“20 anos… Numa quinta-feira do dia 02 de outubro de 1997 inaugurava o Anzuclub. Um projeto ousado numa época em que a música eletrônica ainda não estava difundida na cultura brasileira. Itu foi a cidade escolhida para receber o Super Club, que durante 20 anos recepcionou pessoas do mundo inteiro e se tornou um marco para a cena eletrônica no país. Por aqui passaram os maiores DJs de todas as gerações e por 09 anos consecutivos conquistou diversas premiações, alcançando ano passado a posição do 18º melhor club do mundo, segundo a revista inglesa DJ MAG. Queremos agradecer a todos vocês que fizeram parte da nossa historia, sem vocês nada disso teria valido a pena! E agora chega o momento de comemorar, encerrar e eternizar esse ciclo (…)”
Foram essas as palavras contidas em uma das últimas postagens do Anzu Club. Um super club onde milhares de pessoas passaram por lá e ajudou imensamente no fortalecimento da música eletrônica no Brasil. O club anunciou ontem oficialmente o encerramento de suas atividades, marcando a data da sua despedida no dia 07 de outubro de 2017, ainda com nenhuma atração divulgada.
“A Anzu Club foi a pioneira, um clube onde se apresentaram pela primeira vez no Brasil nomes como Armin Van Burren, Deep Dish, Deadmau5. Com certeza tem seu mérito especial por ser uma casa no inteior de SP, longe das grandes metrópoles, tendo capacidade maxima de 3500 pessoas, e ficou aberto por 20 anos! Anzuclub é um club lendario, não podemos mensurar por palavras ou por algum artista”, conta o residente do club, DJ e produtor Soldera.
A Anzu por muito tempo foi um dos lugares onde diversos artistas do mundo sonharam em se apresentar, pela sua estrutura e por toda história que a casa carrega. Além disso, o club sempre abriu portas para novos produtores e fez parte da trajetória de grandes artistas, como conta Soldera: “Por tudo que me tornei hoje, devo ao Anzu: imagina você, um DJ em começo de carreira, ter a oportunidade de tocar em um mega club como aquele e do nada sugerir a ideia de criar uma pista na área de fumantes. Eu saí do anonimato, do amadorismo profissional e em poucos meses estava ali sentado na mesa de reunião, aprendendo e discutndo agenda, operacional, etc. Ali me tornei muito mais que um DJ, aprendi tudo como funciona essa `máquina` nos bastidores.”
Com seus 3 ambientes, o club era, em sua maioria, bem eclético: uma pista principal poderia estar tocando EDM, no palco do mezanino algumas levadas de black, hip-hop e na pista externa, carinhosamente chamada de Pistinha, um som mais underground.
Falando como frequentador, o meu lugar preferido na Anzu é a pistinha, pois amanhecer ao som de batidas de tech house era uma das melhores sensações. Tive a oportunidade de me apresentar nessa pista como DJ em meu projeto “Loschi”, e a vibe dentro e fora do palco daquele lugar são únicas. Nada melhor que saber de como surgiu a pistinha com seu idealizador, Soldera: “A ideia surgiu a partir do momento em que fui chamado a me apresentar no club. Sabia que meu som não era adequado para os padrões da casa, e entrar após um artista pop no mainstage seria minha primeira e última apresentação no clube. Então pedi que montassem um PA na area de fumante do clube, parecia muito com um jardim e tinha muito mais uma cara tropical, como seu som. Eles aceitaram. Durante um bate papo com meu amigo e DJ Du Nicolau, ele sugeriu que tocásemos todos juntos, sem custo pra casa, assim mostraríamos nosso so. Foi aí que eu, Du Nicolau, Dorfo Pieri e Miguel Sanchez fizemos o primeiro line da pistinha, o resultado positivo foi instantâneo, então Felipe Gaspar, diretor do club na época, me ofereceu uma data logo em seguida e segui com a mesma proposta.

Nós da House Mag ficamos muito tristes com a notícia, mas entendemos que a cena é feita de cliclos e que a Anzu exerceu papel fundamental para o estabelecimento da cena no intrior de São Paulo e elevou sua relevância globalmente.
Obrigado Milton Muraro Filho pela oportunidade, pelas cagadas, pelos ensinamentos, pelas conquistas e por tudo o que vivemos juntos ali. Meu respeito, gratidão e admiracão será eterno. Como você mesmo disse, o fim de uma era significa o surgimento de uma lenda ! #anzuforever“, Mário Sergio de Albuquerque, sócio-proprietário no Laroc Club.




