Por: Alan Medeiros
Laurianna Rodrigues é natural de Porto União, Santa Catarina, mas atualmente vive em Curitiba. Foi na capital paranaense que ela se aproximou de fato da música eletrônica. O que no início era uma grande paixão, está se tornando um negócio sério, com grandes resultados obtidos mesmo em curto espaço de tempo. A jovem DJ é residente da festa Girls Plays Techno do Zeitgeist e no mês passado se apresentou no Warung Day Festival. Agora, recentemente, ela embarcou no maior desafio de sua carreira: comandar a pista do Garden no Warung, durante o showcase da Kaluki. Confira nossa entrevista exclusiva com a artista, às vésperas desse grande evento.
HOUSE MAG – Olá, Laurianna! Você é residente da festa Girls Plays Techno, do Zeitgeist. Fale um pouco a respeito das experiências que você adquiriu tocando no evento.
LAURIANNA – Oi Alan!! Bom, a Girls Play Techno surgiu na metade do ano passado, praticamente no mesmo momento em que eu comecei a tocar no Zeitgeist e isso fez com que eu participasse do projeto desde o início. Nos eventos eu tive oportunidade de tocar com grandes artistas, como Blancah, Emmy Betiol, Dot Chandler, Amanda Mussi, entre outras. Isso foi muito importante pra mim, pois observar diferentes artistas tocando sempre nos agrega algo, seja na forma de apresentação, envolvimento com o público ou construção de set, é sempre um conhecimento a mais. Outra questão é que eu sempre toquei em horários diferentes, às vezes fazendo warm up, às vezes no meio ou final da festa, e isso fez com que eu pesquisasse cada vez mais para tocar um som adequado para o momento, o que na minha opinião é muito importante.
HM – Recentemente você estreou na Vibe, uma das pistas mais importantes do Brasil. Como foi a preparação para essa estreia e o que esse momento representou na sua carreira?
A estreia na Vibe foi incrível. Na primeira noite em que toquei lá fiz o warm up pra Aninha, que é uma das artistas brasileiras que eu mais admiro. Fiquei dias me preparando e selecionando as músicas pra que o set fosse perfeito para entregar a pista pra ela. Na segunda vez abri para Fabo e HNQO, que são outros artistas que sempre acompanhei e admirei. Pra mim estas noites resultaram num sentimento de conquista muito grande, pois foi na Vibe que eu comecei a conhecer melhor a música eletrônica quando me mudei para Curitiba há alguns anos atrás, então tocar no palco desse club significou muito pra mim.
HM – Ao contrário da ocasião da Vibe, sua estreia no Warung Day Festival aconteceu totalmente de surpresa. Naquele momento, você se sentia 100% preparada para encarar o desafio ou aceitar a oportunidade era simplesmente a única opção?
A apresentação no Warung Day Festival foi completamente inesperada, me fizeram a proposta um dia antes do festival, e claro que era uma oportunidade completamente irrecusável. Eu já estava ha algumas semanas pesquisando e me preparando para tocar no Warung Beach Club, e acho que devido a isso me senti mais confiante para encarar esse desafio. Foi um dia muito especial, eu nunca tinha tocado para um público tão grande. O dia estava maravilhoso, todos os meus amigos estavam lá e o set encaixou perfeitamente para o momento.
HM – Ainda falando sobre estreias… esse fim de semana (atualização: final de semana passado) certamente será um dos mais especiais da sua vida, já que você irá tocar pela primeira vez no Warung Beach Club. O que representa pra você essa conquista? Como está sendo a preparação?
Sábado será um grande sonho realizado pra mim! O Warung foi um dos lugares que mais me motivou à entrar no mundo da música, pois foi onde tive a oportunidade de ver os meus artistas preferidos tocando. Desde que eu recebi o convite meus dias tem sido de preparação e pesquisa constante, como vou abrir a pista do Garden que nessa noite recebe o Kaluki Showcase, com grandes nomes internacionais do tech-house como wAFF e Richy Ahmed, procurei ouvir os sets desses artistas e busquei referencias que combinassem com o estilo deles mas que ao mesmo tempo não fugissem do meu, com a ideia de criar uma harmonia entre os sets da noite.

HM – Certamente você possui mulheres incríveis como referência dentro do mundo da música… quais são?
Muuitas mulheres da cena me inspiram!! Algumas delas são: Julia Govor, Nina Kraviz, Nastia, Ellen Alien, Sonja Moonear, Vlada, Margaret Dygas, Oshana, Aninha, Tish, tINI, Emmy Betiol e Dana Ruh.
HM – Você já deve ter ouvido falar muitas vezes que o seu estilo de som não “combina” com sua aparência. De uma certa forma, você se sente incomodada com esse tipo de questionamento?
Já ouvi alguns comentários como esse, mas nenhum veio de uma forma negativa e jamais seria algo que iria me incomodar. Acho que para as pessoas é sempre uma surpresa ouvir uma menina tocando techno, que é o estilo de som que predomina nos meus sets. Até acho que esse contraste muitas vezes traz efeitos positivos.
HM – Esse é um assunto importante e deve ser abordado aqui na coluna Mulheres na Cena. Na sua visão, falta espaço para as mulheres nos line ups? O que pode ser feito para melhorar esse quadro?
Acredito que as mulheres estão ganhando cada vez mais espaço na cena. Muitas meninas boas estão aparecendo e mostrando que vieram pra fazer a diferença. Hoje vejo muito mais mulheres nos lines do que há alguns anos atrás e isso mostra que essa questão de gêneros já não faz muita diferença. É claro que ainda é preciso fazer algumas pessoas mudarem essa visão de que mulher não tem capacidade, até por que esse discurso ultrapassado e totalmente preconceituoso! Mas isso é questão de tempo, pois estamos provando que podemos realizar os mesmos feitos que os homens, e estamos fazendo isso lindamente :)
HM – Para finalizar, gostaríamos de saber quais são os seus principais sonhos e aspirações dentro da música. Obrigado por falar conosco!
Tenho muitos sonhos na minha cabeça, mas meu objetivo principal no momento é adquirir mais conhecimento técnico em música. Ainda tem muita coisa que quero aprender, uma delas é tocar com vinil e a outra é produzir meu próprio som. Também quero realizar alguns projetos que venho trabalhando há um tempo que reúnem arte, moda e música. Outro sonho meu é levar a música para lugares que ainda não tem acesso constante à ela, é o que venho tentando fazer há algum tempo com um grupo de amigos meus, produzindo eventos e levando artistas diferenciados para a cidade onde nasci e cresci (Porto União – SC), com a finalidade de divulgar e propagar os diferentes estilos da música.
Obrigada pela oportunidade!
