Por Alan Medeiros
Foto de abertura: divulgação
Arthus não está trabalhando para ser apenas mais um DJ e produtor no cenário internacional. Com muita força de vontade, determinação e, claro, talento, ele tem reverberado o seu trabalho em diferentes frentes, e de uma maneira muito especial.
Com a produção, ele conquistou o respeito de labels e produtores de dentro e fora do Brasil. Discotecando, tem entregado ótimos sets por onde passa. Com o seu selo Totoyov, além de ganhar a confiança de artistas talentosos para trabalhar as suas faixas, há também uma série de suportes de nomes do calibre de tINI e Marco Carola. A criatividade de Arthus, somada a precisão de seus trabalhos, o credenciam para um futuro promissor na música eletrônica brasileira. Aproveitando a sua boa fase na carreira, falamos com ele.
HM – Nos últimos anos, a Totoyov passou de um pequeno selo independente para uma marca respeitada na música eletrônica nacional. Como foi possível tamanho desenvolvimento em tão pouco tempo?
Bom, muitas pessoas me fazem essa pergunta, mas é algo que eu não sei responder. Não existiu fórmula mágica para que as coisas acontecessem. Meu foco com relação a Totoyov foi sempre o de me doar ao máximo a ela. Posso dizer que hoje ela é minha filha e dedico boa parte do meu tempo a este projeto. Então, acho que o desenvolvimento veio com muito trabalho, não tem segredo.
HM – De que forma a sua residência na Ello contribuiu para a evolução do seu perfil de discotecagem?
A Ello é minha família dentro e fora da música, posso contar com todos do coletivo para qualquer coisa. As coisas são leves com eles, então se você se sente bem em algum lugar, você vai ser melhor. É como um trabalho, se a empresa te faz bem, você vai estar sempre motivado e pensando em como melhorar. Desta forma também acho que é na música, quando o ambiente é bom dentro e fora de “campo” as coisas fluem melhor.
HM – É possível perceber que os seus lançamentos não saem pela Totoyov e sim por outras labels, nacionais e internacionais. Há alguma razão para isso?
Eu não vejo necessidade de lançar algo por ela nesse momento, gosto de caminhar com as duas coisas em direções diferentes. De fato eu não preciso lançar algo pela Totoyov para que todos associem ela ao meu projeto artístico. Ao enviar demos, gosto de receber críticas e ouvir não, se a gente se acomoda, acabamos relaxando e perdendo o gosto pela coisa, pensando desta forma eu gosto do padrão que é enviar e-mails com as minhas faixas. Além disso, têm os convites de amigos, como por exemplo o convite de voltar a AiA Records, da Aninha, para um VA comemorativo com vários amigos.
HM – Quão decisiva para a sua carreira foi a mudança de Brasília para Balneário Camboriú? O que você guarda de melhor da época vivida na capital federal?
Amadurecimento profissional e pessoal. O que eu guardo de melhor são as pessoas, fiz excelentes amigos que tenho contato até hoje, sem falar as noites que toquei no 5uinto, dividindo a cabine com grandes nomes do cenário nacional e internacional. Lá foi onde tudo começou e sempre vou guardar isso comigo.
HM – Durante muito tempo o seu som foi mais conectado com o deep house. Atualmente, você está flertando mais com o minimal, certo? Poderia falar mais sobre cada uma dessas fases e as razões que o levaram a essa mudança?
Música é mais inspiração do que qualquer outra coisa. Eu nunca sentei na frente do computador e imaginei o que produzir, simplesmente faço e o que sair saiu. Acredito que as coisas se tornaram mais minimalistas devido ao fato do meu cuidado em selecionar melhor os timbres. A mudança é algo natural no ser humano. Às vezes você muda sem saber e meus sons, pelo menos aos meus ouvidos, continuam sendo deep house. Eu tenho foco na parte melódica, mas de um tempo pra cá me foquei em bateria, e isso acaba dando a peculiaridade minimalista também. Amo deep house, meus artistas favoritos são desse gênero, existe muita musicalidade no estilo, timbragem, construção e interpretação, música precisa ter alma.
HM – Pessoalmente e emocionalmente, quais são os principais desafios de uma carreira na música eletrônica?
Existem inúmeras, eu listaria mil delas, mas acredito que o mais difícil está em conseguir apresentar o seu trabalho de uma forma natural e não forçada. É muito complicado bater de frente com um bom marketing e um apadrinhamento. Infelizmente, acho que o mais difícil está nisso. O gratificante de remar contra a maré é que quando você aparece de forma natural é muito especial.
HM – Quais são os principais projetos que você está trabalhando para 2018?
Meu foco atualmente está voltado para a Totoyov e para as minhas produções. Ainda em 2018, voltamos com a Room 343, projeto o qual tenho a honra de fazer parte no At Home. Tem também a festa de três anos da Totoyov, em agosto/setembro, além de muitas coisas que ainda estão no papel. Mas o principal projeto é continuar trabalhando muito para acrescentar algo às pessoas através da música.
