Da redação
Com o progressive house novamente em evidência na cena “underground’]” mundial, e com a grande ascensão das melodias progressivas nos sets de grandes nomes do Techno, artistas que foram grandes precursores do estilo voltaram a brilhar com força no mercado, como John Digweed, Sasha, Nick Warren, Hernan Cattaneo, que estão mais requisitados do que nunca – fazendo com que o real Progressive House ressurja como a bola da vez entre os estilos. Entre os grandes embaixadores do estilo podemos citar o canadense Glenn Morrison, que foi um dos raros heróis do segmento no fim da década passada.
Glenn Morrison surgiu para a cena eletrônica mundial como um verdadeiro meteoro, junto a uma safra pequena, porém de alta qualidade de DJs/produtores que representavam o real progressive House a partir de meados de 2006 -2007. Nesta época, o estilo já vinha sofrendo uma invasão de mésicas e artistas que nada tinham a ver com a real essência Progressiva, muito por culpa dos erros de classificação do Beatport. Glenn Morrison foi um dos grandes nomes da segunda grande leva do Progressive House, que lançou para o mundo artistas como Deadmau5 (seu parceiro de estúdio por longos anos), Guy J, Pryda (alias de Progressive do Eric Prydz), Henry Saiz, Guy Mantzur, 16 bit lolitas, Michael Cassette, Martin Roth, entre outros nomes que hoje são considerados verdadeiras referencias do estilo.
Protegido de Deadmau5 no inicio de sua carreira, Glenn estourou em 2007 com o a faixa “Contact” pela gravadora do rato, Mau5trap. Logo depois veio seu maior hit “No Sudden Moves”, uma faixa que ficou por 1 mês no TOP 1 geral do beatport e por meses no TOP 1 de Progressive House, sendo a faixa mais vendida do estilo no ano. Com uma sequência de lançamentos por gravadoras como a lendária Hope de Nick Warren, Bedrock de John Digweed e pela gigante Armada Music, Morrison se consolidou internacionalmente com inúmeras tours internacionais e residências por clubs com Amnesia, Space Ibiza e Space Miami.
Glenn Morrison – No Sudden Moves – Uma das faixas mais vendidas da história do Beatport
O nome de Glenn Morrison foi tão expressivo que ele fundou a sua gravadora Morrison Recordings e lançou grandes nomes do segmento, como 16bit lolitas, Jeremy Olander, Quivver, Michael Cassette, Paul Keeley, Zoo Brazil entre muitos outros. Lançar na ‘Morrison Recordings’ era considerado uma verdadeira grife pra os produtores e desejo dos maiores artistas da época.
Com a ascensão da EDM e o sumiço total do Real Progressive House a partir do inicio desta década, Glenn, assim como muitos outros produtores do estilo, saiu dos holofotes, focando seus projetos de produção e composição musical para trilhas de vídeo games e filmes de Hollywood, dando uma breve pausa no seu calendário incessante de tours mundiais.
Após um hiato do cenário “underground”, Glenn lançou no inicio de 2016 o álbum “Into The Deep”, com o foco no techno e no progressive, recebendo suporte de lendas como Pete Tong na BBC Radio 1, Solomun, Dixon, Âme , John Digweed, Sasha, entre outros.
Solomun tocando ‘Glenn Morrison – Into The Deep’ , faixa do seu ultimo álbum.
Após uma volta triunfal para a Bedrock Records neste ano e prestes a lançar o seu novo álbum intitulado ‘Dark Waters’, que lança no fim deste ano, Glenn Morrison conversa exclusivamente com a House Mag em uma entrevista reveladora, e apresenta um set exclusivo para a Timeless Moment! Confira!
HOUSE MAG – Olá Glenn, tudo bem? Obrigado por nos conceder esta entrevista exclusiva! Você acabou de fazer um set exclusivo para a Timeless Moment, poderia nos falar um pouco sobre ele? Sobre as faixas e sua inspiração? São faixas que você normalmente toca ao vivo?
GLENN MORRISON – Para mim este set foi uma demonstração do que a minha nova gravadora Fall from Grace Records representa, tanto no estilo musical como no aspecto de todos do selo serem músicos extremamente completos. Por exemplo, temos uma parceria com Marcus Henriksson (metade do duo Minilogue) e ele está fazendo músicas muito inteligentes e inovadoras para a Fall from Grace Records, e é maravilhoso ter ele como amigo e parceiro da gravadora. O mesmo vale para o meu grande amigo Andy Graham, com quem já escrevi muitas músicas em conjunto. Todos nós somos muito apaixonados pela musica que escrevemos e sempre estamos experimentando com novas texturas e sons a cada nova produção.
HOUSE MAG – Você é um dos grandes pioneiros do real som progressivo. Podemos falar que em certo momento você foi um dos maiores nomes da “segunda onda” de produtores de progressive que dominaram os charts no fim da última década junto a nomes como deadmau5, Guy J, Pryda, Henry Saiz e muitos outros. Poderia nos contar um pouco como sua carreira começou, tanto como DJ e produtor?
GLENN MORRISON – Fico muito feliz pelas belíssimas palavras, realmente foi uma época mágica. Eu trabalhava para a gravadora Release Records no inicio até o meio dos anos 2000 e estava aprendendo muito sobre vendas de vinil (isso foi pré-beatport e pré vendas digitais). Quando o mercado de vinil quebrou, eu já tinha aprendido tanto e já conhecia muita gente importante da cena, então comecei a fazer tours pelo mundo como DJ, por países como Brasil, China, Turquia, toda a Europa, basicamente em todos os cantos do mundo. Aprendi a produzir quando meu grande amigo Bruce Aisher, que era professor de musica no UK e também editor da Computer Music Magazine, começou a me ensinar o básico da produção e a partir dali não parei mais de aprender.
HOUSE MAG – Poderia nos contar também um pouco da história e curiosidades sobre os seus maiores hits “Contact” e “No Sudden Moves”?
GLENN MORRISON – É muito interessante você falar das faixas ‘Contact ’ e ‘No Sudden Moves’, realmente foram um baita sucesso na época. Eu me lembro especialmente do dia em que estava chegando a Camboriú para mais uma data no Brasil e meu agente na época, Claudio Brio, falou: “Glenn, você é o numero 1 geral do Beatport com No Sudden Moves’ . É uma lembrança muito legal de como eu descobri que a faixa havia atingido o topo e ‘No Sudden Moves’ acabou ficando por mais de 3 semanas por lá. Nesta época eu escrevi entre 6 a 8 faixas em parceria com Joel (deadmau5) e a lembrança destas faixas é um pouco, como podemos dizer, ‘doce e amarga’.
HOUSE MAG – Após tanto sucesso como produtor você se tornou uma das maiores estrelas no Canada e fez tours pelo mundo todo conquistando residências nos maiores clubs do mundo. Podemos dizer que foi uma época dourada para real Progressive pelo mundo, e em certo momento, você era um dos maiores nomes dos artistas exclusivos da Armada Music. Você pode nos contar um pouco como era a sua rotina no seu clímax? Algumas de suas melhores experiências e gigs inesquecíveis?
GLENN MORRISON – Na época minha rotina era muito árdua, trabalhando duro no estúdio compondo músicas, aprendendo sobre a indústria, aprendendo o que fazer e não fazer quando cuidamos de uma gravadora, fazendo mais de 100 shows por ano, a maioria em eventos gigantes, inclusive tours em conjunto com Armin, Guetta e Avicii… aqueles anos foram mágicos e tenho muitas lembranças boas da época. Agora o meu foco é mais em criar um projeto artístico, em trazer de volta a cultura do vinil e fazer shows que representem o que é a minha gravadora Fall from Grace Records e minha real personalidade como um artista.
HOUSE MAG – Glenn, você vem de um hiato da cena underground, tanto nas produções quanto em sua rotina de gigs, onde focou mais em compor musicas para Sony Music, para games e para trilha de filmes. Mas nos últimos dois anos você voltou e logo teve suas faixas tocadas por nomes como Solomun, Âme, Dixon, Sasha e John Digweed. Poderia nos falar um pouco de como foi focar no lado mais ‘financeiro’ da música? E quando você sentiu que você precisava voltar as suas raízes do Progressive House e Techno?
GLENN MORRISON – Para ser honesto com vocês, eu fiz muita, mais muita coisa relevante por traz da cena, trabalhando para uma gravadora gigante, que é a Sony Music, mas tanta coisa que tenho que escrever um livro sobre isso um dia rss. Apesar de parecer online que não estava lançando muitas faixas, eu estava o dia inteiro escrevendo faixas para clientes nas grandes gravadoras. Nestes últimos anos também construí meu estúdio de masterização ‘Alpine Mastering’, que teve seu design feito pelo aclamado Terry Medlewek do Group One Acoustics. Também criei 4 novos selos nestes últimos anos, assim posso focar em lançar musicas constantemente no mercado. E sou abençoado neste quesito, pois assim posso fazer escolhas livremente sobre minha carreira. Agora o foco é em deixar os artistas livres para criarem o que desejarem, o que acharem artisticamente correto nas minhas gravadoras. A mágica acontece quando você deixa pessoas brilhantes livres para criar sem amarras das ‘grandes gravadoras’.
HOUSE MAG – Falando em gravadoras, o seu nome foi responsável por uma das mais respeitadas gravadoras da ultima década, a Morrison Recordings, que lançou artistas renomados como 16 bit Lolitas, Jeremy Olander, Quivver, Matta Lange, Michael Cassette, CamelPhat, entrte outros grandes. Agora você está de volta ao mercado das gravadoras, especialmente com a Fall from Grace Records. Poderia nos contar um pouco dos seus planos com esta nova empreitada? Nomes que vão lançar ou que já lançaram nela? Também poderia nos contar um pouco desta experiência de trabalhar com tantos artistas brilhantes tanto no passado como no presente?
GLENN MORRISON: De novo, obrigado pelas belas palavras. Fall from Grace Records é a celebração da música inovadora, das batidas hipnóticas do Techno e das melodias emocionantes do progressive. Todos os artistas que estamos lançando são mentes brilhantes, é apenas isso que desejo construir no roster da nossa gravadora. Ela cresceu nestes últimos anos devido ao controle de qualidade, mais também a liberdade de criatividade que damos aos nossos artistas. Atualmente temos no roster da Falll from Grace Records artistas como Ewan Pearson, David Morales, Darren Emerson, Colin Benders, Dusty Kid, Sei A, John Debo, Mihai Popoviciu, Ronnie Spiteri, Teenage Mutants, Transcode, Marcus Henriksson, John Monkman, Dave Seaman, Markus Homm e obviamente eu. Temos grandes artistas que vão ser anunciados em breve. Nosso roster está crescendo lindamente e estou feliz que os artistas e publico em geral estejam receptivos com a nossa musica. Em breve seremos uma gravadora 100% vinil, lançando todos o nossos lançamentos, tanto digitalmente, como em vinil, começando pelo o duplo LP do meu próximo álbum ‘Dark Waters’. Se forem em nosso site da Fall from Grace Records vocês poderão se inscrever na nossa promo list e fazer a pre-order desta edição limitada em vinil do meu próximo álbum.
HOUSE MAG – Falando sobre o seu novo álbum ‘Dark Waters’, que vai ser lançado ainda este ano pela Fall from Grace Records. O que podemos esperar dele musicalmente? Que nomes estão envolvidos em possíveis colaborações ou remixes? E sobre o processo criativo, pode nos contar um pouco de como foi a produção?
GLENN MORRISON – Este álbum é apenas uma representação do que o nosso selo apresenta: texturas ricas, tons hipnóticos, melodias, a pureza analógica da produção, a qualidade de transições e arranjos inteligentes. É isto que sempre busco quando escrevo musica e espero que vocês curtam tudo isto que estamos criando na Fall from Grace. No álbum temos 13 faixas para o lançamento final, 4 faixas foram colaborações com meu grande ami Andy Graham (Sei A) e uma faixa com Paul Keeley. Sobre o processo de criação, foi tudo muito orgânico, com músicos tocando sintetizadores em tempo real, com envio de projetos mult i faixas dali para ali, trabalhando com muitos hardwares e sintetizadores analógicos. Como fizemos muita coisa ao vivo, acabamos demorando mais para finalizar as faixas, mais quando finalizamos, ficou lindo! Vocês podem ver a lista completa dos synths e hardwares que eu uso no site da Alpine Mastering!
HOUSE MAG – Recentemente você lançou a faixa ‘End of Days”, que foi abertura do CD2 da nova compilação ‘Frequencies’ mixada por John Digweed na Bedrock Records. Poderia nos contar um pouco da sua história com John Digweed, artista com quem trabalha há muitos anos? Tem alguns novos lançamentos marcados pela gravadora ou algo especial planejado que possa nos contar?
GLENN MORRISON – É sempre uma honra trabalhar com John Digweed e a Bedrock, que para mim sempre foram uma das minhas principais inspirações na cena. A faixa “ Luzon – The Baguio (Bedrock Mix) na gravadora Renaissance foi um dos meus vinils prediletos de todos os tempos. Eu me lembro perplexo ao olhar para a belíssima arte do Michelangelo na capa , e que musica! Aquela musica e Banco De Gaia – Obsidian (PFN Vs The Light Mix) foram as faixas que me fizeram amar o estilo! E tudo aconteceu antes de eu começar a trabalhar para a Release Records!
HOUSE MAG – Com tantos novos lançamentos, seu próximo álbum e este belíssimo trabalho na sua gravadora Fall from Grace, podemos supor que você está se preparando para uma volta triunfal atrás dos decks! Pode nos contar um pouco dos seus planos e tours? Podemos esperar festas da Fall from Grace?
GLENN MORRISON – Atualmente temos tido várias propostas interessantes para levar a festa da gravadora para locais como Los Angeles e até o Japão! Porém, não quero me apressar, pois pretendo planejar o design do show e a parte criativa da noite com precisão, então estamos sendo cautelosos com o lançamento oficial das festas. Sobre tours internacionais, primeiro pretendo finalizar o lançamento do meu álbum para poder me dedicar novamente atrás dos decks, pois tours internacionais nos mantém longe por um longo periodo do estúdio. Quero deixar muitas faixas prontas, e um calendário de lançamentos programado antes de partir para mais uma volta ao mundo!
HOUSE MAG – Glenn, você tem uma história linda no Brasil, tocando em noites históricas no Warung, Green Valley, Sirena e Rio Music Conference, apenas citando algumas festas e clubs. Poderia nos contar um pouco da sua relação com o Brasil, suas gig e tours em nosso solo tupiniquim? Algum plano de voltar em breve?
GLENN MORRISON – Sim, o Brasil é meu local favorito, e não é clichê rss! Eu comecei a tocar internacionalmente no Brasil, por isso tenho este amor por vocês. Eu era muito jovem e já tocava várias vezes por semana por todo o Brasil, foi uma experiência incrível! O país de vocês é tão grande que quando tocamos em cidades diferentes temos uma vibe completamente nova e surpreendente a cada gig. No Sirena, em Maresias, eu tive uma das minhas gigs mais memoráveis, quando toquei lá fora até o sol amanhecer com uma vibe mágica! Muitas outras grandes memórias em noites na Pacha Buzios e Floripa, Kraft Campinas, e é logico, no Warung e Green Valley.
Glenn Morrison ao vivo no Musik Park em Florianópolis!
HOUSE MAG – Devido à sua longa historia aqui você deve ter conhecido muitos de nossos artistas nacionais. Quais são seus artistas favoritos no Brasil? Alguém no seu radar para Fall from Grace Records?
GLENN MORRISON – Eu amo as faixas do Gui Boratto, são muito inteligentes, com muita dimensão e emoção. Agora, não sei se já falei isto antes, mas Morttagua é para mim o principal nome do mercado brasileiro no momento! Já o assinei para a minha gravadora Fall from Grace e ele fez um remix maravilhoso para a minha faixa ‘Hypnotism’, o primeiro single lançado do meu próximo álbum!
HOUSE MAG – Glenn, muito obrigado por esta entrevista! Sentimos falta dos seus sets no Brasil e aguardamos ansiosamente o seu retorno! Poderia mandar uma mensagem final para seus fans e o público em geral?
GLENN MORRISON: Muito obrigado pela entrevista, muito obrigado mesmo! Retorno ao Brasil no período do Reveillon e anunciarei as datas muito em breve! Estou muito ansioso em passar o ano novo no pais que me ‘adotou’ quando eu comecei a minha carreira! Por enquanto fiquem atentos ao lançamento, tanto digital , quanto em vinil do meu próximo álbum ‘Dark Waters’ ! Vejo vocês em breve e muito obrigadooo Brasil!!
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