Por: Gabriela Loschi
Tradução: Flávio Lerner
Eles lançaram seu novo projeto, Customer, há pouquíssimo tempo e apresentaram oficialmente na primeira festa da mobilee no Off Sónar em Barcelona (Fact Music Pool series), no dia 16 de junho. Foi lá que encontramos pessoalmente os veteranos do techno e respeitadíssimos Alan Fitzpatrick e David Robertson, o Reset Robot, que além de amigos e bros confidentes de infância, lançam constantemente por selos respeitados como o Drumcode e agora “debutaram” na mobilee records.
Foi uma conversa descontraída, pouco antes da gig na cidade espanhola, que passou por outros assuntos além da amizade e do novo projeto dos dois.
Com vocês, Alan Fitzpatrick e Reset Robot, apresentando Customer:
HOUSE MAG: Olá pessoal! Um prazer encontra-los pessoalmente. Onde vocês estavam? Acabaram de chegar aqui em Barcelona?
Alan Fitzpatrick: Olá! O prazer é nosso! Sim, cheguei faz umas duas horas. Vim da minha casa (na Inglaterra).
David Robertson: Estou aqui já faz umas duas horas também. Toquei ontem à noite, no Underclub. Foi bem bacana.
HM: Falem sobre o “Customer”, esse novo projeto que vocês têm testado há um tempo mas que debutam hoje oficialmente, correto?
DR: Sim, já andamos tocamos por aí… A primeira vez foi em Londres, em um club bem pequeno, e com transmissão pela Be-At TV. Também tocamos no Jaded, em Londres.
AF: Sim, e depois levamos o projeto para Berlim, foi bem divertido… Mas hoje é mesmo o debut oficial do Customer, eu acho, porque estamos lançando o projeto pela mobilee [records], então este será o evento oficial, pelo selo.
HM: Por que vocês escolheram a mobilee para lançar o projeto?
DR: É um selo muito bom, com um bom trabalho de following, sempre lançando música de qualidade…
AF: E o nosso som encaixa muito bem com a proposta deles.
DR: É, acho que esse é o principal motivo, na verdade. É muito bom encontrar pessoas que realmente acreditam na música que você está criando.

Reset Robot aka David Robertson / Foto Facebook page
HM: E imagino que eles tenham dado total liberdade pra vocês criarem esse projeto… Vocês dois já lançaram por vários outros selos. Alguma vez já passaram por restrições ou uma tentativa de direcionar a música?
AF: Não, não… Com o Customer, o pessoal da mobilee pediu pra que a gente criasse algo fresh, como uma colaboração oficial. Porque na verdade já colaboramos há anos no estúdio, mas nunca tínhamos lançado formalmente com um nome próprio.
HM: Nesse novo projeto de vocês, estão tentando criar um novo som?
DR: Não necessariamente. Nós estamos apenas nos juntando, experimentando com ritmos, baterias, samples diferentes, e aí simplesmente surgimos com o que sai disso. Não gostamos de nos prolongar demais na produção.
AF: Fazemos música sem muitas restrições e preocupações. Se for lançado será lançado, e se rolar, vamos tocar essa faixa.
DR: Temos muitas músicas finalizadas que ninguém ouviu ainda. Temos coleções de sons, coisas mais ambient, que vamos explorar mais em algum momento, mas não necessariamente como Customer — acho que encontramos um ótimo som pra esse projeto. Na verdade, não vamos ao estúdio já há um tempinho. É bom voltar a ele e ver o que surge depois.
AF: No começo fizemos muita música, e agora estivemos basicamente testando esses sons pelas pistas.
HM: E foi assim então que surgiu o projeto?
AF: Sim, basicamente. Antes chegamos a fazer música sob outros projetos, mas não tínhamos um nome; estávamos apenas compondo juntos. Aí “Customer” surgiu quando sentamos pra ouvir um pouco do que tínhamos, e optamos por esse codinome.

Alan Fitzpatrick / foto Facebook page
HM: Por que Customer? Tem alguma história por trás desse nome?
AF: Na verdade não. Queríamos algo curto, simples, fácil de pegar, que soasse bem, mas não tem nenhum motivo especial por trás dele.
DR: Poderíamos ter chamado o projeto de qualquer coisa. Quando você pensa num nome, em um primeiro momento sempre soa meio bobo.
HM: Alan, o que você mais gosta no David?
AF: O nariz dele [risos].

Reset Robot / foto Facebook page
HM: Como é trabalhar com ele?
AF: Eu gosto, na verdade eu não sei como é não trabalhar com ele, pois desde que somos muito jovens nós estamos no estúdio juntos, então…
HM: Tem algo nele que seja difícil de lidar?
AF: Não. Bom, talvez ele fique tempo demais num mesmo sample… Ele fica tipo: “A gente precisa trabalhar melhor nisso”, e eu: “Não, já tá pronto!”.
HM: E quanto a você, David, o que mais gosta no Alan?
DR: No estúdio, gosto da abordagem direta dele. E no geral, somos melhores amigos, então…
HM: Isso diz tudo…
AF: É, nós estamos sempre juntos — socialmente, musicalmente, profissionalmente… Basicamente fazemos tudo sempre em dupla, por nossa vida toda. Somos amigos desde os nossos 15 anos, das primeiras namoradas até hoje em dia. Então não tem nada que ele não saiba sobre mim ou que eu não saiba sobre ele.
HM: E tem algo que você ache difícil em trabalhar com o Alan, David?
DR: Ele nunca me deixa terminar uma frase.
AF: É, eu não sei por que, mas acho que eu faço isso mesmo, não só com ele, mas com todo mundo [risos].
HM: E onde vocês querem chegar com esse projeto? Pretendem seguir como Customer por um bom tempo? Chegam a fazer planos?
AF: Acho que enquanto estiverem nos bookando e nós estivermos curtindo fazer as músicas, não tem por que terminar. O Customer é um projeto que queremos tocar em paralelo com nossas carreiras solo.
DR: É, definitivamente o projeto não tem um prazo de validade. Pode durar dois ou dez anos, não fazemos ideia. Enquanto estiver bom pra gente, seguiremos.
HM: Vocês já tocaram em muitos lugares pelo mundo. Existem países em que as pessoas entendem melhor a proposta de vocês do que outros?
AF: Difícil dizer. Na Europa encontro pistas de dança em que o público conhece melhor a música, é um pouco mais educado. Toquei recentemente nos Estados Unidos e é um pouco mais complicado. Quero dizer, os clubs estão sempre cheios e as pessoas estão se divertindo, mas não existe um espírito coletivo — as pessoas estão mais autocentradas.
HM: Onde você tocou nos EUA?
AF: Na última turnê, toquei em Washington, Seattle, São Francisco, Nova Iorque… Eu gosto desses lugares, mas não é tão legal quanto na Europa. Já a América do Sul foi sensacional! Estive na Argentina há umas semanas atrás e foi um dos lugares que mais gostei de tocar.
HM: Você ficou sabendo sobre o que rolou em Buenos Aires, no Time Warp?
AF: Sim, foi triste.
HM: Tocou lá antes ou depois do incidente?
AF: Foi depois.
HM: E como estava o clima?
AF: Estava bom, tudo bem, as pessoas curtiram, tivemos uma boa festa. Quando você toca lá é um grande acontecimento, e o público aprecia muito, porque você só vai lá uma ou duas vezes por ano. Na Europa, as pessoas podem nos ver 10, 20 vezes…
DR: Eu concordo com o Alan, há lugares em que as pessoas entendem melhor a música. Você tem clubs como Berghain, Panorama Bar, Fabric, onde as pessoas reagem aos elementos mais sutis das músicas, e isso faz uma diferença enorme. Mas você não encontra isso toda hora.
AF: Na Fabric e no Berghain você pode tocar o que der na telha e as pessoas vão curtir.
HM: Falando um pouco cobre o Berghain, agora surgiu essa história de estarem construindo um complexo familiar na área, o que poderia fazer com que o club eventualmente feche. Vocês acreditam que isso seja possível?
DR: Ah, nunca se sabe. Quantas vezes já ouvimos que a Fabric poderia fechar?
AF: Mas vai ser definitivamente um dia triste quando o Berghain fechar, porque é um lugar único. Mas também vai significar o nascimento de algo novo; sempre que algo fecha, surge outra coisa tão boa quanto. Havia algo antes dele, e vai haver algo depois. Nada dura pra sempre, especialmente quando falamos de clubs. Se o Berghain por acaso fechar, vou ficar muito curioso pra ver o que os donos dele vão fazer.

Alan Fitzpatrick / foto Facebook page
HM: Alan, tem alguma coisa que você não saiba sobre o David e gostaria de perguntar?
AF: Hmmm, não sei… Casa comigo [risos]? O que você achou do novo Reason 9?
DR: Ainda não usei ele, mas andei acompanhando os testes e me parece muito bom. Tem novos features e algumas mudanças que as pessoas deviam estar pedindo há um bom tempo. O novo arpeggiator parece bem divertido. E também esse encode, que te permite tocar melodias bem complicadas, sem errar.
AF: Eu vou usar ele na nova noite do Customer [risos].
DR: É, acho que ele vai ser lançado na semana que vem, então eu vou ser um dos primeiros a baixar o programa.
HM: E o que você perguntaria pro Alan?
DR: Hmmm… Meu Deus [risos]! Não sei… Qual foi o nome do seu primeiro animal de estimação?
HM: Você gosta de pets, Alan?
AF: Sim, tenho muitos. Eu tive um buldogue, Bubendly, que foi meu primeiro cachorro.
HM: Ok, vocês têm que tocar agora, né? A conversa estava muito agradável, foi um prazer conhece-los!
Alan e David: O prazer foi todo nosso, obrigado!
