Por: Lucas Arnaud
Após o acontecimento do grande festival Electric Daisy Carnival no Autódromo de Interlagos em 2015, em São Paulo, o CEO da Insomniac, Pasqualle Rotela, se empolgou e de cara anunciou em seu instagram que o EDC voltaria ao Brasil no próximo ano, ou seja, em 2016. Chegando perto da data estimada pelos fãs para o anúncio oficial do festival (baseando-se nas datas da edição passada), não houve manifestação por parte da Insomniac acerca da venda de ingressos.
Dessa forma, os fãs ficaram sem mais noticias sobre a possibilidade de ocorrer ou não o evento – e especulou-se assim que o cenário de crise no país (e a consequente alta no dolar) inviabilizaram a realização a curto/médio prazo do evento. Dito e feito: recentemente, confirmou-se por fontes oficiais que a edição 2016 do evento estaria descartada, havendo a possibilidade (nem um pouco confirmada) de o EDC ocorrer em 2017 e se tornar um evento bienal (que ocorre de dois em dois anos).
Nesse contexto (e para a tristeza de muitos) outro aclamado festival parece, aos olhos de muita gente, seguir o mesmo caminho do EDC: o Tomorrowland Brasil.
O primeiro indício que temos da possibilidade de o evento não ocorrer são as datas. Vamos lembrar algumas: o pré registro da Tomorrow Brasil 2016 ocorreu em 22 de julho, e as vendas começaram no dia 12 de setembro. Portanto, considerando uma possível Tomorrow Brasil 2017, essas datas ja teriam passado, e os organizadores não conseguiriam manter o padrão das datas das edições passadas (que ocorrem no começo de maio ou no final de abril, aproveitando o feriado de Tiradentes no caso da edição de 2016).
Outro fator desanimador seria a provável queda no nível do line que poderia haver da edição 2015 e 2016 – e isso é facilmente explicado: o dolar tinha seu valor em cerca de 2,2 reais no final de 2014 (quando ja começava a se pagar os custos da edição 2015 do festival) – valor esse que chegou a cerca de 3,6 um ano depois. Ou seja, digamos que um DJ custe 10 mil dolares (hipoteticamente); na edição 2015 ele custaria 22 mil reais, enquanto que na 2016 esse valor seria de 36 mil reais (quase o dobro!). Você poderia pensar: “mas o dolar alto não seria bom para eles? O Tomorrowland não vem de fora do Brasil e usa moeda estrangeira?”. A resposta é: Não.
O Tomorrrowland Brasil é feito por filiais brasileiras, que portanto utilizam a moeda nacional. A alta do dolar, portanto, encareceu e muito o preço do cache dos DJs, além de outros serviços (indiretamente). Dessa forma, esse ano ocorreu o inevitável: queda no número de atrações internacionais – havendo muitos DJs tocando por 1:30 ao invés de 1:00 no mainstage, estratégia mais econômica para os organizadores da festa. O sold-out nos ingressos, que ocorreu na edição 2015, não se repetiu, portanto, em 2016 – o que pode (e aqui falo de modo especulativo) ter gerado prejuízo.
Poréeeeeem… (sic) – há um outro lado da moeda. Existe pelo menos um motivo plausível para essa data da possível próxima edição da Tomorrowland não ter sido anunciada ainda – e, portanto, estamos falando aqui de uma real possibilidade de o festival ainda ocorrer. Primeiro, verifiquemos os patrocinadores/parceiros do evento: http://www.tomorrowlandbrasil.com/pt/partners-0.
Em seguida, verifiquemos os patrocinadores/parceiros do Ultra Music Festival Brasil: https://ultrabrasil.com/pt/patrocinio/.
Nota-se que Skol Beats e o Fusion são os patrocinadores principais tanto do Tomorrowland Brasil quanto do Ultra Brasil – e o mais interessante: eles patrocinaram também o EDC Brasil. Dessa forma, a demora nessa data (de anúncio do Tomorrowland) pode ser apenas estratégica: eles já sabiam que não haveria EDC, e então programaram o Ultra Brasil para cerca de seis meses após o Tomorrow Brasil 2016 e seis meses antes do possível Tomorrowland Brasil 2017 – e podem estar esperando ocorrer o Ultra para anunciar o próximo Tomorrow Brasil (ora, se anunciassem a TM Br pouco tempo antes do Ultra, poderia haver menor venda de ingressos do Ultra). Claro que o patrocinador não é um fator único de decisão sobre as datas de um festival, mas é influenciador, junto com os outros componentes de uma organização.
A data do Ultra, portanto, não seria por acaso. Ela permite que os organizadores do Tomorrowland BR comecem a sua divulgação e vendas do evento cerca de seis meses antes do evento, ou logo após o término do Ultra, considerando que ele ocorra na data padrão (feriado de Tiradentes), e que as vendas sejam anunciadas após o Ultra. Esses seis meses de venda poderiam ser, por exemplo, do dia 21/10 a 21/04 – o que dá uma margem segura de tempo de venda de ingressos e ainda respeita a questão do anúncio pós-Ultra.
Outro fator que corrobora essa hipotese foi um post realizado pela Skol Beats em sua fã-page do Facebook, dia 27 de abril de 2016, que dizia o seguinte: “Faltam 360 dias para o Tomorrowland Brasil”. Além disso, é de conhecimento geral que o contrato com o Parque Maeda (local onde ocorre o evento) é de cinco anos, a contar da 1ª edição do festival em 2015.
Há ainda uma outra possibilidade, bem plausível por sinal: a do Tomorrowland acontecer sim em 2017, mas no segundo semestre, já que o Ultra Music Festival está querendo se tornar um evento bienal no Brasil, de dois em dois anos, ou seja, não acontecerá ano que vem, abrindo maior espaço de tempo para a organização do Tomorrowland trabalhar. Uma hipótese até então pouco explorada, mas que deve ser levada em consideração.
Nesse contexto de argumentos que falam a favor e contra a possibilidade de mais uma edição do Tomorrowland Brasil, pairam mais incertezas que certezas, visto que não se obtém comentários ou anúncios oficiais dos organizadores, além da supracitada postagem na fã-page da Skol Beats ter sido deletada, não estando mais disponível – o que corrobora para a hipótese de que o Tomorrowland Brasil 2017 realmente não irá acontecer, ou será adiado.
E aí, irá o Tomorrowland pelo mesmo caminho do EDC? De certa forma, só o tempo dirá. A essa altura, qual a sua opinião?
