ou naquele. Como produtor e tendo sido responsável pela Whitel label, como você vê esse processo de criação?

Oskar Offermann: Eu, geralmente, apenas sigo o fluxo da minha criação e depois pergunto a amigos o que eles pensam. Este processo funciona bem para mim.


 
 
HOUSE MAG: As pessoas gostam de classificar músicas e rotular estilos. Você nominaria algum como seu?

Oskar Offermann: Acho que tenho um certo elemento na mínha música que é contar uma história e esta história é um pouco emocional ou cênica. Eu gosto de fechar as festas por que essa hora combina com uma música mais emocional… mas principalmente eu quero que a festa seja boa e que todo mundo esqueça da vida do dia-a-dia por alguns momentos.



HOUSE MAG: Para finalizar, o que te move como músico a continuar em frente com seu trabalho?

Oskar Offermann: Não é motivação, é mais uma necessidade. O momento em que eu decidi fazer isto profissionalmente para o resto da minha vida foi o momento em que eu entendi que, na verdade, eu não tenho escolha. Mesmo que eu começasse a trabalhar em outra indústria completamente diferente eu ia acabar produzindo uns beats em todo minuto livre que tivesse.

 
 
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