A eletrônica mais forte do que nunca no Rock in Rio

Por: Rodrigo Rodriguez, Gabriel Saber, Danilo Morttagua e Alexandre Albini 

O Rock in Rio começou na sexta-feira, dia 15 de setembro, com muitas novidades. A edição de 2017 ganhou novo local no Parque Olímpico, em Jacarepaguá, numa área com o dobro do tamanho das edições anteriores. Apesar das quase 100 mil pessoas presentes em cada um dos sete dias, não houve aquela sensação claustrofóbica, pois, a área é imensa e comportou o público perfeita e confortavelmente.

Ao entrar no espaço reservado à imprensa, já pudemos perceber o conforto e a boa estrutura oferecida aos profissionais que estavam cobrindo o evento. Fomos então conhecer os palcos e as demais atrações e ficamos positivamente impressionados com tudo o que vimos. O festival proporcionou uma infraestrutura impecável e, sem dúvidas, acertaram em cheio na nova locação. Banheiros, bares, restaurantes e outras lojas com atendimento ágil e quase sem filas – quando havia, era tudo muito rápido.

A primeira noite começou com força total com a modelo Gisele Bundchen abrindo o Palco Mundo falando sobre a preservação da Floresta Amazônica. Logo depois, a Cidade do Rock inaugurava um novo espaço, o Game XP, oferecendo uma experiência em jogos eletrônicos e dando a oportunidade de o público jogar nos estandes de grandes marcas do mercado de jogos eletrônicos.

O espetáculo de drones no céu da Cidade do Rock chamou atenção com um balé sincronizado entre música e luzes. No repertório, das clássicas, passando pela bossa nova e chegando a música tema do festival, sempre formando imagens que foram da pomba da paz a guitarra símbolo do festival. O público parecia extasiado com o que via pela primeira vez no Brasil e na América Latina.

Grandes apresentações do Palco Mundo como de Alicia Keys, Justin Timberlake, Maroon 5, Bon Jovi e Hot Chilli Peppers não tiraram a atenção do Eletronica, que permaneceu com público expressivo todos os dias, por todo o tempo. A estrutura e o sistema de som imponentes fizeram jus ao nível de grandeza dos artistas escalados, provando que a música eletrônica veio para ficar no Rock in Rio. Além disso, a Privilege montou um after party atrás do espaço, garantindo com que as noites entrassem madrugada adentro até de manhã, com nomes como Illusionize, Vintage Culture, Chemical Surf, Renato Ratier, Mau Mau, Cat Dealers, e os residentes Sandro Valente e Marquinhus SP.

Na sexta-feira, dia 15, The Black Madonna fez uma apresentação incrível com muito groove e seu grande carisma com o público. Pouco antes disso, Groove Delight ganhou a pista tocando grandes hits dos últimos dez anos, sendo ovacionada. 

Já o segundo dia foi dedicado a breaks e black music e teve o ícone Grandmaster Flash como headliner. Um set de clássicos do hip-hop como “Jump Around” (House of Pain) e “Let Me Clear My Throat” (DJ Kool) fizeram parte do setlist. Em seguida, Marky e Mau Mau tocaram juntos em um back 2 back inédito, também cheio de clássicos do R&B e da soul music. Destaque também para João Brasil, que lançou seu trabalho mais eletrônico no Rock in Rio e realizou a gravação do novo hit “Latinha” ali ao vivo, em parceria com o duo carioca Brazza Squad. Ele levou aquela dose de funk carioca ao palo eletrônico.

 

 

No domingo as ações foram iniciadas pela dupla Flow & Zeo, seguido pelos ótimos sets de Renato Ratier e do duo alemão Andhim. Destaque para o DJ set do suíço-chileno Luciano, que encerrou a noite tocando um tech-house/techno para cerca de 14 mil pessoas, que não deixou ninguém parado.

O domingo teve ainda, no Palco Sunset, Nile Rodgers em um dos shows mais aclamados e esperados de todos os tempos, junto de sua banda de formação Chic. Foi uma verdadeira aula musical para diversas gerações, em uma apresentação que trouxe hits como “Like A Virgin” de Madonna, “Let’s Dance” de David Bowie, “Freak” (Chic) e “Get Lucky” do Daft Punk, todas produzidas por ele ao longo de sua carreira, terminando com o palco lotado com todos cantando e dançando juntos.

 

O SEGUNDO FINAL DE SEMANA

 

Com uma segunda semana bem mais dedicada ao rock no Palco Mundo do que a primeira – mais voltada para o pop –, o festival escalou nomes nacionais e internacionais que apresentaram os shows de bandas como Thirty Seconds to Mars, Tears for Fears, The Who, Guns n’ Roses, Aerosmith e Fallout Boy. O longo show de Axl Rose e Slash no sábado, 23 – que durou mais de três horas –, e Red Hot Chilli Peppers, que deixou de fora sucessos como “Otherside” e “Scar Tissue”, contagiaram o público. 

Na quinta, 21, pudemos conferir o DJ Rob Garza, fundador e membro do grupo de música experimental e de downtempo Thievery Corporation, um dos projetos mais conhecidos do segmento. Na sexta, 22, chegamos no início do show do Tears for Fears, que seria a única banda no palco principal neste dia que teria toques de música eletrônica com as suas lendárias timbragens do synths pop wav dos anos 80, tocando hits como “Changes”, “Rule the world”, “Pale Shelter” e “Sowing The Seeds of Love”. 

 

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Após o show fomos para a tenda Eletrônica onde Tessuto fazia as honras de abrir a pista. Com um som swingado, contagiou quem estava presente com house e techno de extremo bom gosto e muita energia. Porém o grande destaque da noite ficou para o live de L_cio, que conseguiu levar o pequeno público da pista para um estágio de hipnose e transe com suas produções obscuras e melódicas. Podemos destacar o uso perfeito de sua flauta transversa, utilizando o instrumento em momentos precisos e de forma orgânica, sem deixar que ficasse “over” como muitos lives com instrumentos que ouvimos por aí.

No sábado, 23, Erick Morillo fez um dos seus melhores sets até hoje. Empolgado e dançando o tempo todo como sempre faz, ouvimos algumas pessoas dizerem que ele estava com o “diabo no corpo” (risos). Isso porque ele tocou por diversas vezes três músicas ao mesmo tempo, incluindo muitas acapellas de clássicos da house music, efeitos e loops. O momento alto da noite foi quando executou “Gone”, sua faixa em colaboração com o projeto Junolarc, além de “Domino”, clássico do techno e “Alright” do Red Carpet, de 2005. E claro, não podia deixar de tocar “Cola”, do Camelphat & Elderbrook, maior hit de house do mundo atualmente. Logo depois, Morillo foi convidado para tocar no after da Privilege.

 

 

No domingo, 24, o Rock in Rio fechou mais uma edição no Brasil com todos os ingressos esgotados e trazendo uma experiência ainda mais surpreendente e grandiosa do que nos outros anos. A tenda eletrônica teve um de seus momentos mais importantes da história quando Vintage Culture começou a tocar. Ele entrou um pouco antes do fim do show do RHCP e logo após a queima de fogos no Palco Mundo, foi o momento em que não só grande parte do público correu para lá, mas também todo o staff do festival. A equipe se juntou a todos para uma confraternização geral e aconteceu ali uma energia única ao som de grandes hits do DJ e produtor como “Why Don’t You Love” (sua faixa com o duo Selva), “Hey Hey Hey” do Chemical Surf, “Drinkee” (Sofi Tukker), “Boom” (Tiesto, Sevenn) e “Feeling Good” (Vintage Culture, Chemical Surf), remake do clássico de Nina Simone que fez o público pirar. Às 4h, o artista saiu dali direto para a cabine do after da Privilege. Ali, Vintage tocou até de manhã, com a pista lotada o tempo todo também.

Antes dele, a dupla Cat Dealers fez um set com muitos hits e que contou com a presença do cantor Magga, vocalista da música “Gravity”. Claro, tinha que ter um trecho de “Heads Will Row”, do Yeah Yeah Yeahs, música mais tocada pelos DJs do Brasil e de todo o mundo. Zeles Zerb, Bruno Furlan e Gabriel Boni iniciaram a noite tocando também com o espaço do palco eletrônico completamente lotado, sendo o dia mais cheio dali. Um dos momentos especiais foi quando Boni tocou seu remix para a música “Piloto Automático”, da banda Supercombo. E assim o público cantava sem parar o refrão: “viajar o mundo e socializar, nunca reclamar, só agradecer, fácil de falar, difícil fazer”…

 

 

Já Bruno Martini mostrou bastante variedade musical, tocando hits que iam do house ao progressive house. O ponto alto do set foi quando o cantor Zeeba subiu ao palco cantando “Never Let Me Go” e “Hear Me Now”, faixas de autoria deles com Alok. A cantora Isadora, de “Sun Goes Down”, também estava lá e foi ao palco para cantar a bela faixa ao vivo.

Além dos já citados, diversos ótimos nomes, à exemplo de Maya Jane Coles, SG Lewis, Fatnotronic, Selvagem, Paranoid London, Ney Faustini e o duo brasileiro Mumbaata também se apresentaram no palco eletrônico, que tem direção artística do produtor Miguel Marangas, que conseguiu juntar diferentes nomes e estilos, e entregou uma bela variedade com consistência. 

No Sunset grandes shows como Baiana System, Ney Matogrosso com Nação Zumbi e Cee Lo Green, que fez uma apresentação empolgante e divertida cantando seus hits como “Fuck You” e “Crazy”, de sua banda Gnarls Barkley, merecem ser igualmente citados. Rolou até covers de “Porcelain” do Moby e “September” do Earth, Wind & Fire. E no final, ouvimos um trecho de “A Bit Patchy” do Switch. Quem lembra dessa música, que tinha um remix do Eric Prydz até, e que tem o sample da música de uma banda chamada Incredible Bongo Band, de 1973?

Com toda a certeza presenciamos mais uma edição histórica que deixará boas lembranças. Ano que vem tem mais em Lisboa, e em 2019 novamente no Rio de Janeiro. O Rock in Rio é pra deixar muitos gringos morrendo de inveja.

 

 

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