Por Breno Loschi e Ellen Tapias
Foto de abertura: Image Dealers
Após três anos de hiato, o Kaballah Festival retornou ao Hopi Hari para a comemoração de seus 15 anos. O evento aconteceu no dia 19 de maio, no parque de diversões em Vinhedo, a aproximadamente uma hora da capital paulista. Nesta edição, foram cinco palcos: Só Track Boa, elrow, The Masquerade, Michael Deep e Psycho Roots (para todos os gostos). Os stages foram todos muito bem decorados e com soundsystem de primeira.
Já que estamos em um parque, dale brinquedos! Durante o evento, qualquer um podia se divertir em uma das 14 atrações. O festival também contou com uma loja do Kaballah e do Só Track Boa, oferecendo diversos produtos como copos personalizados, camisetas, bonés e outros souvenirs.
Logo de cara, fomos todos muito bem recepcionados pelo o palco Masquerade, selo criado por Claptone, DJ e produtor alemão. A máscara, marca registrada do artista, foi a decoração principal do palco em frente a roda gigante, ocupando o antigo espaço da Dirtybird, na última edição em 2015. A pista ficou pequena para a grande quantidade de pessoas, dificultando a passagem, principalmente, quando o mascarado tocou. Nomes como Maximono, DJ Glen, Bruno Furlan, Mat.Joe, Fatnotronic, Fran Bortolossi e Volkoder fizeram parte da escalação do line up.
Dando continuidade aos palcos, fomos para o Só Track Boa. Além de receber uma estrutura visual nobre, grandes nomes nacionais comandaram a pista, entre eles, os que já fazem parte dos line ups das turnês nacionais da marca, que é considerada uma das maiores labels de música eletrônica do país. O palco foi o principal do evento, com estrutura de alta qualidade, construída em formato triangular e dividida por três camarotes e a ala do DJ no térreo, sendo também revestida por vidros espelhados, com acústica e iluminação “fora de série” e elogiadas pelo público. O local, embora suficientemente grande para comportar o número de pessoas esperadas, não conseguiu segurar todo o público, que teve dificuldade para dançar e se locomover.
Entre as atrações do palco Só Track Boa, o público elegeu, primeiramente, o back-to-back dos DJs Elekfantz e Gui Boratto. Ambos apresentaram um set muito bem construído, com músicas de qualidade excepcional. Foi uma dobradinha dançante e que fez o público viajar, espalhando boas energias e felicidade a cada drop. Boratto uniu seu dom incomparável com a energia estonteante do Elekfantz. Vale ressaltar que nada, nem mesmo as fortes chuvas que rondaram o local, desanimaram a pista ou a apresentação dos mesmos. Um dos integrantes do duo, Leo Piovezani, animou o público com a sua performance na bateria, literalmente chamando a galera, esquentando o clima para o Vintage Culture, que tocou logo em seguida.
Super esperado pelo público presente, o set do Vintage Culture foi bem elaborado, com músicas e remixes que já são conhecidos pelos fãs que o acompanham e que também são tocados em outros festivais e eventos, dos mais variados portes, por seus colegas de profissão. A introdução do set foi assinada por “Radioactive”, remix para o hino do Imagine Dragons, produzido pelo Vintage em parceria com Religare, que trouxe uma energia extraordinária para os fãs, que se uniram em um só coro.
Outros nomes que marcaram a noite foram Gustavo Mota, com seu set altamente enérgico e que não deixou ninguém parado; a destruidora de pistas aka Groove Delight, que apresentou um set com muito grave desde o início; e Chapeleiro, encerrando a sequência até o final do evento, com uma hora e meia de apresentação e um som que levou o público às alturas. Entre as atrações, também se apresentaram nomes como Dashdot, Cat Dealers, Bruno Be, Gabriel Boni, Chemical Surf e Pimpo Gama.
Caminhamos um pouco mais e chegamos ao Michael Deep, um dos menores palcos em tamanho e área limite de público, que recebeu nomes em ascensão como KVSH, Shapeless, Dubdogz, Liu, JØRD, entre outros. Distante dos demais palcos do evento, o palco foi considerado aconchegante para comportar o público. Uma grande vantagem da sua localização era a proximidade dos caixas, bares e banheiros. Durante as primeiras apresentações, a pista ficou um pouco mais vazia, até que ao final do set do mineiro LOthief, que tocou embaixo de chuva durante uma hora e meia de apresentação, o público começou a movimentar o local. Logo em seguida, KVSH deu o seu recado. Após a sua apresentação, o palco não esvaziou por nenhum momento e a energia do público contnuou com muito agito e animação.
Outro detalhe que chamou a atenção do público no palco Michael Deep foi o retroprojetor usado no muro próximo ao palco, que homenageava os DJs do line up com uma caricatura. A segurança foi também um ponto alto. Seguranças ficaram no local em tempo integral, garantindo que não houvesse invasões em pontos cegos no local do evento.
Quanto ao palco Psycho Roots, podemos afirmar que foi um dos palcos mais animados, com uma área de grande capacidade de público, preenchida pelos fãs do psytrance. O palco ficou posicionado em um ponto bem acessível, próximo ao palco elrow e da montanha russa Katapul. A distância dos outros palcos foi um grande benefício, uma vez que contribuiu para a preservação e a identidade musical. Com ares de psicodelia, estilizado em formato de flor, com canhões de luz e fumaça, soundsystem de alta qualidade e um grave potente e bem equalizado, o palco, sem tendas na parte superior e com um gramado, teve a pista transformada em lama após a forte chuva na parte da tarde.
O Psycho Roots recebeu nomes nacionais de destaque, como Claudinho Brasil, Element, Vermont e Vegas, além dos internacionais Neelix, Major7, Mandragora e Paranormal Attack. Entre as atrações mais ovacionadas pelo público, Claudinho Brasil, Neelix e Vegas, responsáveis por trazerem a essência “raver” para o palco. Foi um palco muito elogiado pelo público, não somente por seu estilo único, mas também pelo quesito segurança.

Momento pura emoção com Neelix e Vegas
Foto: Image Dealers
Chegamos ao elrow e seu fantástico mundo Bollywood, tema do palco, que contou com explosões de papel picado, personagens, show de cores, sedas e incensos, sem contar o line up bem escolhido, garantindo uma noite fantástica e divertida. Foi um espetáculo único! Pela segunda vez no Brasil, o palco transformou o parque de diversões Hopi Hari na festa mais louca do mundo. Com origem na Espanha, o elrow teve início em 2010, com edições em Barcelona e Ibiza. Rapidamente se transformou em uma marca itinerante, que percorreu mais de 60 cidades do mundo, como Londres, Miami, Roma, Shangai, Santiago e Tel Aviv. Ao longo das suas edições, recebeu DJs como Adam Beyer, The Martinez Brothers, Sasha, Matador, Carl Cox e Joseph Capriati. No ano passado, teve um palco exclusivo no Tomorrowland da Bélgica.
Alex Stein, Aninha, De La Swing (residente da elrow), L_cio, Oliver Huntemann, Sven Väth, Kolombo, Sonny Fodera e Fancy Inc. foram os artistas escalados para compor o line. Um desfalque na escalação foi Sam Paganini. Com o cancelamento do artista em cima da hora, Oliver Huntemann teve o seu horário adiantado e De La Swing ganhou um set com mais tempo.
De modo geral, o festival foi bem organizado e com atrações de peso, abraçando diversas vertentes. Apertou? Banheiros de fácil acesso e sem muitas filas, o que não podemos dizer sobre a chegada do público ao evento. Com o número elevado de pessoas, filas se formaram para entrar no parque, um teste de paciência para quem queria curti o evento.
