Por: Lucas Arnaud
Atualmente, a marca “Ultra Music” compõe cerca de 45 festivais em 20 países de 5 continentes. Dias após sua primeira vez no México, o evento voltou ao Brasil para sua segunda edição consecutiva no Rio de Janeiro nos dias 12-14 de outubro. Alesso, Steve Angello, David Guetta, Adam Beyer e Nic Fanciulli são alguns dos grandes artistas que vieram e tocaram para cerca de 90,000 pessoas, se considerados os três dias de festival.
Comparando o line up da edição mexicana com o da brasileira (que estão basicamente equivalentes, guardando-se as proporções do fato do Ultra México ocorrer durante 2 dias de festa), fica claro que as diferenças nessas listas contemplaram estrategicamente as demandas de cada país. Explico: Martin Garrix esteve presente apenas no Ultra México, o que pode ser explicado pelo fato do DJ já ter se apresentado na edição passada do Ultra Rio. A equipe daqui preferiu, por exemplo, escalar o David Guetta (que, por sua vez, não esteve na edição mexicana), que é um DJs mais populares no Brasil e, por ter sido o Ultra Rio seu único show do ano no país, atraiu muitos fãs.
A organização das estruturas do evento claramente foi mais eficiente que ano passado, principalmente pelo fato de tudo ter sido planejado com antecedência (e não cerca de três dias antes, como ocorreu na edição passada devido aos entraves político-burocráticos). A “avenida” do Sambódromo foi muito bem ocupada por vários (tipo, vários mesmo!) food trucks, lojinhas, dentre outros. O palco Resistance (que era o primeiro a ser visto desde a entrada) estava muito elegante, com uma estrutura “em lona” e paineis de led pelas paredes.
O UMF Radio estava bem mais imponente que ano passado, e também melhor localizado, com passagem facilitada para os banheiros. O mainstage tinha o mesmo tamanho do ano anterior, além de contar com o incrível soundsystem padrão Ultra (que é um dos melhores que ja vi, ou melhor, ouvi pessoalmente). Sem mais delongas, escolhi cinco momentos inusitados para relembrarmos sobre o Ultra Brasil 2017, que já está deixando saudades. Portanto, lets go!
1 – Alesso e Anitta no palco principal
Com certeza, esse foi um dos fatos mais inusitados não só do Ultra Brasil, mas de todos os recentes festivais de música eletrônica mainstream. O grande DJ sueco Alesso chama ninguém menos que Anitta, nossa conhecida artista brasileira, para o mainstage do festival no ending do segundo dia. Já sabíamos dessa parceria há alguns meses, quando ambos a revelaram em suas redes sociais. Também era de conhecimento público que os dois estavam na Amazônia gravando o clipe da track (de nome “Is That For Me””, nos dias logo antes do Ultra. O que era especulação seria se Alesso realmente chamaria a cantora durante seu set. Com shows marcados no Rio de Janeiro nas datas do Ultra, ficou óbvio que Anitta daria um pulinho na apresentação – tão óbvio que a página oficial do evento acabou anunciando isso oficialmente, durante o primeiro dia de festival. Esse vídeo postado por um usuário no YouTube resume bem a participação da cantora:
2 – Música eletrônica é inclusão
Foi também nessa edição do Ultra que Tiago Pinto, fã que veio de Fortaleza, roubou a cena e nos mostrou a real essência da música eletrônica: respeito, inclusão e tolerância. E não pararam de surgir na internet vídeos e fotos de momentos marcantes relacionados a isso. Por exemplo:
Sensacional, não?
3 – Steve Angello e… MC LIVINHO!
E o Brasil viu um dos episódios mais imprevisíveis da música eletrônica mainstream: Steve Angello, considerado por muitos um dos mais renomados produtores da atualidade, flertou com funk (e mais, com funk do MC LIVINHO!). E você pode conferir essa “resenha” por si mesmo aqui nesse link. Mais ou menos em 64 minutos de set, Steve utiliza a track “Mc Livinho – Fazer Falta” como break, e “dropa” com “Steve Angello & Third Party – Lights”. E, é claro, o fato das duas produções serem em tom Fá# menor não é coincidência, gerando um mashup coeso em se falando de campo harmônico. E, a partir daí, as opiniões dividiram-se. Fãs “puristas” consideraram a referência uma espécie de sacrilégio, uma heresia contra a música eletrônica. Eu penso diferente. Para mim, Angello quis “brincar” com os fãs presentes, demonstrando senso de humor na escolha da track. E mais: o funk tem recebido cada vez mais referências em sets internacionais. Para citar um exemplo, Salvatori Ganacci, protegé de Sebastian Ingrosso pela Refune Records, é um dos nomes que tem flertado com o funk em sets como o que tocou na última edição da (pasmem!) Tomorrowland Bélgica. Doa a quem doer.
4 – Um presentão inesperado: Adam Beyer b2b Paco Osuna
Aproveito essa parte do texto para abordar o que aconteceu no segundo dia de festival, no qual houve atraso no início das apresentações dos palcos Mainstage e UMF Radio. Tudo indica que isso ocorreu pois a rua que cruza o sambódromo não poderia ser interditada (o que era necessário para o acesso à parte do evento com os 2 palcos citados). Não posso opinar quanto as circunstâncias em que tal problema ocorreu, até porque já está claro que entraves burocráticos são regra no Rio. Dessa forma, o palco Resistance rolou no horário normal (e acabaria às 2 da manhã), enquanto que o resto do evento acabaria atrasado às 4. Eis que o Ultra nos presenteia, de surpresa, com o anúncio de um set b2b de Adam Beyer com Paco Osuna, dois gigantes nomes do techno escalados para o palco Resistance. A intenção seria, pois, ocupar esse stage das 2 às 4am. É interessante notar que, para os mais ecléticos (como eu!), o atraso em questão teve suas vantagens. Eu estava decidido a assistir o Adam Beyer no Resistance, porém de coração partido por perder Alesso, que seria na mesma hora (12:30 às 2:00am) no palco principal. Devido aos contratempos no evento, foi possível assistirmos ambos os sets, visto que Alesso começou sua apresentação nos minutos finais do set de Beyer (lembra que o atraso era só no mainstage e no UMF Radio?).
5: Polícia e ladrão
No mesmo dia do atraso, houveram mudanças na ordem de apresentação dos DJs e o Malaa (DJ francês com foco no g-house e deephouse) foi de warmup (por era um dos primeiros internacionais) a after, pois, na prática, foi o último a tocar. O set foi incrível, e no auge da energia (e mais ou menos aos 30 minutos de set, às 2:40 da manhã) a música para, e somos informados que a policia mandou a festa encerrar. Mais uma vez, a burocracia e a nebulosa atuação governamental afetaram o festival. Poucos minutos depois, nos avisaram que Malaa poderia terminar seu set. E amém! Curtimos o finalzinho do segundo dia até seu verdadeiro fim.
E é isso, galera. Para mim, apesar de toda crítica, o Ultra Rio foi a oportunidade de ver no Brasil (em 2017) nomes como Steve Angello, David Guetta, Malaa, Alesso, Knife Party, Adam Beyer, dentre outros. Temos que considerar que nem toda problemática é culpa dos organizadores do evento, principalmente sabendo do caráter burocrático e, quem sabe, dúbio da atuação de algumas autoridades locais. Sugiro-lhes a leitura deste artigoque detalha a dificuldade de realizar um evento como o Ultra no Rio, baseado na novela burocrática que rolou ano passado. Dessa forma, proponho que passemos a visualizar, também, os perrengues político-administrativos pelos quais passam os organizadores do festival. Mais Ultra no Brasil é mais música eletrônica de qualidade no país. Portanto, eu já estou ansioso para a próxima edição, e vocês? Vem Ultra Rio 2018!
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