Por Bruna Calegari
Após mais de dez anos vivendo da noite, hoje fica claro que o DJ produtor ZAC nunca teria nascido sem a experiência adquirida pelo empresário à frente do club Amazon, Thiago Zacchi, natural de Chapecó (SC). Foi sentindo as respostas do público em cada noite, observando e convivendo com os artistas, que buscou sua própria identidade. Batemos um papo com ele — que já lançou pela Sublime Music, Sony, Universal e LouLou Records — para saber mais sobre o que julga importante no seu universo musical.
PRODUÇÕES
“As últimas lançadas e todas que estão por vir têm muitos timbres percussivos de música brasileira… samba, maracatu e candomblé. Mergulhei fundo nestes estilos para conseguir dar um swing e colocar a energia do brasileiro nestas produções. O house progressivo fez parte da minha formação, então grande parte do que faço tem alguma melodia ou arpegios. Já o rock n’roll trouxe a pressão e atitude que gosto, uma coisa de certa forma punk, que vai meio contra as regras. O importante é deixar o som exatamente como acredito, porque esta é a maneira na qual busco me expressar.”
PROCESSO CRIATIVO
“Normalmente sei o que quero fazer: sento no estúdio com uma ideia na cabeça e tento colocá-la para dentro do programa. Claro, às vezes isso muda no meio do processo, mas é o que me deixa entusiasmado. Produzindo eu me surpreendo de uma maneira positiva, pois a música não tem regras e limites. Gosto de testar várias possibilidades com os instrumentos e criar inúmeras opções para, no final, escolher a que mais curti.”
DJ X PRODUÇÃO
“O DJ precisa entender o ambiente em que está, ter visão de pista para saber como montar um set harmônico e que conta uma história. Na verdade, conseguir construir isso a cada apresentação é o que me motiva a tocar, e me sinto infeliz se não o fizer. Já produzir depende bastante, pra mim, do que estou sentindo e tem muito a ver com objetivo da faixa — não o de assinar com a “label X”, mas com qual sentimento você quer despertar nas pessoas que irão ouvi-la.”

GIG LIFE
“Tenho rodado por boa parte dos clubs do Sul do Brasil e é difícil citar todos os lugares legais, porque são muitos! Acho importantíssimo lembrar a força do interior e dos pequenos núcleos, que têm entregado festas incríveis. Fui surpreendido várias vezes este ano por chegar a uma cidade relativamente pequena e encontrar uma galera super ligada em música eletrônica, com uma pista interessada em ouvir o que eu tinha para oferecer. Sou residente do Amazon, em Chapecó, e da Colours, em Caxias do Sul, dois lugares que são referências no mercado.”
DIA A DIA
“Levo uma vida normal como a maioria das pessoas. Gosto de cozinhar, fazer minha própria comida… Tento me alimentar bem quando estou em casa, pois nas viagens nem sempre é possível. Equilibrar a diversão e trabalho é importante, até porque precisamos nos cuidar. Por isso fazer exercícios é essencial para conseguir aguentar a rotina.”
INSPIRAÇÕES
“Minhas inspirações não são somente musicais, e admiro muito o ser humano (artista) que está por trás das obras que ouço e vejo. Sou fã daqueles realmente comprometidos com o que fazem respeitando o público, que é quem move tudo que realizamos. Ao longo dos anos tive o prazer de conhecer pessoas incríveis que trabalham com música, a maioria delas anônimas, porém apaixonadas por criar e inovar.”
DIVERSIDADE
“O que mais me fascina é a possibilidade de misturar os estilos e tentar criar algo novo, pois há sempre o que ser desenvolvido independentemente do gênero. Meu professor de música é instrumentista em uma igreja, e me ensinou a criar grooves fodásticos! Também costumo ir seguidamente para o estúdio com um amigo do rock’n’roll e toda vez aprendo uma coisa nova, abrindo a cabeça para mais possibilidades de criação. O intercâmbio enriquece, faz você ser menos intolerante musicalmente.”
