Bruno Martini: levando a música eletrônica brasileira ao sucesso radiofônico pop

Por: Gabriela Loschi

*entrevista publicada na House Mag impressa

Aos 24 anos Bruno Martini não só se tornou o cara por trás dos maiores sucessos de música eletrônica pop no Brasil como é o primeiro artista a assinar com o selo eletrônico da Universal Music, Aftercluv, globalmente. Selo inclusive que está apostando todas as suas fichas no rapaz agenciado pela Plusnetwork. Não é pra menos: seis meses após o lançamento do seu primeiro grande hit, em parceria com Alok e Zeeba, “Hear Me Now” já tinha ultrapassado 220 milhões de plays no Spotify, e sabemos que se tornou a música mais tocada do Brasil – a frente até dos sertanejos da vida – colocando o brasileiro na mira dos grandes do cenário.

Com um talento intrínseco e sem deixar a peteca cair, Bruno não tardou para lançar mais um sucesso, pouco tempo depois, dessa vez produzida apenas por ele: “Sun Goes Down” ultrapassou os 2 milhões de ouvidas no Spotify e seu vídeo clip extremamente bem produzido foi gravado na belíssima paisagem do Arpoador no Rio e lançado na semana em que o artista partiu para mais uma turnê no México e na Europa, onde tocou em festivais como Tomorrowland na Bélgica e Corona.

 

 

E para mostrar que ele não pretende deixar a peteca cair, sua segunda música com Alok e Zeeba, “Never Let Me Go”, já está nas principais rádios europeias, mexicanas e do mundo.

Nada mal para a cena brasileira ter um artista tão consistente apto a elevar nossa música a patamares de sucesso radiofônico global – e o melhor, com qualidade. Porém, sucesso e consistência são alcançados com uma fórmula que parece óbvia mas não é das mais simples: muito trabalho, talento e tempo. Infelizmente para aqueles que buscam sucesso repentino acima de qualidade, tudo para Bruno – assim como para os que permanecem no topo – não aconteceu da noite pro dia.

O extenso background musical de Martini vem de berço – e foi potencializado por sua perseverança. Pra começar, seu pai é ninguém menos que o integrante da famosa banda dos anos 90 Double You, Gino Martini. O paulista é, portanto, envolvido com a indústria musical desde que nasceu. “Meu pai produziu muitos artistas brasileiros e internacionais em seu estúdio em São Paulo, cresci convivendo com tudo isso. Ganhei meu primeiro violão aos 8 anos e com 12 tive minha primeira banda de rock de garagem. Aos 14 comecei a produzir e compor com meu lap top, utilizando o GarageBand. Sou muito focado e perseverante”, ele conta.

Nessa época, Bruno gravou um CD de demos e, durante uma viagem aos Estados Unidos, o entregou a uma pessoa ligada a um ex-empresário do Justin Timberlake e da Britney Spears. Resultado: o trabalho fez com que Bruno fosse o primeiro artista brasileiro a assinar com a Disney. “Por quatro anos construí projetos com a Disney, incluindo séries de TV e paralelamente produzindo diferentes músicas no estúdio”.

 

 

Apesar de apaixonado por música eletrônica – influenciado principalmente por artistas como Steve Angelo, Daft Punk, Kraftwerk, Calvin Haris e Alesso – as primeiras produções – e gigs – de Bruno foram de hip hop. E aí, por ter contato com a música pop dede o início, foi natural construir o sucesso calcado no pop. “Na minha opinião, quando você trabalha com música, tem que ser cabeça aberta e ouvir de tudo. Inclusive no estúdio não me prendo a uma vertente, não chego com o pensamento do que vou fazer, eu deixo fluir”.

Não à toa ele produziu, com apenas 18 anos, uma música com ninguém menos que a lenda viva do hip hop Afrika Bambaata: “Conheci um dos MCs do Zulu Nation em Nova York, que levou o Bambaata ao nosso estúdio no Brasil. Ele adorou minhas músicas. Foi uma das maiores aulas que eu tive na vida, fizemos um som animal juntos, foi uma experiência incrível poder trabalhar com alguém tão importante no meio da música e no mundo”.

Para quem fez uma collab com Afrika Bambaata, não deve parecer um bicho de sete cabeças produzir com Alok e Zeeba as vitoriosas “Hear Me Now” e “Never Let me Go”. Mas, novamente, vitória não se faz num estalar de dedos e não tem fórmula. “Comecei a Hear Me Now com o Zeeba e um dia o Alok foi no estúdio, ouviu a track e me disse: ‘vamos produzir ela, deixa-la mais eletrônica, e lançar, é muito boa!’. Começamos diversas sessões em três no estúdio e ficamos muito surpresos com a repercussão! Mas é difícil dizer qual a formula de sucesso. Tudo começa com a música, claro que o marketing é um dos fatores essenciais, mas colocamos muito amor, muito coração e muita verdade nessa faixa, rolou uma energia tão legal, simples e verdadeira. Conseguimos transmitir essa mensagem e isso ajudou a música a estourar”.

 

 

Apesar de hoje ser uma das maiores apostas do país, o músico afirma que ainda mantém os pés no chão: “O sucesso de Hear Me Now veio no momento certo em nossas carreiras, sou muito grato a tudo isso, mas nunca penso em quantos views a música vai ter, e sim se ela transmite a minha verdade. Se um dia eu achar que estou fazendo isso por outro motivo, é hora de parar. Minha maior alegria é ver as pessoas se conectando com as minhas letras e levar um pouco de felicidade a elas”.

Com tudo isso o multi-instrumentalist ainda teve tempo de se formar em Engenharia Civil, cujo projetos de conclusão de curso foi a reforma do seu estúdio, de onde ainda sairão muitas pérolas. Sem exagero, 2017 ainda promete muito para Bruno: “Tenho muitas parcerias e 15 músicas autorais prontas para lançar até ano que vem, de estilos diferentes, umas mais hip hop, mais trap, outras mais rock. Eu apenas sigo o meu coração, tentando passar a minha verdade, do que eu to ouvindo, o que eu gosto de fazer e me divertir”.

 

PING PONG COM BRUNO MARTINI

 

Artista que mais te inspirou tocando ao vivo? 
Steve Angelo

 

Pista de dança preferida no mundo?
Green Valley e Laroc

 

Em que o seu trabalho mais te orgulha?
Fazer as pessoas felizes

 

Como é a sua rotina em SP?
Acordo umas 8h30, tomo café, vou pra academia, volto, tomo banho, vou pro estúdio fazer músicas. Às vezes tem entrevistas ou outras coisas pra fazer, mas volto pro estúdio. À noite tenho aula, estou me formando agora em Engenharia Civil.

 

O que mais te chateia no mercado?
Quando as pessoas deixam a musica de lado

 

Com que artista você gostaria de fazer um b2b?
Carl Cox! A lenda.

 

Qual foi o momento mais feliz da sua carreira?
Quando eu assinei com a Universal, olhei pro lado, meu pai, o Edo, William, meus empresário, Paulo Lima (presidente da Universal), todo o time lá me recebendo porque gostaram da minha música…

 

O que seus colegas mais criticam em você?
Acho que o fato de eu estar sempre no estúdio, e às vezes eu marco uma coisa e me atraso porque não quero sair do estúdio… eles ficam bravos pelos meus atrasos, risos.

 

O que é um bom set, na sua opnião?
Quando o artista consegue colocar sua identidade, se conectar com as pessoas e tornando o ambiente numa energia super positiva e feliz.

 

Uma música que te fez chorar.
Hypnotised – Coldplay.

 

Um live.
Armin only com a banda, as dançarinas… gosto muito de ver uma banda em cima do palco… Disclosure também acho ótimo.

 

Qual o pior erro, na sua opinião, de quem está começando agora?
O pior erro das pessoas é seguir uma regra, uma formula, só porque deu certo para alguns. As pessoas têm que seguir seu coração.

 

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