Por Alan Medeiros
Fim de semana especial para a música eletrônica de Santa Catarina. No Sábado o Warung recebe de volta dois heróis da dance music: Laurent Garnier e Rodriguez Jr. A festa é uma das mais importantes da programação de verão do club e, além dos franceses, apresentará três residentes – Leo Janeiro, Leozinho e Boghosian – e o local Nezello. Nezello é de Balneário Camboriú, mas tem cada vez mais rompido as fronteiras da cidade natal. A estreia no “Templo” – club que serviu como uma espécie de escola da música para sua formação – é um presente pela grande fase da carreira e de seu núcleo, Seas, que comanda ao lado da também residente do Warung, Aninha. A nosso convite, ele respondeu algumas perguntas em antecipação a esta data especial.
Tocar no Warung faz parte do sonho de muitos DJs brasileiros. O que essa conquista representa na sua vida pessoal e profissional?
É a realização de um sonho e caracterizo assim essa etapa da carreira, olhando para o lado pessoal. Me mudei pra Balneário Camboriú em 2012. Logo de cara estive no club e a primeira vez foi como um batizado de boas-vindas. Não apenas uma festa, mas aquela noite mudou a forma como enxergo a música até hoje. Contei para os meus pais, meu irmão, amigos de Joinville… mostrei fotos, vídeos… tudo! Havia uma troca de energia muito grande e desde então o Warung virou minha segunda casa. Quando não estou tocando em outros lugares, é para lá que vou curtir com meus amigos. Receber o convite para estar entre grandes artistas nacionais e internacionais naquele que considero o melhor club do mundo, aqui do lado de casa, responde todas as minhas perguntas pessoais. Agora sim posso acreditar que estou no caminho certo.

Além do Warung, você já carimbou passagens por outros clubs importantes da região Sul, não é mesmo? Fale um pouco sobre essas experiências e como te ajudaram a se firmar como artista.
Penso que todo artista tem que se reinventar de tempos em tempos para estar atualizado em relação ao que move seu meio. O que me alimenta nesse processo são essas passagens por clubs que possuem uma grande relevância no mercado – no meu caso: Vibe, Terraza, Amazon, Belvedere, El Fortin, Green Valley, P12 e outros que me fizeram absorver boas experiências. Vejo também que minha versatilidade veio com o tempo, tocando em festivais com duas ou mais pistas de estilos diferentes, aonde não há apenas um público que sabe o que vai tocar, mas também o que está ali para uma festa entre amigos ou celebrar a música.
No início da minha carreira, em Joinville, evolui muito participando do The Garden, Adore e outros eventos importantes na região. A House Mag me ajudou igualmente, com suas label parties que me abriram muitas portas e foram essenciais para que eu pudesse me inserir no mercado. Tudo estava no começo e ter amigos por perto foi sempre muito importante. Não posso esquecer das minhas residências: Field Club, Sonnora e Magic Island, que também foram fundamentais.
Sua festa, Seas, vive um momento muito especial. Quais foram as principais conquistas em 2017 e o que mudou depois da entrada da Aninha?
Bom, tenho a Seas como uma filha que vem sendo apadrinhada por grandes amigos que estão crescendo junto com ela também. O que o núcleo conseguiu fazer com todos os envolvidos considero uma das minhas principais conquistas. Residentes, designers, produtores e o staff são o real sentido de tudo o que estamos colhendo hoje. Até o Carnaval iremos bater a marca de 25 festas, divididas entre os formatos view, tours e as edições normais. Nestes eventos conseguimos movimentar desde núcleos parceiros e artistas locais, até nacionais e internacionais também. A evolução de cada envolvido no projeto tem sido o combustível para seguirmos remando de forma consistente. Depois da entrada da Aninha, como sócia, tudo se tornou mais profissional. A experiência e bagagem que ela agregou, ao lado do meu irmão Sharles na administração, permitiu que formássemos uma engrenagem funcional. A visão sobre negócios e o feeling de mercado eram o que faltavam para nossa consolidação. Isso sem falar no que representa como artista e da oportunidade que temos de conviver com ela.
Ainda sobre a Aninha, o que representa pra você trabalhar ao lado dela?
É uma ídola, amiga, irmã, segunda mãe e sócia. Tenho ela como uma joia rara, aquela pessoa que aparece na sua vida e dá luz aos seus passos. Conheci a Aninha na primeira vez que sai para uma festa na Adore: lembro exatamente da noite e até que batemos uma foto juntos [risos]. Nos encontramos algumas vezes depois disso e mesmo sem muita intimidade, sempre pedia algumas dicas e ela nunca me negou ajuda. Hoje, estar ao lado dela, trabalhando e fazendo nossos projetos individuais crescerem, tem sido uma lição e um aprendizado gigantesco. Ela é uma pessoa do bem.
Sabemos que você tem uma agenda de compromissos paralela a música bastante corrida. Como tem projetado suas produções em meio a esse caldeirão de transformações do dia-a-dia?
Após receber o convite do Albuquerque para fazer parte da Radiola e lá conhecer o Haustuff, com quem aprendi tudo o que sei sobre produção até hoje, convivi com o time da gravadora diariamente e tive contato com outros artistas de lá. Com eles aprendi que para você alcançar seus objetivos na produção são necessários dois fatores: tempo e foco. Hoje minha vida é dividida entre a carreira de DJ e outros projetos paralelos: Turn, Seas, Legend e por fim o Higor. Sim! É necessário reservar um tempo para você mesmo, coisa que tem sido bem difícil.
Durante muito tempo me senti perdido e queria saber como dar conta disso tudo. Dividi horários e hoje tenho conseguido dar foco a tudo o que preciso. Durante o verão vivo mais para a Turn, uma loja de vestuário no centro de Balneário Camboriú. No inverno é a época que consigo me dedicar a produção musical – minha rotina é dividida em estações [risos]. Neste sábado, inclusive, apresentarei na pista algumas novidades minhas à vários amigos e pra quem acompanha meu trabalho. Espero todos lá!
